Verme avança no México, mas exportações são liberadas
A reabertura marca a primeira flexibilização de uma proibição imposta pelos EUA há mais de um ano para impedir a entrada da praga.
O México está intensificando sua campanha de contenção contra a mosca-da-bicheira (verme carniceiro) nos estados fronteiriços do norte, onde novos casos foram detectados. A medida aumenta o escrutínio sobre as exportações de gado, que foram retomadas nesta segunda-feira (24) sob um acordo de reabertura parcial dos Estados Unidos.
A reabertura marca a primeira flexibilização de uma proibição imposta pelos EUA há mais de um ano para impedir a entrada da praga. As importações foram retomadas inicialmente pelo porto de Douglas, no Arizona, com um protocolo baseado em salvaguardas científicas acordado entre os dois países.
Estratégia de contenção e planos de expansão
O secretário de Agricultura mexicano, Columba Lopez, afirmou que as autoridades reforçarão a dispersão de moscas estéreis em Sonora e Chihuahua – uma estratégia fundamental de erradicação que impede a reprodução do parasita. A técnica funciona liberando milhões de moscas esterilizadas que acasalam com fêmeas selvagens, mas não produzem descendentes, reduzindo gradualmente a população da praga.
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, declarou que o Departamento de Agricultura americano (USDA) tomou "todas as medidas para proteger o rebanho americano e o consumidor americano" e, por isso, autorizou a reabertura gradual dos portos. O USDA planeja abrir mais dois portos no Novo México – um em 30 dias e outro em 60 dias – mas não prevê abrir portos no Texas "tão cedo, porque é lá que está a verdadeira atividade" da praga.
Novos casos no México
A situação, no entanto, exige atenção. Chihuahua, um dos estados exportadores de gado mais importantes do México, relatou 183 casos confirmados de bicheira desde que detectou seu primeiro caso em julho. O estado vizinho de Sonora relatou dois casos confirmados após anunciar sua primeira detecção na semana passada. Ambos ativaram protocolos de vigilância e contenção de emergência.
Do lado americano, o USDA identificou 46 casos de bicheira no Novo México e no Texas, com dois atualmente ativos, de acordo com o site da agência.
O plano de reabertura, no entanto, enfrenta críticas de alguns grupos de gado e autoridades estaduais dos EUA, que argumentam que a retomada das importações pode aumentar os riscos de disseminação da praga, mesmo com os protocolos adotados.
Números e projeções para o comércio
A reabertura começará com exportações de 700 cabeças de gado por dia durante a primeira semana, aumentando para 900 por dia na segunda semana e subindo gradualmente para cerca de 1.300 por dia, de acordo com a Confederação Nacional de Organizações Pecuárias do México (CNOG).
Se novas passagens de fronteira para Chihuahua forem reabertas no quarto trimestre, o México poderá exportar até 200 mil cabeças de gado em 2026, com valor estimado de US$ 420 milhões (aos preços de mercado dos EUA). Para 2027, o cenário projeta exportações de 1,09 milhão de cabeças, avaliadas em cerca de US$ 2,1 bilhões.
A abertura dos portos pode ser interrompida se o USDA identificar um risco aumentado em Sonora ou Chihuahua por meio de auditorias pós-abertura ou outras informações.
Embora o foco seja a fronteira México-EUA, o movimento tem reflexos no mercado global de carne. O México é um importante exportador de gado para os EUA, e uma retomada gradual das exportações pode aumentar a oferta de carne no mercado americano, influenciando os preços internacionais.
Para o produtor brasileiro, isso significa que é importante monitorar:
- Preços internacionais da carne bovina: se as exportações mexicanas crescerem, a oferta nos EUA aumenta, o que pode pressionar os preços para baixo e afetar a competitividade da carne brasileira.
- Demanda por carne: com mais oferta no mercado americano, o Brasil pode precisar buscar outros mercados compradores, como a China e a União Europeia, para escoar sua produção.
- Custos logísticos e sanitários: a exigência de protocolos mais rigorosos pode elevar os custos de produção e exportação para todos os países exportadores.
🔧 Orientações:
1. Acompanhe o mercado internacional de carne: fique de olho nos preços da carne bovina nos EUA, na China e na Europa. A retomada das exportações mexicanas pode alterar o equilíbrio entre oferta e demanda global.
2. Mantenha a sanidade em dia: a bicheira é uma praga que também preocupa o Brasil. Reforce os cuidados com a saúde do rebanho, especialmente em regiões de fronteira ou com histórico de casos da praga.
3. Monitore as exportações mexicanas: se o México conseguir exportar grandes volumes em 2027, isso pode aumentar a concorrência no mercado internacional. Esteja preparado para ajustar sua estratégia de comercialização.
4. Diversifique os mercados: não dependa de um único comprador. Busque certificações que permitam exportar para diferentes países, reduzindo a vulnerabilidade a choques regionais.
5. Fique atento às exigências sanitárias: cada país tem suas regras. Esteja sempre em dia com as exigências do Ministério da Agricultura e dos órgãos internacionais para evitar barreiras comerciais.
A reabertura da fronteira México-EUA mostra que o comércio internacional de carne é dinâmico e sujeito a mudanças rápidas. Estar bem informado e planejado é a melhor forma de aproveitar oportunidades e evitar surpresas.
Fonte: Reuters.