Ciclo pecuário vira e pecuarista segura fêmeas: preço do boi firme
Com retenção de matrizes e oferta restrita, arroba acumula alta de 9,8% em um ano; manejo e suplementação são estratégias para proteger o lucro.
A pecuária de corte brasileira entrou em uma nova fase. Depois de um período de liquidação de fêmeas, o movimento agora é de retenção de matrizes — o pecuarista está segurando as vacas no pasto para recompor o rebanho e se preparar para os próximos ciclos . Essa mudança já tem impacto direto no bolso: a oferta de animais para abate diminuiu, e o preço do boi gordo reagiu.
Em agosto, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ, referência em São Paulo, teve média de R$ 345,92 por arroba. Isso representa uma alta real de 3,1% na comparação com julho e de 9,8% frente a agosto de 2025 . Na primeira quinzena de agosto, a arroba chegou a R$ 347, e mesmo com uma pequena acomodação na segunda metade do mês, o mercado seguiu firme .
Por que os preços estão subindo?
A principal razão é a redução na oferta de animais prontos para o abate . Com a retenção de fêmeas, menos animais estão disponíveis para o frigorífico. Além disso, os pecuaristas, animados com a expectativa de preços ainda maiores, estão segurando os lotes, apostando em novas altas .
Esse cenário ganha força com a expectativa de um confinamento menor em 2026 em comparação com o ano passado, o que tende a reduzir ainda mais a entrada de animais terminados no mercado e limitar o espaço para quedas .
O que fazer para aproveitar essa fase?
O novo ciclo pecuário exige planejamento e gestão. As decisões tomadas agora terão impacto nos próximos anos.
1. Fique de olho na reposição: A retenção de fêmeas já está elevando o preço dos bezerros, que são a principal matéria-prima da recria. O planejamento de compra e venda se torna ainda mais estratégico .
2. Aposte em pastagem e suplementação: Com a possibilidade de um El Niño forte em 2026, as chuvas excessivas podem degradar pastagens e prejudicar o ganho de peso dos animais. A suplementação com silagem ou sal proteinado ajuda a evitar perdas de peso e manutenção da condição corporal . Em anos de El Niño, o gado pode perder até 0,5 kg por dia, o que representa um prejuízo significativo .
3. Invista em tecnologia: Propriedades que adotam pasto rotacionado e correção de solo alcançam lotações de até 8 cabeças por hectare, como mostram experiências de sucesso . A integração de árvores nas pastagens (ILPF) também melhora o bem-estar animal e reduz emissões .
4. Prepare a estrutura: Com a expectativa de receita mais previsível nos próximos anos, é o momento de planejar investimentos em reforma de pastagens, instalações e manejo. Quem se preparou na fase de baixa do ciclo terá vantagem .
🔧 Orientações:
1. Acompanhe a relação de troca: Calcule se o preço do boi gordo justifica a compra da reposição. Com a valorização dos bezerros, o custo de entrada sobe antes da plena valorização da arroba .
2. Elabore um planejamento forrageiro: Para enfrentar intempéries, garanta a diversificação de fontes de alimentação animal com silagem, feno e suplementação estratégica .
3. Documente a rastreabilidade: A conformidade socioambiental e a rastreabilidade integral serão requisitos obrigatórios para acessar os mercados premium e as linhas de financiamento .
4. Monitore o mercado e o clima: Os contratos futuros na B3 estão sendo negociados acima do mercado físico, indicando expectativa de preços firmes para o restante de 2026 . As previsões do El Niño também devem ser acompanhadas de perto para ajustar o manejo .