Agricultura

Sirfídeos ajudam a controlar pulgão no sorgo

O principal alvo encontrado foi o pulgão Melanaphis sorghi, que apresentou maior ocorrência durante o estágio vegetativo das plantas.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Pesquisa conduzida em lavouras de sorgo forrageiro em Minas Gerais mostrou que a presença de inimigos naturais pode ajudar a reduzir populações do pulgão-do-sorgo, uma das principais pragas observadas na cultura. Nas áreas sem aplicação de inseticidas, a biodiversidade se manteve mais equilibrada e favoreceu o controle biológico natural, especialmente pela atuação de insetos da família Syrphidae, conhecidos como sirfídeos ou moscas-das-flores.

O estudo foi liderado pela Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com pesquisadores e doutorandos da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e da Universidade Federal de Lavras (Ufla). As avaliações foram realizadas durante duas safras diretamente em lavouras destinadas à produção de sorgo forrageiro, com amostragens semanais e comparação entre áreas com e sem tratamento com inseticidas.

O principal alvo encontrado foi o pulgão Melanaphis sorghi, que apresentou maior ocorrência durante o estágio vegetativo das plantas. A população da praga apresentou correlação positiva com as larvas de sirfídeos, importantes predadores naturais do pulgão. Joaninhas, da família Coccinellidae, também contribuíram para reduzir as populações de pulgões no campo.

Chuva também interfere na população do pulgão

Além dos inimigos naturais, o clima teve papel importante na dinâmica da praga. Segundo a pesquisadora Simone Mendes, da Embrapa, a temperatura, a umidade relativa e, principalmente, a precipitação influenciam a mortalidade natural dos pulgões.

Nos períodos de maior ocorrência de chuvas, a população de pulgões no campo foi reduzida. O estudo também observou mudanças na presença do pulgão-do-milho Rhophalosiphum maidis entre as duas safras avaliadas, associadas ao maior volume de precipitação registrado no segundo ano.

A relação entre clima e população de pragas mostra por que o monitoramento não deve considerar apenas a presença do inseto. As condições ambientais e a atuação dos inimigos naturais também ajudam a determinar se uma população tem potencial para crescer e causar prejuízos.

Inseticida pode afetar o controle natural

Um dos principais alertas da pesquisa está relacionado ao uso de inseticidas. Nas áreas que não receberam intervenção química, a comunidade de insetos apresentou maior equilíbrio, favorecendo a atuação dos agentes de controle biológico.

Isso não significa que o produtor deva simplesmente deixar de utilizar inseticidas. A recomendação apontada pela pesquisa é trabalhar dentro de uma estratégia de manejo integrado de pragas, considerando a necessidade de intervenção e a seletividade dos produtos.

De acordo com Simone Mendes, quando o controle químico for necessário, a utilização correta de inseticidas seletivos às joaninhas e aos sirfídeos pode ajudar a preservar esses inimigos naturais. A manutenção desses organismos contribui para manter os insetos-praga abaixo de níveis economicamente prejudiciais.

Pulgão pode passar despercebido na lavoura

O monitoramento do Melanaphis sorghi exige atenção porque o inseto costuma ficar na parte inferior das folhas e nas folhas mais baixas da planta. Essa localização dificulta a identificação da infestação no início.

Quando a população aumenta, os pulgões produzem uma substância açucarada conhecida como melada. Sobre essa substância pode se desenvolver a fumagina, um fungo que forma uma camada escura sobre as folhas.

O problema vai além da aparência da planta. A camada formada pela fumagina reduz a fotossíntese e pode comprometer a qualidade da silagem produzida com o sorgo.

Por isso, esperar que a infestação fique evidente para começar o controle pode significar perder justamente a janela em que a população ainda pode ser manejada com maior eficiência.

Sorgo-selvagem merece atenção na entressafra

Outro ponto levantado pelos pesquisadores envolve a presença de plantas hospedeiras no período entre safras. Estudos recentes indicaram que milho e milheto não são hospedeiros importantes para Melanaphis sorghi.

O capim-massambará, também conhecido como sorgo-selvagem, porém, deve ser monitorado. Segundo Douglas Santos, doutorando da UFSJ, essa planta pode funcionar como reservatório do pulgão e contribuir para sua permanência no ambiente durante a entressafra.

Essa informação reforça a necessidade de olhar para além do talhão cultivado. A vegetação existente nas áreas próximas pode interferir na dinâmica de determinadas pragas e deve fazer parte da avaliação do sistema de produção.

O que muda para o produtor de sorgo?

O resultado da pesquisa reforça que o controle de pragas não depende apenas da aplicação de inseticidas. No caso do sorgo forrageiro, chuva, inimigos naturais, plantas hospedeiras e manejo químico podem atuar simultaneamente sobre a população do pulgão.

A proposta do manejo integrado de pragas é justamente considerar esses diferentes fatores antes de tomar a decisão de controle. Identificar a praga, acompanhar sua evolução e observar a presença de predadores pode evitar aplicações desnecessárias e preservar organismos que já estão trabalhando dentro da lavoura.

Os resultados foram publicados em dois trabalhos científicos. Um deles, Ecological dynamics of Melanaphis sorghi in forage sorghum: effects of climate, predators, and insecticide use, foi publicado na Revista Brasileira de Entomologia. O segundo, Biological performance of Melanaphis sorghi (Theobald, 1904) (Hemiptera: Aphididae) on different host plants, foi publicado no periódico Phytoparasitica Journal.

🔧 Orientação: No sorgo forrageiro, não espere a infestação ficar evidente para começar o monitoramento. Observe principalmente as folhas mais baixas e a parte inferior das folhas, registre a evolução da população e procure identificar joaninhas e larvas de sirfídeos antes de decidir pelo controle químico. Quando a aplicação for necessária, a escolha de produtos seletivos aos inimigos naturais pode ajudar a preservar o controle biológico que já ocorre naturalmente na lavoura.

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo; Revista Brasileira de Entomologia; Phytoparasitica Journal.

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