Clima

Tecnologia ajuda cafeicultor a enfrentar mudanças climáticas

Com esses dados, o produtor pode ajustar estratégias de irrigação, manejo nutricional e proteção das lavouras de forma mais eficiente.

Gustavo Loose
Especialista
5 min de leitura
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As mudanças climáticas têm se tornado um dos principais desafios da cafeicultura brasileira. Períodos de seca prolongada, geadas, ondas de calor e chuvas irregulares vêm aumentando a pressão sobre as lavouras e exigindo dos produtores decisões cada vez mais rápidas e precisas.

Diante desse cenário, a Cooxupé tem ampliado o uso de tecnologias de monitoramento climático e análise de dados para ajudar os cooperados a reduzir riscos e melhorar o planejamento da produção.

Uma das principais ferramentas utilizadas é o geoprocessamento, sistema que reúne informações meteorológicas, mapeamento das propriedades e análises técnicas para acompanhar o comportamento das lavouras em diferentes regiões produtoras.

A iniciativa faz parte do trabalho desenvolvido pelo Departamento de Desenvolvimento Técnico da cooperativa e tem como objetivo aumentar a previsibilidade da produção em um ambiente cada vez mais influenciado pelas variações climáticas.

Rede de monitoramento ganha reforço

O monitoramento climático é realizado por meio do Sistema Meteorológico da Cooxupé (SISMET), que conta atualmente com cerca de 100 estações meteorológicas e mais de 500 pontos de coleta de chuva distribuídos nas áreas de atuação da cooperativa.

As informações são atualizadas constantemente e permitem acompanhar indicadores importantes para o manejo da cultura, como temperatura, volume de precipitações e períodos de estiagem.

Com esses dados, o produtor pode ajustar estratégias de irrigação, manejo nutricional e proteção das lavouras de forma mais eficiente.

Segundo Guilherme Teixeira, coordenador de Geoprocessamento da cooperativa, a tecnologia tem papel fundamental na tomada de decisões dentro das propriedades.

“O geoprocessamento ajuda tanto a Cooxupé quanto seus cooperados a tomarem decisões estratégicas nas propriedades, sempre aliado à tecnologia, à inovação e à busca por uma produção mais sustentável”, destaca.

Previsão de safra e controle de doenças

Além do acompanhamento climático, o geoprocessamento também é utilizado para estimar produtividade e produção futura das lavouras.

O mapeamento do parque cafeeiro em centenas de municípios permite identificar tendências e antecipar cenários que podem impactar a safra.

Outro recurso importante é o Sistema de Aviso de Doenças (SAD), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA).

A ferramenta utiliza dados meteorológicos para prever condições favoráveis ao surgimento de doenças como ferrugem e mancha de phoma, auxiliando os produtores a realizarem intervenções no momento mais adequado.

Os próprios cooperados também contribuem com o sistema ao registrar informações pluviométricas em suas propriedades, ampliando a base de dados utilizada nas análises.

Estratégia para aumentar a resiliência

O uso de tecnologia faz parte de uma estratégia mais ampla de adaptação às mudanças climáticas.

Entre as ações adotadas pela cooperativa estão o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes ao calor e à seca, práticas de conservação do solo para retenção de umidade, utilização de bioestimulantes e incentivo ao uso de seguro agrícola.

Segundo os especialistas, compreender o comportamento climático de cada região é essencial para reduzir perdas e aumentar a segurança na tomada de decisões.

“O clima influencia diretamente todas as fases do cafeeiro, desde o desenvolvimento vegetativo até a produção. Conhecer essas condições é fundamental para aumentar a previsibilidade da safra”, explica Guilherme Teixeira.

Combinando monitoramento em tempo real, inovação e gestão baseada em dados, a cafeicultura busca se preparar para um cenário climático cada vez mais desafiador.

🔧 Orientação prática: Se você produz café, acompanhe regularmente os dados de chuva e temperatura da sua região. Informações climáticas atualizadas ajudam a planejar melhor a irrigação, o manejo fitossanitário e as aplicações nutricionais, reduzindo riscos e aumentando a eficiência da lavoura.

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