Pecuária

Trump libera importação de 300 mil toneladas de carne para baixar preços nos EUA

Os preços de itens básicos como carne bovina, ovos e gasolina têm um papel desproporcional na percepção dos consumidores sobre a inflação.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) uma medida para tentar reduzir os preços da carne bovina no mercado americano. Segundo uma publicação do presidente nas redes sociais, os EUA vão permitir, nos próximos 90 dias, a importação de até 300 mil toneladas métricas de carne moída sem a aplicação de tarifa fora da cota.

“Hoje, fechei um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, afirmou Trump. O presidente também disse que a carne importada será vendida a um preço 25% inferior aos valores atuais de mercado.

A medida é uma tentativa de aliviar a pressão sobre o bolso do consumidor americano às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. As pesquisas mostram que o Partido Republicano enfrenta uma batalha difícil para manter o controle do Congresso, com os eleitores insatisfeitos com a forma como o presidente tem lidado com a economia e com a guerra contra o Irã.

Os preços de itens básicos como carne bovina, ovos e gasolina têm um papel desproporcional na percepção dos consumidores sobre a inflação. E a carne moída, um dos produtos mais sensíveis ao orçamento familiar, está no centro das preocupações.

Segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, o preço médio da carne moída em julho foi de US7,116porlibra(cercadeUS7,116porlibra(cercadeUS 15,67 por quilo). Embora esse valor ainda esteja próximo de uma alta recorde, o aumento de 9,4% em relação a julho de 2025 representa o menor salto anual em 17 meses — um sinal de que a pressão sobre os preços pode estar começando a ceder.

Imagine que você é um consumidor americano que vai ao supermercado para comprar carne moída. Há alguns meses, o preço da libra estava próximo de US7,50.Comanovamedida,aexpectativaeˊqueessevalorcaiaparacercadeUS7,50.Comanovamedida,aexpectativaeˊqueessevalorcaiaparacercadeUS 5,60, uma redução significativa. Isso significa que uma família que compra 5 libras de carne por semana pode economizar quase US10porsemana—oumaisdeUS10porsemanaoumaisdeUS 40 por mês. Num cenário de inflação alta, essa economia faz diferença.

O que está por trás da medida?

A decisão de Trump não é isolada. Ela se soma a outras ações já tomadas para amenizar os problemas de abastecimento no mercado de carne bovina dos EUA, como a importação de carne de países como a Argentina e a tentativa de retomar os embarques de gado vivo do México.

A medida também reflete a escassez de oferta interna. O rebanho bovino dos EUA está no menor nível em mais de cinco décadas, o que mantém os preços elevados mesmo com a demanda mais fraca observada nos últimos meses.

Trump não forneceu detalhes sobre a origem das 300 mil toneladas que serão importadas. A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

O anúncio de Trump é relevante para o produtor brasileiro por vários motivos:

  1. Pressão sobre os preços internacionais: com mais carne entrando no mercado americano, a tendência é de queda nos preços internacionais da carne bovina. Isso pode afetar as exportações brasileiras e as cotações no mercado doméstico.

  2. Concorrência no mercado global: se os EUA aumentarem as importações da Argentina, isso pode fortalecer a posição do país vizinho como concorrente direto do Brasil em outros mercados.

  3. Dólar e câmbio: a medida pode impactar o câmbio e, consequentemente, a competitividade das exportações brasileiras. Fique atento às movimentações do dólar.

  4. Oportunidades: se os EUA abrirem mais espaço para importações, o Brasil pode se beneficiar, desde que ofereça preços competitivos e qualidade.

🔧 Orientações:

Para o pecuarista brasileiro, esse cenário exige atenção e planejamento:

  1. Acompanhe os preços internacionais: a entrada de 300 mil toneladas de carne nos EUA pode pressionar as cotações globais. Fique de olho nos preços do boi gordo no Brasil e nos contratos futuros em Chicago.

  2. Revise seus custos: com a possibilidade de preços mais baixos, manter a eficiência na produção é essencial para garantir margem. Avalie sua dieta, manejo sanitário e custos operacionais.

  3. Diversifique os mercados: se os EUA reduzirem as compras externas ou pressionarem os preços, considere outros destinos para sua carne, como Ásia e Oriente Médio.

  4. Negocie com antecedência: se você exporta ou vende para frigoríficos que exportam, tente fechar contratos com prazos mais longos para se proteger da volatilidade.

  5. Fique de olho na política americana: a medida de Trump é claramente eleitoreira. O que acontecer nas eleições de novembro pode mudar radicalmente as regras do jogo.

O mercado de carne bovina é global e interconectado. O que acontece nos EUA afeta o preço do boi no Brasil. Informação e planejamento são as melhores ferramentas para tomar a decisão certa.

Fonte: Bloomberg.

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