Exportação de carne para UE é suspensa a partir de hoje
Bloco alega falta de garantias sobre uso de antimicrobianos; Brasil corre para criar protocolo e reverter veto.
A partir desta quinta-feira (3), a União Europeia suspende as importações de carne bovina, frango, ovos, mel e outros produtos de origem animal do Brasil . O bloqueio atinge um mercado que, em 2025, movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão com carnes brasileiras — sendo US$ 1,048 bilhão apenas em carne bovina .
A decisão já havia sido comunicada em maio, e a UE afirma que o governo brasileiro não apresentou garantias suficientes para comprovar que a produção atende às novas regras sobre o uso de antimicrobianos — especialmente antibióticos usados como promotores de crescimento, proibidos no bloco . A exigência europeia abrange o ciclo de vida completo dos animais, do nascimento ao abate .
Reação do setor e do governo
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirma que desenvolveu um protocolo privado de controle sobre o uso de antimicrobianos, com adesão de 100% das empresas habilitadas a exportar para a UE . O documento, elaborado em parceria com a ABCAR e a CNA, integra as garantias oficiais já apresentadas pelo Ministério da Agricultura (Mapa) ao bloco .
A Abiec reconhece, porém, que o mercado europeu não pode ser substituído automaticamente por outros destinos . A UE paga prêmios por cortes nobres, e sem esse canal, o Brasil precisaria redirecionar esses volumes para mercados com menor valor agregado, o que afeta a rentabilidade da cadeia .
O que esperar daqui para frente
No curto prazo, a UE realiza auditorias nas cadeias de frango e mel, com previsão de conclusão nesta semana. Se forem favoráveis, esses produtos podem voltar a ser exportados em novembro . Já para a carne bovina, a retomada pode levar mais tempo. Como o ciclo de vida do gado é mais longo, a adaptação completa pode demorar até meados de 2028 .
A porta-voz da Comissão Europeia afirmou confiar na resolução do impasse, mas não estabeleceu prazo para a retomada .
A medida atinge frigoríficos já habilitados a exportar cortes especiais para a UE. Produtores que abastecem esse mercado podem ver redução na demanda e queda nos preços pagos por esses lotes . Como alternativa, a Abiec orienta que a carne pode ser redirecionada para outros mercados, mas cortes nobres perdem valor quando vendidos para destinos que não os remuneram adequadamente .
🔧 Orientações:
1. Acompanhe o desenrolar das negociações: o governo e a Abiec buscam a reinclusão do Brasil na lista. A evolução do diálogo com a UE definirá o ritmo da retomada.
2. Avalie o impacto na sua produção: se sua propriedade abastece o mercado europeu, a suspensão pode afetar a demanda e os preços, especialmente de cortes premium.
3. Revise protocolos sanitários: a exigência de rastreabilidade do nascimento ao abate será tendência em outros mercados. Comece a adaptar seus registros e controles.
4. Diversifique os destinos da produção: explore alternativas de comercialização para reduzir a dependência de um único mercado comprador.
5. Busque assistência técnica: procure orientação sobre como comprovar a rastreabilidade e a ausência de antimicrobianos proibidos, exigência que tende a se espalhar para outros importadores.
Fonte: Bloomberg.