Pecuária

Trump quer liberar produtores a processar própria carne nos EUA

Presidente americana anuncia medida para quebrar concentração no setor; indústria alerta para riscos à segurança alimentar.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (28) que está preparando uma ordem legal para permitir que agricultores e pecuaristas processem seus próprios alimentos, com o objetivo de quebrar o que ele chamou de "um monopólio desagradável" entre os principais processadores do país. A declaração foi feita em sua rede social Truth Social, mas Trump não mencionou um setor específico.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, complementou a informação, afirmando que "grandes anúncios" relacionados ao processamento de carne bovina serão feitos a partir de segunda-feira. Entre as medidas, estão a expansão da capacidade dos fazendeiros de vender entre estados, maior apoio a processadores menores e a revogação de "orientações desatualizadas".

Concentração no setor e impacto para os produtores

Atualmente, quatro empresas controlam cerca de 85% do processamento de carne nos EUA: Cargill, Tyson Foods, JBS USA e National Beef Packing. Essa concentração tem sido alvo de críticas de grupos de produtores há anos, que argumentam que a falta de competição reduz os preços pagos pelo gado e aumenta os custos de transporte para plantas inspecionadas pelo USDA.

As leis federais de segurança alimentar, em geral, proíbem os fazendeiros de vender carne de animais que eles próprios abateram e processaram, com algumas exceções. A proposta de Trump visa flexibilizar essa regra, permitindo que produtores processem e comercializem sua própria carne.

Reações e alertas da indústria

O Meat Institute, que representa as empresas frigoríficas, manifestou preocupação com a proposta. "Permitir que carne não inspecionada seja vendida a consumidores desavisados é uma abordagem errada e corre o risco de minar a reputação deste país de produzir os produtos de carne mais seguros do mundo", afirmou o grupo.

A National Cattlemen's Beef Association, que representa os pecuaristas, disse apoiar a criação de mais oportunidades para pequenos processadores e a eliminação de regulamentações desnecessárias, mas alertou contra o enfraquecimento dos padrões de inspeção de carne.

David Anderson, economista agrícola da Texas A&M University, avaliou que o impacto da medida seria limitado. "Os números seriam muito pequenos. Isso realmente não muda em nada o mercado mais amplo", disse sobre o abate na fazenda.

Contexto político e econômico

A medida ocorre em um momento em que os consumidores americanos enfrentam o aumento dos preços dos alimentos, às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro. O setor de processamento de carne enfrenta um mínimo de 75 anos na oferta, com custos do gado superando os ganhos decorrentes do aumento dos preços.

Na semana passada, Trump já havia anunciado a importação de mais carne moída sem tarifas. O Departamento de Justiça também investiga se as empresas frigoríficas estariam aumentando ilegalmente os preços da carne bovina ao consumidor.

Embora a medida seja direcionada ao mercado americano, ela reflete uma tendência global de questionamento da concentração no setor de processamento de carnes. Para o produtor brasileiro, isso pode significar um ambiente internacional com mais opções de comercialização, especialmente se os EUA aumentarem a importação de carne (como já sinalizado) ou incentivarem a desconcentração da indústria.

No entanto, é importante ficar atento às exigências sanitárias e de rastreabilidade, que tendem a se tornar mais rigorosas em mercados como o americano e o europeu.

🔧 Orientações:

1. Fique atento às mudanças regulatórias: se você exporta carne para os EUA, acompanhe as novas regras que possam afetar o acesso ao mercado americano.

2. Mantenha altos padrões sanitários: a segurança alimentar é um diferencial competitivo em mercados internacionais. Invista em rastreabilidade e boas práticas de produção.

3. Aproveite oportunidades de diversificação: se os EUA aumentarem as importações, pode ser uma janela para o produtor brasileiro ampliar suas vendas.

4. Monitore os preços internacionais: a oferta e demanda de carne nos EUA influenciam os preços globais. Fique de olho nas cotações para planejar suas vendas.

O movimento de Trump mostra que a concentração no setor de processamento de carnes está sendo questionada, e isso pode trazer tanto oportunidades quanto desafios para os produtores brasileiros. Estar bem informado é a melhor ferramenta para tomar decisões estratégicas.

Fonte: Reuters.

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