Agricultura

Bioinsumos avançam e reduzem uso de defensivos em até 81%

Mercado de produtos biológicos cresce 15% em área tratada e movimenta R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2026

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O mercado brasileiro de bioinsumos iniciou 2026 em forte expansão. Entre janeiro e abril, a tecnologia alcançou 31 milhões de hectares tratados, um crescimento de 15% em comparação com o mesmo período de 2025. Em valor de mercado, o segmento movimentou R$ 1,3 bilhão no primeiro quadrimestre, avanço de aproximadamente 5% na mesma base de comparação .

Os dados fazem parte da atualização mensal do CropData, divulgada pela CropLife Brasil, e reforçam o avanço dos produtos biológicos como ferramenta estratégica para aumentar a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade da agricultura brasileira .

Resultados práticos no campo

A adoção de bioinsumos já entrega resultados expressivos em propriedades rurais. O Grupo Roncador, que iniciou a utilização de biodefensivos em 2019, adotou um modelo denominado "soja inteligente" em toda a área cultivada. A estratégia combina defensivos químicos e biológicos, considerando o nível de pressão de pragas e doenças registrado em cada ciclo .

O sistema permitiu reduzir em 81% o uso de ingredientes ativos por hectare em uma das duas últimas safras. No ciclo seguinte, a diminuição foi de 68%, diferença atribuída às condições fitossanitárias e à maior pressão de pragas .

Além dos biodefensivos, o Grupo Roncador utiliza pó de rocha, remineralizadores e matéria orgânica para melhorar a fertilidade e reduzir a dependência de fertilizantes solúveis. A combinação entre composto orgânico e um remineralizador desenvolvido na própria fazenda já permite substituir integralmente o fertilizante químico em determinadas áreas .

Números do setor e novos registros

A expansão do setor também é evidenciada pelo aumento no número de registros de produtos biológicos. Somente no primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 53 produtos biológicos ativos registrados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) — volume quase três vezes superior ao observado em março deste ano . Do total, 39 são produtos à base de agentes microbiológicos, oito utilizam agentes macrobiológicos e seis são classificados como bioquímicos .

A ampliação do portfólio acompanha a entrada de novas soluções destinadas ao manejo de pragas, doenças e à melhoria da eficiência nutricional das plantas .

BNDES lança chamada com R$ 40 milhões para bioinsumos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também está impulsionando o setor. Por meio do segundo ciclo da iniciativa BNDES Bioinsumos, o banco disponibiliza R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis para apoiar a produção de bioinsumos por cooperativas e associações de agricultores familiares .

Os recursos poderão ser destinados à implantação ou estruturação de unidades de produção industriais ou semi-industriais de bioinsumos para uso próprio, utilizando processos de biotecnologia. Entre as categorias apoiáveis estão inoculantes, bioestimulantes, microrganismos para controle de pragas e diferentes tipos de biofertilizantes . As inscrições se encerram no dia 31 de agosto.

O sistema adotado pelo Grupo Roncador mostra que a transição para bioinsumos não exige necessariamente a retirada imediata dos produtos químicos. A propriedade utiliza as diferentes ferramentas de maneira complementar, ajustando o controle fitossanitário às necessidades de cada talhão . Essa abordagem permite manter os produtos convencionais disponíveis para situações de maior pressão de pragas e ampliar o uso dos biológicos quando as condições são favoráveis.

O processo, no entanto, exige monitoramento constante e decisões baseadas no comportamento da lavoura. Horário de aplicação, qualidade da água, temperatura, umidade, compatibilidade entre produtos e condições de armazenamento estão entre os fatores que podem interferir na eficiência dos bioinsumos .

🔧 Orientações para o produtor:

1. Comece com um piloto: se você ainda não usa bioinsumos, comece testando em uma área menor para avaliar os resultados e ajustar o manejo antes de expandir.

2. Integre, não substitua: a experiência mostra que a transição gradual, combinando produtos químicos e biológicos, é uma estratégia eficaz e com menor risco.

3. Monitore as condições de aplicação: fatores como horário, temperatura, umidade e qualidade da água influenciam diretamente a eficácia dos bioinsumos.

4. Conheça as linhas de fomento: cooperativas e associações de agricultores familiares podem acessar recursos do BNDES Bioinsumos para estruturar a produção própria.

5. Fique atento aos lançamentos: com 53 novos registros de produtos biológicos no primeiro semestre, o portfólio disponível está se ampliando, oferecendo mais opções para o manejo integrado de pragas.

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