Tecnologia ajuda cafeicultor a enfrentar mudanças climáticas
Com esses dados, o produtor pode ajustar estratégias de irrigação, manejo nutricional e proteção das lavouras de forma mais eficiente.
As mudanças climáticas têm se tornado um dos principais desafios da cafeicultura brasileira. Períodos de seca prolongada, geadas, ondas de calor e chuvas irregulares vêm aumentando a pressão sobre as lavouras e exigindo dos produtores decisões cada vez mais rápidas e precisas.
Diante desse cenário, a Cooxupé tem ampliado o uso de tecnologias de monitoramento climático e análise de dados para ajudar os cooperados a reduzir riscos e melhorar o planejamento da produção.
Uma das principais ferramentas utilizadas é o geoprocessamento, sistema que reúne informações meteorológicas, mapeamento das propriedades e análises técnicas para acompanhar o comportamento das lavouras em diferentes regiões produtoras.
A iniciativa faz parte do trabalho desenvolvido pelo Departamento de Desenvolvimento Técnico da cooperativa e tem como objetivo aumentar a previsibilidade da produção em um ambiente cada vez mais influenciado pelas variações climáticas.
Rede de monitoramento ganha reforço
O monitoramento climático é realizado por meio do Sistema Meteorológico da Cooxupé (SISMET), que conta atualmente com cerca de 100 estações meteorológicas e mais de 500 pontos de coleta de chuva distribuídos nas áreas de atuação da cooperativa.
As informações são atualizadas constantemente e permitem acompanhar indicadores importantes para o manejo da cultura, como temperatura, volume de precipitações e períodos de estiagem.
Com esses dados, o produtor pode ajustar estratégias de irrigação, manejo nutricional e proteção das lavouras de forma mais eficiente.
Segundo Guilherme Teixeira, coordenador de Geoprocessamento da cooperativa, a tecnologia tem papel fundamental na tomada de decisões dentro das propriedades.
“O geoprocessamento ajuda tanto a Cooxupé quanto seus cooperados a tomarem decisões estratégicas nas propriedades, sempre aliado à tecnologia, à inovação e à busca por uma produção mais sustentável”, destaca.
Previsão de safra e controle de doenças
Além do acompanhamento climático, o geoprocessamento também é utilizado para estimar produtividade e produção futura das lavouras.
O mapeamento do parque cafeeiro em centenas de municípios permite identificar tendências e antecipar cenários que podem impactar a safra.
Outro recurso importante é o Sistema de Aviso de Doenças (SAD), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA).
A ferramenta utiliza dados meteorológicos para prever condições favoráveis ao surgimento de doenças como ferrugem e mancha de phoma, auxiliando os produtores a realizarem intervenções no momento mais adequado.
Os próprios cooperados também contribuem com o sistema ao registrar informações pluviométricas em suas propriedades, ampliando a base de dados utilizada nas análises.
Estratégia para aumentar a resiliência
O uso de tecnologia faz parte de uma estratégia mais ampla de adaptação às mudanças climáticas.
Entre as ações adotadas pela cooperativa estão o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes ao calor e à seca, práticas de conservação do solo para retenção de umidade, utilização de bioestimulantes e incentivo ao uso de seguro agrícola.
Segundo os especialistas, compreender o comportamento climático de cada região é essencial para reduzir perdas e aumentar a segurança na tomada de decisões.
“O clima influencia diretamente todas as fases do cafeeiro, desde o desenvolvimento vegetativo até a produção. Conhecer essas condições é fundamental para aumentar a previsibilidade da safra”, explica Guilherme Teixeira.
Combinando monitoramento em tempo real, inovação e gestão baseada em dados, a cafeicultura busca se preparar para um cenário climático cada vez mais desafiador.
🔧 Orientação prática: Se você produz café, acompanhe regularmente os dados de chuva e temperatura da sua região. Informações climáticas atualizadas ajudam a planejar melhor a irrigação, o manejo fitossanitário e as aplicações nutricionais, reduzindo riscos e aumentando a eficiência da lavoura.