Pecuária

Cana com ureia: manejo seguro e eficiente

A cana com ureia pode elevar o teor de proteína da dieta para cerca de 10% a 11% de PB, melhorando o consumo e o desempenho dos animais.

Daniel Vilar
Especialista
1 min de leitura
Cana; ureia
Cana; ureia
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uso de ureia na cana-de-açúcar é uma prática comum para corrigir um ponto fraco desse volumoso: a baixa proteína. A cana é rica em energia, com cerca de 60% de NDT (nutrientes digestíveis totais), mas tem apenas 2% a 3% de proteína bruta (PB). Para o animal produzir bem, isso não é suficiente. Por isso, entra a ureia, que fornece nitrogênio para as bactérias do rúmen produzirem proteína. Quando bem feita, essa estratégia melhora o aproveitamento da cana e ajuda a manter a produção, principalmente na seca.

A mistura correta começa com a ureia associada a uma fonte de enxofre, geralmente o sulfato de amônio. A proporção é simples: 9 partes de ureia para 1 parte de sulfato de amônio.

Na prática, para um saco de 25 kg de ureia, você adiciona cerca de 2,8 kg de sulfato. Essa mistura deve ser bem homogênea e guardada em local seco, longe do alcance dos animais.

Na hora de fornecer, a dosagem padrão é 1% da matéria natural da cana. Ou seja, para cada 100 kg de cana picada, você usa 1 kg da mistura. Mas atenção: não comece direto nessa dose. É obrigatório fazer a adaptação dos animais, que pode durar até 4 semanas. Na primeira semana, use no máximo 0,5 kg da mistura para cada 100 kg de cana. Depois, aumente aos poucos até chegar ao 1%.

O preparo também faz diferença. A mistura de ureia com enxofre deve ser diluída em água — cerca de 4 litros para cada quilo da mistura — e bem mexida. Depois, aplique sobre a cana no cocho em duas etapas, misturando bem antes de liberar os animais. Isso evita que algum animal consuma ureia concentrada, o que pode causar intoxicação.

Um exemplo prático: se você tem vacas leiteiras de cerca de 500 kg e fornece cana com ureia mais mineral, sem concentrado, a produção pode ficar entre 5 a 7 litros de leite por dia. Para produções maiores, será necessário incluir ração concentrada, e nesse caso o uso de ureia na dieta total deve ser reavaliado para não exceder o limite seguro.

Alguns cuidados são essenciais no dia a dia.

Nunca forneça ureia para animais não ruminantes, como cavalos, e evite em bezerros muito jovens. Não deixe água acumulada em cochos ou próximos da mistura, pois a ureia pode se dissolver e ser ingerida em excesso. Se houver interrupção no fornecimento por dois dias ou mais, é necessário refazer a adaptação desde o início. Outro ponto importante é dar preferência à ureia pecuária, que tem maior pureza e controle de qualidade.

A cana com ureia pode elevar o teor de proteína da dieta para cerca de 10% a 11% de PB, melhorando o consumo e o desempenho dos animais. Ainda assim, é importante lembrar que a cana continua sendo pobre em minerais, principalmente fósforo, então a suplementação mineral deve estar sempre disponível.

A dica prática é antes de começar, pese a quantidade de cana fornecida por dia e calcule corretamente a mistura. Erro na dose de ureia é o principal risco dessa técnica. Medida certa e mistura bem feita garantem segurança e resultado no cocho.

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