Minerva freia expansão e prioriza redução de dívida com juros altos
CFO afirma que novas aquisições estão "praticamente fora" dos planos; meta é desalavancar para 1,7 vez em até 24 meses.
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A Minerva, uma das maiores exportadoras de carne bovina do Brasil, mudou o rumo de sua estratégia. Após um ciclo de expansão que praticamente dobrou o tamanho da empresa em quatro anos, a prioridade agora é reduzir a alavancagem. "Desalavancar, desalavancar e desalavancar. E desalavancar, para não esquecer", resumiu Edison Ticle, CFO da companhia, durante encontro com jornalistas em Barretos (SP) .
O motivo é claro: os juros no Brasil estão em patamares elevados e dificilmente cairão para menos de dois dígitos nos próximos dois anos, segundo a avaliação do executivo . Isso reduz o número de investimentos capazes de oferecer retorno superior ao custo de capital. Com isso, novas aquisições de frigoríficos estão "praticamente fora" dos planos da empresa .
Alavancagem atual e meta
A Minerva encerrou o segundo trimestre de 2026 com alavancagem (dívida líquida/Ebitda) de 2,9 vezes, ante 2,7 vezes três meses antes. A dívida líquida somava R$ 14,4 bilhões no fim de junho .
No entanto, o CFO afirmou que o nível ideal de endividamento não deve ser medido apenas pela relação dívida/Ebitda. A referência usada pelo executivo é limitar a despesa financeira a cerca de um terço do Ebitda . Pelas contas apresentadas, esse parâmetro corresponderia a uma alavancagem próxima de 1,7 vez, bem abaixo do patamar atual. A companhia estima alcançar essa meta em um prazo de 18 a 24 meses .
Redução de estoques e geração de caixa
Para desalavancar, a Minerva planeja reduzir seus estoques, que somavam R$ 4,8 bilhões no balanço (e cerca de R$ 5,3 bilhões considerando cargas em trânsito) . O aumento dos estoques foi uma resposta à volatilidade comercial deste ano, incluindo mudanças nas regras de acesso à China e nas tarifas dos Estados Unidos . "Se a gente zerar metade desse estoque, estaremos gerando R$ 2,7 bilhões", afirmou Ticle .
A empresa consumiu entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão em caixa no primeiro semestre, mas espera gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões no segundo semestre. Para o ano, a expectativa é superar R$ 1 bilhão em fluxo de caixa livre .
A companhia também decidiu limitar a distribuição de dividendos ao mínimo obrigatório de 25% do lucro líquido enquanto busca reduzir a alavancagem .
Oportunidades na América do Sul
Apesar do foco na desalavancagem, a Minerva segue otimista com o mercado de carne bovina na América do Sul. A região, segundo o CEO Fernando Galletti de Queiroz, tem vantagem competitiva por combinar produção a pasto e confinamento, além de subprodutos do etanol de milho, como DDG e DDGS, a preços competitivos para alimentação animal .
"Carne bovina cada vez mais vai ser produzida no hemisfério sul", afirmou Queiroz . O Brasil responde por aproximadamente 57% da receita da Minerva, seguido por Paraguai e Uruguai (cerca de 11% cada) e Argentina (9%) . A operação argentina deve ganhar peso e poderá disputar a posição de segundo maior mercado da companhia em 2027 .
A mudança de estratégia da Minerva reflete um momento de cautela no setor frigorífico. Com juros altos e custo de capital elevado, as empresas estão priorizando a geração de caixa e a redução de dívidas em vez de expansão. Isso pode significar menos competição por aquisições de plantas frigoríficas, mas também menos investimentos em novas capacidades.
Para o produtor de carne bovina, o cenário de oferta global pressionada (com retenção de matrizes no Brasil, Argentina e Paraguai) e demanda resistente pode manter os preços da arroba em patamares favoráveis. A diversificação geográfica da Minerva também mostra a importância de estar atento a diferentes mercados, como China, Estados Unidos e União Europeia, cada um com suas regras e oportunidades.
🔧 Orientações para o produtor:
1. Acompanhe o ciclo pecuário: com retenção de matrizes em vários países, a oferta de animais para abate deve permanecer restrita no curto prazo, sustentando os preços.
2. Fique atento aos mercados internacionais: mudanças nas regras de acesso à China e tarifas dos EUA afetam a demanda e os preços da carne. Diversifique seus canais de venda sempre que possível.
3. Planeje a comercialização: com frigoríficos focados em desalavancagem e redução de estoques, as negociações podem ser mais pontuais. Acompanhe os preços e negocie com planejamento.
4. Monitore os custos: a expansão do etanol de milho tem gerado subprodutos mais baratos para alimentação animal, o que pode reduzir custos de engorda. Avalie essa alternativa na sua propriedade.
O movimento da Minerva é um sinal de que o setor frigorífico está se ajustando a um cenário de juros altos e volatilidade comercial. Para o produtor, o momento exige planejamento, monitoramento de mercados e gestão cuidadosa dos custos e da comercialização.