Pecuária

Carne bovina já sente efeito da cota chinesa

Mesmo com essa desaceleração, o desempenho do primeiro semestre foi recorde.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Depois de um primeiro semestre histórico, as exportações brasileiras de carne bovina começam a desacelerar. Os embarques de julho devem registrar a primeira queda na comparação anual desde janeiro de 2025, principalmente por causa das limitações impostas pela China, maior compradora da carne brasileira.

Até a terceira semana de julho, a média diária de exportações foi de 10.799,2 toneladas, uma redução de 10,3% em relação às 12.038,2 toneladas embarcadas por dia no mesmo período de julho de 2025. Segundo o setor, a principal razão é o esgotamento da cota chinesa de importação com tarifa reduzida. A partir desse limite, as compras passam a enfrentar uma tarifa de 55%, tornando os negócios menos competitivos.

Na prática, muitos frigoríficos aceleraram as vendas para a China durante o primeiro semestre para aproveitar a cota disponível, estimada em cerca de 1,1 milhão de toneladas. Agora, com esse volume praticamente preenchido, os embarques ao mercado chinês tendem a diminuir até a abertura de uma nova cota. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirma que algumas empresas já reduziram o ritmo de produção e concederam férias coletivas aos funcionários.

Mesmo com essa desaceleração, o desempenho do primeiro semestre foi recorde. As exportações brasileiras de carnes e subprodutos bovinos somaram US$ 9,93 bilhões, alta de 33,4%, enquanto o volume embarcado alcançou 1,81 milhão de toneladas, crescimento de 7,3% sobre o mesmo período de 2025. A China respondeu por 48,5% da receita obtida com as exportações brasileiras de carne bovina, com compras de 774,7 mil toneladas, um avanço de 22,6% em volume.

Imagine um frigorífico que destinava grande parte da produção para o mercado chinês. Com a tarifa mais alta após o fim da cota, a empresa pode precisar redirecionar parte da carne para outros mercados ou ajustar temporariamente o ritmo de abate. Isso ajuda a explicar a busca por novos compradores, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Hong Kong e Arábia Saudita, que ampliaram suas importações no primeiro semestre.

Além da China, o setor acompanha com atenção as negociações com a União Europeia, que avalia novas exigências sanitárias relacionadas à comprovação de produção livre do uso de determinados antimicrobianos. Caso não haja um acordo sobre os mecanismos de certificação, parte das exportações para o bloco poderá enfrentar dificuldades nos próximos meses.

🔧 Orientação: Se você produz gado para frigoríficos exportadores, acompanhe os movimentos do mercado internacional. Mudanças em cotas, tarifas e exigências sanitárias podem influenciar o ritmo de compra das indústrias e refletir nos preços pagos ao produtor ao longo do segundo semestre.

Fonte: Forbes.

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