Mato Grosso define fim gradual da lenha nativa nas usinas de etanol
O limite será de 50% até o final de 2030, passando para 40% em 2031, 30% em 2032, 10% em 2033 e chegando a zero em 2034.
O governo de Mato Grosso assinou um compromisso que prevê a eliminação do uso de lenha proveniente de florestas nativas desmatadas nas caldeiras de geração de energia até 2034. A medida atinge principalmente as usinas de etanol de milho, setor que vem registrando forte expansão no estado nos últimos anos.
A decisão ocorre após investigações sobre possíveis irregularidades relacionadas ao uso de madeira nativa para abastecer unidades agroindustriais. Atualmente, Mato Grosso concentra cerca de 10 usinas de etanol de milho em operação e possui novos projetos em fase de implantação, reforçando a necessidade de ampliar fontes energéticas consideradas mais sustentáveis.
Pelo cronograma estabelecido, o consumo de madeira nativa será reduzido gradualmente. O limite será de 50% até o final de 2030, passando para 40% em 2031, 30% em 2032, 10% em 2033 e chegando a zero em 2034.
Além da redução progressiva, o governo estadual deverá publicar, nos próximos 30 dias, um decreto para ampliar a área de florestas plantadas no estado. A meta é alcançar pelo menos 700 mil hectares de florestas cultivadas até 2040, criando uma fonte renovável de matéria-prima para abastecimento energético da agroindústria.
As empresas também serão notificadas em até 90 dias para apresentar medidas de adequação. Entre as exigências estão a comprovação da origem legal da madeira utilizada e a implementação de programas de plantio florestal entre 2027 e 2029, em volume compatível com o consumo das unidades industriais.
Na prática, a medida busca reduzir a pressão sobre as florestas nativas e estimular investimentos em florestas energéticas, que podem se tornar uma alternativa importante para o fornecimento de biomassa às usinas de etanol, secadores de grãos e outras atividades agroindustriais.
Para o produtor rural, especialmente aqueles que trabalham com sistemas florestais ou possuem áreas aptas para reflorestamento comercial, a mudança pode abrir novas oportunidades de mercado nos próximos anos, à medida que cresce a demanda por madeira de origem renovável e rastreada.
🔧 Orientação: Se você possui interesse em reflorestamento comercial, acompanhe as regulamentações estaduais e os programas de incentivo ao plantio florestal. A tendência é que a demanda por biomassa de origem legal e sustentável aumente significativamente na próxima década.
Fonte: Reuters.