Preços do frango podem ter encontrado o piso
Apesar disso, o setor ainda enfrenta alguns desafios.
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Exportações sustentam recuperação das proteínas
O mercado brasileiro de proteínas animais dá sinais de recuperação após um início de ano mais desafiador. Segundo análise divulgada pelo banco J.P. Morgan com base em dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os preços do frango podem já ter atingido o piso e devem apresentar recuperação gradual nos próximos meses, impulsionados principalmente pelo desempenho das exportações.
O Brasil segue como líder mundial no comércio internacional de carne de frango, respondendo por cerca de 37% das exportações globais. Após um período de enfraquecimento da demanda doméstica no final de 2025, marcado pelo maior endividamento das famílias e menor consumo, o setor ajustou a oferta interna e ampliou os embarques para o mercado externo.
Os números confirmam essa tendência. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações brasileiras de carne de frango cresceram 4,3% em volume e 6,1% em receita na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para 2026, a expectativa da ABPA é que os embarques alcancem 5,5 milhões de toneladas, avanço de 3,3%.
Mesmo com a redução das compras pelos Emirados Árabes Unidos, um dos principais destinos da proteína brasileira no Oriente Médio, mercados como Japão, África do Sul, União Europeia e Filipinas ampliaram suas aquisições, ajudando a sustentar o desempenho do setor.
A produção nacional de carne de frango também deve avançar, podendo atingir até 15,6 milhões de toneladas neste ano, crescimento estimado em 2%.
Outro fator que contribui para um cenário mais equilibrado é a estabilidade dos custos de produção. Milho e farelo de soja, que representam mais de 70% das despesas na criação de aves, seguem com boa oferta no mercado, reduzindo pressões sobre as margens dos produtores e das agroindústrias.
Apesar disso, o setor ainda enfrenta alguns desafios. A valorização do real frente ao dólar reduz parte da competitividade das exportações brasileiras, enquanto fatores geopolíticos continuam exigindo atenção, especialmente no Oriente Médio, região que respondeu por 26% das exportações de carne de frango do Brasil entre janeiro e abril deste ano.
Na suinocultura, o cenário é ainda mais promissor. O J.P. Morgan avalia que a carne suína possui um potencial de valorização mais evidente no curto prazo, principalmente devido à expectativa de ampliação do acesso ao mercado chinês.
A ABPA estima que o reconhecimento do Brasil pela China como país livre de febre aftosa sem vacinação poderá abrir novas oportunidades comerciais. Caso isso ocorra, aproximadamente 40 mil toneladas de produtos poderão ser redirecionadas para mercados de maior valor agregado, gerando potencial adicional de cerca de US$ 150 milhões em exportações.
O benefício seria especialmente relevante para cortes com osso e miúdos, segmentos nos quais o Brasil passaria a competir diretamente com fornecedores europeus no mercado chinês.
As projeções apontam para uma produção de carne suína próxima de 5,7 milhões de toneladas em 2026, enquanto as exportações podem alcançar 1,55 milhão de toneladas, crescimento de 2,6%. Somente nos quatro primeiros meses do ano, os embarques já avançaram 14,2% em volume e 14,1% em receita.
Mesmo com perspectivas positivas, o setor segue monitorando riscos sanitários globais. A gripe aviária já foi registrada em dezenas de países em 2026, enquanto a peste suína africana continua presente em importantes regiões produtoras. Questões logísticas e oscilações cambiais também permanecem no radar das cadeias de proteína animal.
O que isso significa para o produtor?
A combinação de exportações aquecidas, custos de alimentação mais estáveis e possível abertura de novos mercados cria um ambiente mais favorável para a avicultura e a suinocultura brasileiras. O mercado ainda exige cautela, mas os indicadores apontam para uma melhora gradual da rentabilidade ao longo dos próximos meses.
🔧 Orientação
Se você atua na produção de aves ou suínos, acompanhe de perto os custos de alimentação e os indicadores de exportação. Em um cenário de recuperação lenta dos preços, eficiência produtiva e gestão de custos continuam sendo os principais diferenciais para proteger as margens da atividade.
Fonte: Bloomberg.