Podas na Cultura do Café
Até o início da década de 90, as lavouras de café conilon eram conduzidas sem a utilização de qualquer forma de poda (SILVEIRA, 1996). Lavouras conduzidas em livre crescimento apresentam curva de produção alcançando valores máximos entre a terceira e quinta colheitas, declinando a partir daí (SILVEIRA, 1995). O conilon é uma planta de crescimento contínuo, apresentando o desenvolvimento de vários ramos verticais, denominados ortotrópicos, e horizontais, os produtivos, que são os plagiotrópicos (CANNELL, 1985).
Após sucessivas colheitas, os ramos têm seu vigor reduzido e não há crescimento compensatório para manutenção de altas produtividades (Figura 18). Inicia-se, portanto, gradualmente, um desequilíbrio entre a área foliar da planta e a matéria seca total, ou seja, há uma redução na razão de área foliar e uma queda contínua na taxa de crescimento relativo (BRAGANÇA, 2005). Assim, a matéria seca é constituída em grande parte pelos ramos ortotrópicos não eliminados e pelos plagiotrópicos que suportaram muitas safras (SILVEIRA, 1995; SILVEIRA; ROCHA, 1995; BRAGANÇA, 2005; VERDIN FILHO et al., 2008; FERRÃO et al., 2012a).

A realização de todo e qualquer sistema de poda promove modificações na relação existente entre a parte aérea e o sistema radicular do cafeeiro, e essas modificações são tanto mais drásticas quanto mais severas forem as podas, levando à morte de raízes em intensidades proporcionais à parte aérea eliminada, sempre afetando mais intensivamente as raízes de menor diâmetro, justamente aquelas mais ativamente envolvidas na absorção de água e nutrientes (RENA; GUIMARÃES, 2000).

As lavouras muito depauperadas eram eliminadas precocemente ou submetidas à recepa, que era praticamente o único sistema utilizado na tentativa de revigoramento das lavouras de conilon no Estado do Espírito Santo e mesmo no Brasil como um todo. Era adotada, de modo geral, em lavouras muito antigas e desgastadas por sucessivas produções, com baixo vigor vegetativo e, quase sempre, em lavouras com estande comprometido.
A recepa consiste na eliminação de toda ou quase toda parte aérea das plantas. Trata-se de uma prática agressiva e drástica, cuja eficiência é muito dependente das condições nas quais as lavouras se encontram, sendo por esse motivo questionável quanto à sua real eficiência para o revigoramento das lavouras. De qualquer forma, é normalmente realizada a uma altura de 20 a 40 cm a partir do solo, podendo-se optar em deixar uma pequena quantidade de hastes intactas, o que aumenta a produção nas primeiras colheitas das lavouras revigoradas por conferir maior vigor às brotações (MATIELLO, 1998).
Esse tipo de poda somente deverá ser utilizado para condições em que não seja mais viável o emprego de outro tipo de manejo para a renovação da lavoura, visto que, assim como ocorre para o café arábica, pode causar a morte de raízes, notadamente daquelas de pequeno calibre e localizadas nas camadas mais superficiais (MATIELLO, 1998; THOMAZIELLO; PEREIRA, 2008), justamente as mais ativamente envolvidas na absorção de água e nutrientes (RENA; GUIMARÃES, 2000).
Embora a poda programada de ciclo (PPC), tratada mais adiante neste artigo, também cause redução do sistema radicular funcional, as perdas são proporcionalmente muito menores quando comparadas às verificadas em plantas recepadas, já que um percentual expressivo da parte aérea, em média de 30 a 40%, é mantido por mais um ano, de forma que, provavelmente, há redução das perdas excessivas de raízes e recuperação mais rápida do sistema como um todo.
Deve-se cuidar para que, após a recepa, as plantas sejam conduzidas com o número de hastes ajustado para que seja alcançada a densidade de hastes/há planejada, conforme já discutido anteriormente.
Para recomendação de qualquer sistema de poda em lavouras já implantadas, é necessário que se leve em consideração critérios como: a idade das plantas, o espaçamento, a intensidade de fechamento, o nível de depauperamento, a evolução da produção das plantas, a tendência de preços do produto e até mesmo o nível de dependência do produtor em relação às futuras produções (SILVEIRA; ROCHA, 1995).

Poda de produção do café conilon
O primeiro sistema de poda recomendado pelo Incaper para o cafeeiro conilon foi apresentado por Silveira et al. (1993), sendo complementado posteriormente por Silveira (1995), Silveira; Rocha (1995) e Silveira (1996). Esse sistema foi denominado “Poda de Produção do Café Conilon”.
A poda de produção inclui seguidas desbrotas. Constitui-se num sistema em que as lavouras, com mais de três a quatro safras, conduzidas sem qualquer interferência anterior, têm suas hastes ortotrópicas mais velhas e improdutivas eliminadas paulatinamente e substituídas por novas, que originam-se de brotações vigorosas, selecionadas na base daquelas que foram retiradas (Figura 19). Os brotos mais centrais e aqueles que se encontravam mal localizados, impedindo a penetração de luz no interior das plantas, devem ser eliminados, permanecendo somente os que irão recompor as plantas (SILVEIRA et al., 1993; SILVEIRA; ROCHA, 1995).

Essa prática proporciona o rejuvenescimento das lavouras e favorece o aumento da produtividade por proporcionar o estabelecimento de novos ramos, revigorados e com maior potencial de produção. Permite ainda a condução de um número de novas hastes compatíveis com a população de plantas existentes numa determinada área e distribuídas de forma equidistante ao redor do tronco (SILVEIRA et al., 1993; FERRÃO et al., 2012a).
Como até então as lavouras eram conduzidas sem adoção rotineira e ordenada de quaisquer sistemas de podas, a grande maioria delas era constituída de plantas que apresentavam excesso de hastes ortotrópicas. Assim, o sistema foi inicialmente recomendado para lavouras adultas visando à recuperação da sua capacidade produtiva (Figura 20), sendo, contudo, também recomendado para lavouras mais jovens (Figura 21).


Em lavouras, cujo manejo ainda não contemple sistemas rotineiros de podas, o processo pode ser iniciado de forma gradativa. Não há necessidade de que sejam eliminados, numa única oportunidade, todos os ramos pouco produtivos, caso isso seja considerado, inadequado no que diz respeito ao vigor das plantas ou mesmo economicamente inviável para determinados cafeicultores. Pode ser iniciada com a eliminação dos ramos mais velhos a cada safra e a planta vai sendo renovada paulatinamente. Em casos como esses, pode-se também optar pelo emprego da poda em talhões sucessivos de forma que não haja, de um ano para outro, redução ou até mesmo interrupção na renda do cafeicultor (FERRÃO et al., 2012a).
Em substituição à utilização da recepa, a poda de produção pode também ser utilizada em lavouras mais envelhecidas, mas que mantenham ainda um mínimo de vigor, estande apropriado e capacidade de suportar os procedimentos necessários. Nesse caso, o sistema de poda pode ser operacionalizado de uma única vez ou ao longo do tempo, em duas ou mais ocasiões, de modo a não causar perda excessiva de plantas. Ao se optar por duas ou mais vezes, deve-se iniciar com a eliminação das hastes mais velhas, mal localizadas e mais depauperadas.

A poda é operacionalizada ao se realizar o corte da haste ortotrópica à altura de 20 a 30 cm da superfície do solo (Figura 22) ou logo acima do broto de espera eliminando-se ramos ladrões, estiolados, velhos ou improdutivos e o excesso de brotações localizadas no interior da planta. Quando esse sistema de poda é iniciado precocemente, evitam-se perdas por estiolamento dos ramos mais baixos e pode-se dar início ao trabalho de conformação adequada das plantas de acordo com o arranjo adotado e o espaçamento escolhido.

Estudos sobre a poda de produção, conduzidos pelo Incaper, em Linhares/ES, mostraram que ela é uma técnica de manejo de cultura altamente eficaz para o aumento da produção. Observou-se um aumento de 53% na produtividade média de quatro safras sucessivas com a utilização de podas anuais (SILVEIRA et al., 1993). Segundo esses autores, a poda é uma das práticas mais importantes de manejo da cultura e apresenta as seguintes vantagens: aumenta a vida útil do cafeeiro; proporciona o revigoramento das lavouras; melhora o arejamento e a penetração de luz no interior da copa; facilita os tratos culturais e fitossanitários; proporciona melhor convivência com o estresse hídrico; reduz a percentagem de chochamento de grãos; diminui o efeito da bienalidade; reduz a altura e o diâmetro da planta facilitando a colheita e a manutenção de maior número de hastes produtivas por área; melhora as condições físicas e químicas do solo pela incorporação da matéria orgânica originada das partes vegetativas eliminadas.
As partes vegetativas oriundas da poda devem permanecer na lavoura, pois promovem uma série de benefícios ao cafezal, servem como fonte de nutrientes após sua decomposição, melhoram o teor de matéria orgânica do solo, protegem o solo da incidência direta dos raios solares, promovem a redução da ocorrência de plantas daninhas no campo, controlam a erosão e ajudam na manutenção da umidade no solo (SILVEIRA et al., 1993).
Esse sistema de poda do café conilon foi adotado pela grande maioria dos cafeicultores capixabas até 2008, ocasião em que o Incaper apresentou um novo e mais ajustado sistema de condução das plantas, denominado Poda Programada de Ciclo (PPC).
Poda programada de ciclo para o café conilon
Os sistemas de podas, tanto de formação quanto de produção, geram grande capacidade de revigoramento de lavouras pouco produtivas e, em boa parte dos casos existentes no Estado do Espírito Santo, é certamente uma das práticas que mais benefícios podem proporcionar aos produtores em curto prazo. Tais benefícios, contudo, são mais expressivos quando a prática da poda é associada a outras tecnologias, pois, mesmo que amplie o potencial produtivo das plantas, é necessário que se use material genético, manejo nutricional e de suprimento de água adequados, capazes de permitir que as lavouras expressem seu potencial.

A PPC, segundo Verdin et al. (2008), constitui um aprimoramento da poda de produção recomendada até então. Ao longo das últimas duas décadas, os trabalhos foram continuados visando à obtenção de benefícios adicionais, identificados, sobretudo, a partir da utilização massiva do sistema da poda de produção, que pudessem ser desenvolvidos em prol do mais adequado manejo das plantas e das lavouras como um todo melhorando seu desempenho produtivo e econômico.
A nova tecnologia é também baseada no mesmo princípio da anterior. Consiste na eliminação de hastes verticais e ramos horizontais que vão se tornando improdutivos ao longo de várias safras, com objetivo de que sejam substituídos por outros mais novos renovando a capacidade produtiva das lavouras. Deve-se também eliminar as hastes ortotrópicas estioladas, mal localizadas, de baixo vigor e o excesso de brotações.
Embora a poda de produção tenha sido adotada com sucesso pela grande maioria dos produtores de café conilon do Estado, proporcionado ganhos de produtividade muito expressivos, a prática era orientada para utilização em lavouras adultas ou para as que já se encontravam após a segunda, terceira ou mesmo quarta produção e para lavouras mais velhas. Pelas diferentes condições em que se encontravam as lavouras conduzidas na ocasião, não havia possibilidade de fixar procedimentos padrão a serem adotados, e isso comprometia a possibilidade do alcance pleno dos resultados da tecnologia.
Surgiu então a necessidade de planejar a condução das lavouras, desde a sua implantação, a fim de padronizar as recomendações, sobretudo, para aqueles que iriam efetivamente operacionalizar a poda. Assim, tornar-se-ia a atividade mais precisa e menos intuitiva, haja vista que, na poda de produção, a definição das hastes a serem eliminadas era feita pelos trabalhadores rurais, muitas vezes sem embasamento técnico. A falta da padronização das operações a serem usadas em cada planta, bem como a dificuldade de entendimento do processo como um todo, mais notadamente na identificação das hastes a serem eliminadas, dificultava bastante a realização de uma poda eficaz. Tais dificuldades se encontravam associadas às diferenças existentes no porte, arquitetura, vigor e na capacidade produtiva, mesmo em lavouras clonais. Não obstante, elevava-se o custo operacional da prática em questão (SILVEIRA et al., 1993; VERDIN FILHO et al., 2008).
Dessa forma, o planejamento das atividades relacionadas à condução das plantas deve ser estabelecido antes do plantio, na definição do material genético, local, preparo do solo e abertura das covas, espaçamentos, adubações, entre outros. Contudo, a PPC pode ser também iniciada em lavouras adultas.
Há duas situações nas quais a PPC pode ser utilizada em lavouras a serem implantadas, dependendo do sistema de plantio a ser adotado; o tradicional (livre crescimento na fase inicial) ou aquele com posterior arqueamento das plantas jovens, conforme exposto anteriormente.
Em ambos os sistemas, com ou sem o arqueamento, as plantas ainda recém-transferidas para covas definitivas devem ser conduzidas ao longo das sucessivas safras, com a eliminação das brotações ortotrópicas excessivas. Essa prática evita o fechamento da parte inferior das copas, bem como o desperdício de água, nutrientes e fotoassimilados, facilitando os tratos culturais, as adubações e as colheitas.
Trabalhos de pesquisa realizados pelo Incaper indicam que a influência favorável do arqueamento de plantas jovens pode resultar em respostas de diferentes intensidades, dependendo da cultivar, dos ambientes, do uso de irrigação e da época de plantio (FONSECA et al., 2013b; VERDIN FILHO et al., 2013b; VERDIN FILHO et al., 2014).
Segundo Verdin Filho et al. (2012b), a haste principal arqueada no início do processo pode ser eliminada logo que a copa seja definida, pois não influencia os níveis de produtividade, podendo ainda dificultar a operacionalização de determinadas práticas culturais e a colheita com sua presença.
Trabalhos de pesquisa realizados pelo Incaper indicam que a influência favorável do arqueamento de plantas jovens pode resultar em respostas de diferentes intensidades, dependendo da cultivar, dos ambientes, do uso de irrigação e da época de plantio (FONSECA et al., 2013b; VERDIN FILHO et al., 2013b; VERDIN FILHO et al., 2014).
Fonseca et al. (2013b) verificaram que a resposta do cafeeiro conilon submetido ao arqueamento das plantas jovens é influenciada pelo material genético e pelo fato de ser a lavoura irrigada ou não. Concluem os autores que as maiores produtividades são alcançadas em lavouras com o arqueamento e irrigadas, e que em lavouras não irrigadas, o arqueamento das plantas jovens proporcionou produtividades semelhantes àquelas obtidas em lavouras irrigadas, porém conduzidas sem o arqueamento.

Na ocasião da realização da primeira etapa da PPC, após a realização da terceira, quarta ou mesmo da quinta colheita, conforme tenha sido programado, devem ser eliminadas todas as hastes mais centrais de cada planta a uma altura entre 20 e 30 cm do solo (VERDIN FILHO, 2008). Devem permanecer na planta, no máximo, duas hastes mais externas e sempre voltadas para as entrelinhas de plantio conferindo à planta o formato de “V”, uma conformação que facilita a penetração de luz, promove a formação de novos brotos e o seu desenvolvimento vigoroso, com alto potencial produtivo. Para tanto, as hastes remanescentes podem ter todos os seus ramos plagiotrópicos baixeiros eliminados para que não prejudiquem a formação das novas brotações ortotrópicas (Figura 23).

Entre 30 e 40 dias após a eliminação das hastes centrais, é necessário selecionar os brotos novos. A seleção deve ser realizada antes que eles ultrapassem 12 cm de altura, pois a competição entre eles pode prejudicar o desenvolvimento dos ramos que permanecerão, estiolando-os e comprometendo sua capacidade de produção (VERDIN FILHO et al., 2014).
Geralmente são eliminadas entre 50 e 75% das hastes em produção. Em lavouras muito fechadas, deve-se iniciar a poda a partir da terceira colheita, enquanto em lavouras não muito fechadas, recomenda-se iniciar a segunda etapa da PPC a partir da quarta ou quinta colheita. A definição entre a terceira, quarta ou quinta colheitas é em função do vigor, crescimento das plantas, entrada de luz, material genético, espaçamento, nível tecnológico, entre outros fatores, inclusive os econômicos.
Na base das hastes eliminadas, há o desenvolvimento de inúmeras brotações. Esses brotos devem ser então selecionados de acordo com de seu vigor vegetativo, posição e altura de inserção na planta, e número de hastes a serem mantidas para mais três, quatro ou cinco colheitas, que se constituirão no segundo ciclo de produção com uso da tecnologia em questão.
No ano seguinte à realização da primeira etapa da PPC, as novas brotações estarão com um ano de idade e encontrar-se-ão, em média, com cerca de 80 a 100 cm de altura. Nessa ocasião, as novas hastes podem deter uma pequena carga de frutos (Figura 24), contudo a planta estará em plena capacidade produtiva a partir da colheita seguinte, dois anos após a realização da primeira etapa. Após a colheita dos frutos das hastes remanescentes, essas devem também ser eliminadas para que a lavoura entre em um novo ciclo de produção (Figura 25).


Para efeito comparativo, são apresentados no Quadro 1 os cronogramas de atividades para quando da utilização das duas formas de condução do café conilon, segundo Verdin Filho et al. (2008).

A PPC pode também ser empregada em lavouras mais antigas, antes não conduzidas nesse sistema. Assim sendo, faz-se necessária a eliminação de todas as hastes em excesso nas plantas mantendo-se somente aquelas recomendadas para cada situação. Não é apropriada a eliminação de todos as hastes (recepa), pois, em trabalhos realizados comparando a recuperação de lavouras de café conilon com o uso da recepa com outros tipos de poda, verificou-se ganhos superiores na produção ao longo dos anos com o uso da PPC, além de outros benefícios já citados (VERDIN FILHO et al., 2012a; 2013b).
Em uma determinada lavoura, que a partir de então receba a orientação de ser conduzida com cinco hastes ortotrópicas/planta, todas as demais devem ser eliminadas, naturalmente mantendo, nesse caso, aquelas cinco mais novas, vigorosas e bem distribuídas em torno do tronco. Essa operação pode ser realizada em uma única vez ou, paulatinamente, em anos consecutivos, dependendo de cada situação
No caso de realizá-la em uma vez, já no ano seguinte, pode ser iniciada a eliminação das três hastes mais centrais para que, somente no ano posterior, seja completado o processo com as plantas revitalizadas para mais um ciclo de produção de três a cinco safras.

Trabalhos foram conduzidos visando a estudar a influência da PPC e a densidade de plantas e de hastes no Município de Marilândia, Espírito Santo, em experimentos implantados em lavouras clonais formadas pela cultivar Emcapa 8111, conduzidas em condição não irrigada (VERDIN FILHO et al., 2014). As lavouras foram conduzidas com a PPC, e safras colhidas nos anos de 2008 a 2011. No primeiro de dois trabalhos, foram utilizados espaçamento de 2,0 x 1,0 m e 2,5 x 1,0 m, ambos conduzidos com duas, três e quatro hastes por planta. A produtividade média com uso do primeiro espaçamento foi significativamente diferente quando eram utilizadas duas, três ou quatro hastes por planta, respectivamente 47,51; 58,38 e 68,25 Sc. benef/ha. Já no segundo espaçamento não houve diferença significativa nos tratamentos conduzidos com três ou quatro hastes, sendo estas, contudo, superiores às alcançadas em plantas conduzidas com duas hastes (Tabela 1).

Verdin Filho et al. (2014), utilizando espaçamentos de 3,0 x 1,0 m e 3,0 x 1,5 m, também em trabalhos conduzidos sem irrigação, mas com a PPC, com três, cinco e seis hastes por planta, obtiveram produtividades de 30,38; 39,10 e 49,45 sc. benef./ha, respectivamente, para três, cinco ou seis hastes por planta espaçadas de 3,0 x 1,0 m. Utilizando-se do espaçamento de 3,0 x 1,5 m, a produtividade foi de 27,39; 41,98 e 39,78 sc. benef./ha para três, cinco ou seis hastes, respectivamente (Tabela 2). Esses resultados indicam a possibilidade de obtenção de respostas positivas na produtividade do café conilon com redução dos espaçamentos indicados anteriormente, quando associado ao aumento do número de hastes por planta.

De maneira geral, os trabalhos conduzidos visando à definição dos mais adequados espaçamentos e densidade de hastes para a condução do café conilon com a utilização da PPC são concordantes com a fato de que o adensamento da lavoura associado ao maior número de hastes/ha promove o aumento da produtividade da cultura, ao menos dentro dos limites que foram estudados (LANI et al., 2000; VERDIN FILHO, 2011; FERRÃO, et al., 2012a; VERDIN FILHO et al., 2013a).
Uma série de trabalhos já realizados indicam que o arqueamento de plantas jovens auxilia no estabelecimento mais precoce do número de hastes/planta planejado, contudo, como anteriormente mencionado, essa prática vem resultando em comportamento diferenciado em função de fatores genéticos, ambientais, sistemas de produção e época de plantio (FONSECA et al., 2013b).
Poda dos ramos plagiotrópicos ou produtivos
Assim que foi lançada a recomendação do primeiro sistema de condução de plantas e lavouras de conilon no Espírito Santo, pouco se conhecia sobre a necessidade de permanência ou não dos ramos produtivos mais velhos na planta. Prática conhecida popularmente como “derrama”.
Trata-se de uma prática recomendável e largamente empregada no Espírito Santo, onde é, atualmente, aplicada em cerca de 70% das propriedades cafeeiras. Consiste na eliminação dos ramos plagiotrópicos localizados nas partes mais baixas das plantas, mais velhos e já esgotados pelas produções anteriores. Trabalhos indicam ser vantajosa para o aumento do potencial produtivo e proporcionar uma série de outros benefícios (VERDIN et al., 2008). Facilita a realização de controle de capinas, roçadas, aplicação de fertilizantes, controle fitossanitário e, sobretudo, as operações de colheita. Favorece a entrada de luz no interior das copas, reduz o estiolamento das hastes ortotrópicas, o desenvolvimento vegetativo mais harmônico e reduz a variação anual de produção.
Apesar de demandar mão de obra para sua realização, reduz a necessidade total dessa prática por favorecer os fatores acima citados, cujo balanço será determinante para a tomada de decisão que envolve a retirada ou não dos ramos plagiotrópicos (GUARÇONI M. et al., 2011).
Há ainda, contudo, questionamentos quanto ao exato momento dessa eliminação, se com mais de 50%, 60% ou mesmo de 70% do potencial produtivo total, (Figura 26). Trabalhos em andamento poderão oferecer possibilidade de melhor elucidação a essas questões no futuro próximo.

Guarçoni M. et al. (2011) compararam a produtividade acumulada de três colheitas obtidas com a retirada ou não de ramos plagiotrópicos que produziram 50% ou mais de sua extensão, em duas regiões edafoclimáticas do Espírito Santo; Sul/Cachoeiro de Itapemirim (Argissolo Vermelho eutrófico, região classificada como acidentada, quente e transição chuvosa/seca) e Noroeste/ Marilândia (Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico, região classificada como acidentada, quente e seca). Os autores observaram que a retirada dos ramos plagiotrópicos que produziram em 50% ou mais de sua extensão reduziu a produtividade acumulada das plantas de café conilon na lavoura de maior vigor e mais produtiva (Sul/Cachoeiro do Itapemirim). No entanto, não ocorreu efeito sobre a produtividade acumulada na região Noroeste/Marilândia. Apesar desse resultado, os autores reconhecem o valor da prática pelas vantagens já relacionadas.
Os mesmos pesquisadores explicam que os ramos plagiotrópicos só funcionariam como dreno, quando não possuíssem área foliar suficiente para produzir os carboidratos necessários ao sustento de sua própria demanda energética (respiração de manutenção e de crescimento em se tratando dos frutos). Nesse caso, não faria diferença se os grãos de café fossem supridos por fotoassimilados produzidos por folhas do mesmo ramo plagiotrópico ou por folhas presentes em outros ramos plagiotrópicos da planta. Primordial seria o balanço global de fotoassimilados, não o balanço dos ramos plagiotrópicos isolados. Ocorre, contudo, que o referido trabalho não foi conduzido segundo os preceitos estabelecidos para utilização da PPC do café conilon, que promove mais adequado equilíbrio entre a parte vegetativa e a produção potencial, sistema que viabiliza plenamente sua realização (VERDIN FILHO et al., 2008).
Estudos estão sendo conduzidos pelo Incaper para o mais adequado entendimento da eficiência do processo, de sua influência nos diferentes sistemas de cultivo, bem como do momento mais apropriado à sua realização visando a padronizar as recomendações.
Se você tem interesse em saber mais sobre a Cultura do Café Arábica e Conilon, te convido a conhecer a plataforma da AgricOnline. Ao fazer a sua assinatura, você tem acesso ilimitado a todos os cursos da plataforma. São cursos que vão desde produção vegetal, produção animal, mercado e carreira.
Ao término de cada curso, você tem direito ao certificado com a carga horária de cada curso, clique no link para conhecer.

Ou clique no link:
https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal
Fonte
FERRÃO, Romário Gava; DA FONSECA, Aymbiré Francisco Almeida; FERRÃO, Maria Amélia Gava; DE MUNER, Lúcio Herzog. Café Conilon. 2ª ed. Vitória – ES: Incaper, 2017.