Pecuária

Novo câncer, transmissível por bagre, preocupa pesquisadores

A descoberta amplia o conhecimento sobre a saúde dos ecossistemas aquáticos e reforça a importância do monitoramento contínuo da fauna silvestre.

Redação Agriconline
Equipe editorial
4 min de leitura
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Um estudo publicado na revista científica Nature revelou a descoberta do primeiro câncer transmissível já identificado em peixes de água doce. A doença foi encontrada em bagres-marrons do Lago Memphremagog, localizado na divisa entre Estados Unidos e Canadá, e chamou a atenção dos pesquisadores por se espalhar de um peixe para outro por meio de células cancerígenas vivas. Até hoje, a ciência conhecia apenas outros três tipos de câncer com essa capacidade de transmissão.

Os primeiros casos surgiram em 2012, quando um pescador encontrou um bagre com manchas escuras espalhadas pela pele. Em menos de três anos, entre 25% e 40% dos bagres do lago já apresentavam a doença. Durante anos, os pesquisadores investigaram se o problema estava relacionado à poluição, vírus ou bactérias, mas as análises descartaram essas hipóteses.

A resposta veio após o sequenciamento genético dos tumores. Os cientistas descobriram que todas as células cancerígenas compartilhavam praticamente o mesmo material genético, independentemente do peixe infectado. Isso confirmou que o próprio câncer é o agente transmissor, formando uma linhagem única que passa de um animal para outro.

Os tumores aparecem principalmente na pele, na boca e nos barbilhões — estruturas sensoriais que ajudam o bagre a localizar alimento no fundo dos lagos. Embora a doença possa dificultar a alimentação, os pesquisadores afirmam que a população de peixes continua numerosa e que, até o momento, não há sinais de colapso da espécie no lago estudado.

O monitoramento também mostrou que o câncer já foi identificado em bagres de diferentes estados americanos. No entanto, ele ainda é raro em termos de ocorrência local. Na região monitorada pelos pesquisadores existem cerca de 90 lagos, mas a doença foi encontrada em apenas um deles. Esse resultado indica que o principal desafio do câncer não é sobreviver no peixe, mas conseguir chegar a novos ambientes.

Os cientistas acreditam que a atividade humana pode contribuir para essa disseminação, principalmente pelo transporte de peixes vivos, água ou equipamentos contaminados entre diferentes corpos d'água. Por isso, regras já existentes para evitar a propagação de espécies invasoras também podem ajudar a reduzir o risco de espalhar essa doença.

A descoberta amplia o conhecimento sobre a saúde dos ecossistemas aquáticos e reforça a importância do monitoramento contínuo da fauna silvestre. Além disso, mostra como ferramentas modernas, como análises genéticas e até imagens enviadas por pescadores em aplicativos de pesca, podem acelerar a identificação de novas doenças.

Para quem trabalha com pesca, aquicultura ou manejo de recursos hídricos, o estudo serve como um alerta. A prevenção continua sendo a melhor estratégia para proteger os ambientes aquáticos e evitar que problemas localizados se espalhem para outras regiões.

🔧 Orientação prática: Se você pratica pesca ou atua na piscicultura, evite transportar peixes vivos, água, iscas ou equipamentos sem higienização entre diferentes lagos e rios. Essa medida simples ajuda a reduzir a disseminação de doenças e também de espécies invasoras que podem causar prejuízos aos ecossistemas e à produção aquícola.

Fonte: Forbes.

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