Agricultura

Fretes de grãos seguem em alta

Apesar disso, o comportamento dos fretes variou entre os estados.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

O custo do transporte de grãos no Brasil continua acima do registrado no ano passado, mesmo com quedas pontuais em algumas regiões durante o mês de junho. Os dados são do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (28), e mostram que o bom desempenho da safra 2025/26 e o avanço das exportações seguem influenciando o mercado de fretes.

No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou 69,5 milhões de toneladas de soja, volume 7,12% superior ao registrado no mesmo período de 2025. As exportações de milho também cresceram, alcançando 7,9 milhões de toneladas, um aumento de 22,13% em relação ao ano anterior. Esse cenário ajudou a manter a demanda por transporte elevada em diversas regiões produtoras.

Apesar disso, o comportamento dos fretes variou entre os estados. Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, 72% das rotas monitoradas apresentaram redução nas cotações em comparação com maio, com oscilações que variaram entre queda de 8% e alta de 8%. Segundo a Conab, o ritmo menor de embarques da segunda safra de milho, aliado ao aumento da demanda interna pelo cereal e a percursos rodoviários mais curtos, contribuiu para esse movimento.

Em Mato Grosso do Sul, os preços permaneceram praticamente estáveis, sustentados pelos custos operacionais e pelo fluxo contínuo de cargas agrícolas. Já em Goiás e no Distrito Federal, predominou a queda dos fretes, favorecida pela redução no escoamento das safras de soja e milho e pela estabilidade dos preços do diesel em relação ao mês anterior.

Na Bahia, os fretes também recuaram ou permaneceram estáveis. Em algumas rotas com origem em Luís Eduardo Magalhães, importante polo produtor de grãos, os valores ficaram até 7% menores. A menor demanda após o pico da safra e o aumento da oferta de caminhões favoreceram a redução das tarifas.

Por outro lado, Maranhão, Piauí e Paraná registraram alta em parte das rotas monitoradas. Nesses estados, o avanço da colheita, o aumento das exportações e a maior procura por transporte impulsionaram os preços. No Paraná, por exemplo, o início da colheita da segunda safra de milho elevou a demanda por caminhões nas principais regiões produtoras.

O boletim também mostra que os portos do Arco Norte seguem ganhando importância na logística nacional. No primeiro semestre, eles responderam por 35,4% das exportações de milho e 39,1% dos embarques de soja, consolidando-se como alternativa aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Outro dado destacado pela Conab é a queda nas importações de fertilizantes. Até junho, o Brasil importou 18,31 milhões de toneladas, volume 5,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Para você, produtor rural, essas informações ajudam a entender o comportamento dos custos de transporte e a planejar melhor a comercialização da produção. Acompanhar o mercado de fretes e escolher o momento mais favorável para o escoamento pode reduzir despesas e melhorar a rentabilidade da safra.

🔧 Orientação: Antes de fechar contratos de transporte, acompanhe a evolução dos fretes na sua região e compare cotações entre transportadoras. Em períodos de menor demanda logística, é possível conseguir melhores condições e reduzir os custos de escoamento da produção.

Mais de Agricultura

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.