Sustentabilidade

Embrapa cria modelo brasileiro para cálculo de carbono

De acordo com o pesquisador Luis Gustavo Barioni, da Embrapa Agricultura Digital, o foco do modelo é avaliar não apenas a quantidade de carbono armazenada, mas também a qualidade desse carbono...

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

A Embrapa está concluindo o desenvolvimento do ProCarbon-Soil (Procs), o primeiro modelo criado em região tropical para medir a dinâmica do carbono no solo e apoiar projetos de agricultura de carbono no Brasil. A ferramenta foi apresentada em artigo científico publicado no Soil Science Society of America Journal e promete facilitar a geração de créditos de carbono no campo, tornando os cálculos mais simples, transparentes e adaptados à realidade da agricultura brasileira.

A agricultura de carbono reúne práticas que ajudam a retirar dióxido de carbono da atmosfera e armazená-lo no solo, como o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de sistemas conservacionistas. O desafio sempre foi medir com precisão quanto carbono está sendo acumulado nas áreas produtivas.

Segundo a Embrapa, os modelos utilizados atualmente pelo mercado internacional foram desenvolvidos em países de clima temperado e nem sempre representam corretamente as condições dos solos tropicais. O Procs surge justamente para preencher essa lacuna.

A principal inovação do modelo está na simplicidade. Enquanto sistemas tradicionais utilizam entre quatro e oito variáveis e até 20 parâmetros diferentes para calcular a dinâmica do carbono, o ProCarbon-Soil trabalha com apenas duas informações mensuráveis: o estoque total de carbono presente no solo e o grau de estabilidade desse carbono.

Para construir o modelo, os pesquisadores utilizaram uma ampla base de dados. Foram analisadas informações geradas por pesquisas da Embrapa e da Bayer, além de 4.290 amostras de solo provenientes de 370 estudos realizados em diferentes regiões do Brasil.

De acordo com o pesquisador Luis Gustavo Barioni, da Embrapa Agricultura Digital, o foco do modelo é avaliar não apenas a quantidade de carbono armazenada, mas também a qualidade desse carbono, ou seja, sua capacidade de permanecer estável no solo por mais tempo.

Os testes mostraram que o Procs apresenta resultados muito próximos aos obtidos por modelos internacionais amplamente utilizados pelo mercado. Em simulações de 50 anos, a diferença média entre os resultados foi considerada baixa e dentro dos padrões exigidos para certificação.

Além da precisão, o novo sistema poderá reduzir custos para produtores interessados em projetos de crédito de carbono. Atualmente, uma das formas de comprovar o sequestro de carbono exige coletas periódicas de solo, um processo caro, demorado e operacionalmente complexo. Com modelos reconhecidos pelas certificadoras, parte dessas medições pode ser substituída por simulações auditáveis.

Outro diferencial do ProCarbon-Soil é a possibilidade de integração com imagens de satélite, inteligência artificial e sistemas de assimilação de dados. Na prática, isso permitirá atualizações automáticas das estimativas, aumentando a confiabilidade dos resultados ao longo do tempo.

O próximo passo será buscar a validação do modelo junto à Verra, considerada a principal certificadora do mercado voluntário de carbono no mundo. O reconhecimento internacional é fundamental para que os cálculos realizados pelo Procs possam ser utilizados oficialmente em projetos de geração de créditos de carbono.

Para o produtor rural, a novidade pode representar uma ferramenta estratégica nos próximos anos. Com um sistema desenvolvido especificamente para as condições brasileiras, a tendência é ampliar a segurança técnica dos projetos de agricultura de carbono e abrir novas oportunidades de renda associadas à adoção de práticas conservacionistas.

🔧 Orientação prática: Se você utiliza plantio direto, rotação de culturas ou sistemas que aumentam a matéria orgânica do solo, vale acompanhar a evolução desse modelo. A mensuração mais precisa do carbono armazenado poderá ampliar as oportunidades de participação no mercado de créditos de carbono no futuro.

Fonte: Embrapa.

Assuntos relacionados

Mais de Sustentabilidade

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.