Agricultura

Demanda por fertilizantes cai 7,6% em 2026 com custos em alta

Produtor reduz aplicação de fósforo e atrasa compras; cenário exige planejamento e decisões por nutriente

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O mercado brasileiro de fertilizantes atravessa um ano atípico. A demanda deve fechar 2026 em 45,3 milhões de toneladas, uma queda de 7,6% em relação ao recorde de 49 milhões registrado em 2025, segundo estimativa da consultoria Agroconsult .

A redução é puxada principalmente pelos cultivos de soja, milho e trigo, com tendência de estabilidade no algodão e no café. A retração deve-se tanto à queda na importação quanto na produção nacional de fertilizantes, além do atraso nas compras por parte dos produtores .

O presidente da Agroconsult, André Pessôa, classificou a temporada como uma "safra Mounjaro", em referência ao medicamento para perda de peso, para ilustrar a redução no volume de fertilizantes aplicado nas lavouras .

Produtores reduzem doses e atrasam compras

Os produtores vêm reduzindo as doses de aplicação de fósforo, apesar de as lavouras registrarem níveis recordes de extração do nutriente. Segundo a Agroconsult, esses cortes foram realizados sem comprometer as recomendações agronômicas, mas a avaliação indica que parte dos produtores ajustou o manejo nutricional para reduzir custos diante da piora da rentabilidade das últimas safras .

No acumulado de janeiro a agosto, as importações brasileiras de ureia caíram 25% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as compras de nitrato de amônio recuaram 33%, segundo a StoneX .

O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, pondera que, se por um lado as relações de troca estão próximas de níveis históricos, por outro, as compras seguem atrasadas em relação a anos anteriores. "Isso sugere que, para recuperar os mesmos níveis de nitrogenados importados no ano passado, o Brasil terá de acelerar as compras e avançar na recomposição de estoques" .

Cada nutriente em um momento

O cenário de fim de agosto não aponta para uma estratégia única de compra. Cada nutriente tem sua própria dinâmica, segundo a Biond Agro:

- Ureia: acumulou alta de US$ 80 a US$ 90 por tonelada em julho e chegou a agosto entre US$ 480 e US$ 500 por tonelada no mercado brasileiro. A abertura de nova cota chinesa de exportação pode trazer correção no curto prazo .

- Fosfatados: MAP recuou para a faixa de US$ 850 a US$ 870 por tonelada CFR Brasil, com maior oferta disponível no país. A oferta de enxofre permanece limitada, e a orientação é não esperar por uma queda muito maior antes de decidir .

- Potássio: cloreto de potássio segue mais estável, entre US$ 385 e US$ 400 por tonelada CFR Brasil, com cerca de 95% das compras destinadas à soja já realizadas .

Custo de produção pressionado

O custo de produção da soja para a safra 2026/27 em Mato Grosso já é o maior da última década. Levantamento da Agrinvest Commodities aponta que o custo supera em 5,7 sacas por hectare a média dos últimos sete anos .

Segundo o Imea, o custeio da soja em Mato Grosso chegou a R$ 4.435,40 por hectare em março, com alta de 6,98% no mês. Os fertilizantes responderam por 46,71% do custo total, com alta de 10,77% .

Exemplo prático para o produtor

Se você ainda não fechou todas as compras para a safra, o cenário exige decisões diferentes para cada insumo. No caso do fósforo, a janela de entrega para a soja está próxima do fim, e a recomendação é avançar parcialmente nas compras, aproveitando a acomodação dos preços sem assumir que todo o movimento de baixa já terminou . No nitrogênio, ainda pode haver espaço para esperar uma correção .

🔧 Orientações para o produtor:

1. Decida por nutriente: não trate todos os fertilizantes da mesma forma. No nitrogênio, avalie esperar por correção; no fósforo, avance parcialmente; no potássio, mantenha-se atento à disponibilidade.

2. Acompanhe a janela de entrega: a proximidade do plantio da soja exige decisões rápidas para o fósforo, enquanto o milho safrinha 2027 ainda tem janela mais longa.

3. Monitore as importações: com as importações de ureia 25% abaixo do ano passado, uma recuperação da demanda pode pressionar os preços para cima no curto prazo .

4. Avalie a redução de doses com critério: a redução na adubação fosfatada precisa ser avaliada caso a caso, considerando o histórico de fertilidade e os teores residuais de fósforo no solo.

5. Planeje o fluxo de caixa: com crédito mais restrito e juros elevados, a compra antecipada com planejamento financeiro pode fazer a diferença na rentabilidade da safra.

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