Mercado

Chocolate ficará ainda mais caro

Além da matéria-prima, outros fatores continuam pressionando o setor.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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O forte aumento no preço do chocolate começa a mostrar seus efeitos no comportamento dos consumidores. A fabricante suíça Lindt & Sprüngli, referência mundial em chocolates premium, caminha para registrar seu pior desempenho trimestral na bolsa desde 2009, refletindo a queda nas vendas após sucessivos reajustes de preços motivados pela alta histórica do cacau.

No ano passado, a empresa elevou os preços de seus produtos em quase 20% para compensar o aumento do custo da matéria-prima. A estratégia preservou parte das margens, mas reduziu o volume de vendas. Diante desse cenário, a companhia revisou sua projeção de crescimento orgânico para 2026, reduzindo a expectativa de 6%–8% para 4%–6%.

Mesmo com os contratos futuros do cacau acumulando queda de cerca de 60% em relação ao pico histórico registrado em dezembro de 2024, a recuperação ainda não chegou ao consumidor. Isso acontece porque grandes fabricantes costumam comprar cacau com bastante antecedência para garantir o abastecimento, o que faz com que a redução dos custos seja percebida apenas meses depois. No caso da Lindt, a empresa informou que os preços menores do cacau só deverão impactar seus custos a partir de 2027, embora já tenha iniciado reduções de preços em alguns mercados, como Suíça e Alemanha.

Além da matéria-prima, outros fatores continuam pressionando o setor. A guerra no Oriente Médio elevou os custos de transporte e embalagens, enquanto a perspectiva de um novo El Niño preocupa o mercado por seu potencial de afetar a produção de cacau na África Ocidental, principal região produtora do mundo. Esse cenário mantém a volatilidade dos preços e aumenta a cautela entre fabricantes e investidores.

Analistas destacam que nem mesmo marcas consolidadas e posicionadas no segmento premium estão imunes ao impacto dos preços elevados. Muitos consumidores migraram para chocolates mais baratos ou reduziram as compras, comportamento observado também em outras empresas do setor. Ainda assim, especialistas avaliam que a força da marca Lindt permanece preservada e acreditam que a recuperação da demanda poderá ocorrer gradualmente conforme os preços ao consumidor recuem.

Para a cadeia do cacau, a notícia reforça como oscilações climáticas e geopolíticas continuam influenciando toda a indústria, desde o produtor até o consumidor final. A expectativa é que o mercado siga sensível às condições da próxima safra e aos desdobramentos climáticos nos principais países produtores.

🔧 Orientação prática: Para quem atua na produção ou comercialização de cacau, vale acompanhar não apenas o preço internacional da commodity, mas também as previsões climáticas para a África Ocidental e os movimentos da indústria. Esses fatores podem influenciar diretamente a demanda, os preços e as oportunidades de mercado nos próximos meses.

Fonte: Bloomberg.

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