Preço do leite se estabiliza, enquanto mercado sinaliza recuperação gradual
O comportamento dos preços variou entre as regiões.
O mercado brasileiro de leite entrou em um período de maior equilíbrio. Depois de meses de pressão sobre a rentabilidade dos produtores, o preço pago pelo litro de leite praticamente se manteve estável em maio, enquanto a disputa pela matéria-prima em algumas regiões e os baixos estoques da indústria aumentam as expectativas de novos reajustes positivos nos próximos meses.
Segundo o Boletim do Leite de julho de 2026, divulgado pelo Cepea/Esalq-USP, o valor médio pago ao produtor fechou maio em R$ 2,6617 por litro na chamada "Média Brasil", registrando leve queda de apenas 0,45% em relação a abril. Na comparação com maio de 2025, porém, o preço ainda está 3,8% menor, considerando os valores corrigidos pela inflação.
O comportamento dos preços variou entre as regiões. No Sudeste e no Centro-Oeste, a oferta mais restrita de leite manteve a concorrência entre os laticínios pela compra da matéria-prima. Já no Sul, o clima favorável, as boas pastagens de inverno e a recuperação da produção ampliaram a oferta, pressionando as cotações pagas ao produtor.
Outro fator que contribuiu para o cenário foi o ritmo da produção. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) teve pequena alta de 0,07% entre abril e maio, mas ainda acumula queda de 13,7% em 2026, indicando que a disponibilidade de leite segue abaixo dos níveis observados no início do ano.
Custos seguem controlados, mas alimentação do rebanho pesa
Os custos de produção também apresentaram estabilidade em junho. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou apenas 0,24% no mês e acumula alta de 2,04% no primeiro semestre. Apesar da queda nos preços do milho e do farelo de soja durante parte do período, a chegada da estação seca elevou a necessidade de suplementação alimentar do rebanho, sustentando os preços das rações e dos suplementos minerais.
Mesmo assim, o poder de compra do produtor melhorou. Em junho foram necessários 24,65 litros de leite para adquirir uma saca de 60 quilos de milho, resultado favorecido pela estabilidade no preço do leite e pela redução nas cotações do cereal.
Mercado de derivados continua desaquecido
No atacado paulista, os derivados apresentaram comportamentos diferentes. Enquanto o queijo muçarela e o leite em pó registraram pequenas altas de preço, o leite UHT recuou 3,07% em junho. Segundo o Cepea, o consumo permaneceu enfraquecido, principalmente devido à redução da demanda durante o período de férias escolares, o que limitou a recuperação do mercado.
Comércio exterior mantém déficit elevado
No mercado internacional, tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos diminuíram em junho. As compras externas recuaram 4,17%, enquanto as exportações caíram 22,75% frente a maio. Apesar dessa redução, o Brasil encerrou o mês com déficit de 212,3 milhões de litros em equivalente leite, reflexo do elevado volume importado de produtos lácteos.
Perspectiva é de leve valorização
A avaliação do Cepea é de que o mercado entrou em uma fase de maior equilíbrio. Os baixos estoques em parte das indústrias, aliados à continuidade da disputa pela matéria-prima em algumas regiões produtoras, devem manter a oferta mais restrita no curto prazo. Caso esse cenário permaneça, a expectativa dos agentes do setor é de novos reajustes positivos no preço pago ao produtor nos próximos meses, ainda que a demanda por derivados siga moderada.
Fonte: Boletim.