Boi gordo sobe e aperta margens da cadeia pecuária
O cenário, porém, não representa ganho de margem para todos os elos.
A cadeia pecuária brasileira chega ao fim de setembro em um movimento de altas sequenciais, após a volatilidade registrada em agosto. Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização ocorre em um cenário de menor oferta de animais prontos para abate durante a entressafra e de melhora nas exportações em relação ao mês anterior.
Outro fator observado pelo mercado é a expectativa de retomada das compras chinesas de carne bovina, o que aumenta a atenção sobre a demanda externa e pode influenciar a formação de preços ao longo da cadeia.
O cenário, porém, não representa ganho de margem para todos os elos. A reposição de animais segue cara, pressionando recriadores e terminadores que precisam comprar animais para dar continuidade ao ciclo produtivo.
Na indústria, o espaço também permanece limitado. De acordo com o Cepea, a valorização da carcaça está abaixo da alta observada no boi gordo, reduzindo a capacidade de absorção do aumento dos custos e dificultando o repasse integral da valorização da matéria-prima para a carne.
Na prática, a disputa por margem acontece em toda a cadeia. Para o pecuarista, o preço recebido pelo boi precisa ser analisado junto ao custo de reposição e à relação de troca. Já para a indústria, a capacidade de repassar custos e sustentar a demanda por carne passa a ser determinante.
Esse cenário aumenta a importância da eficiência produtiva e da gestão da relação de troca. Em períodos de reposição valorizada, decisões de compra e venda podem ter impacto significativo sobre a rentabilidade do sistema, principalmente para quem trabalha com recria e terminação.
Mais do que acompanhar apenas a cotação do boi gordo, o produtor deve observar simultaneamente o preço da reposição, a relação de troca e o comportamento da demanda por carne. É essa combinação que ajuda a determinar a margem real da atividade.
Fonte: Cepea