El Niño volta ao radar do cacau
A processadora Barry Callebaut alertou que regiões estratégicas para a oferta global, como África Ocidental e Equador, podem enfrentar dificuldades produtivas caso o fenômeno se intensifique.
A possibilidade de retorno do fenômeno climático El Niño voltou a preocupar o mercado global de cacau. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico já apresenta sinais compatíveis com o desenvolvimento de um El Niño moderado, que pode ganhar intensidade nos próximos meses e permanecer ativo até novembro.
A previsão acende um alerta para importantes regiões produtoras de cacau. Segundo a OMM, o fenômeno pode provocar temperaturas acima da média, secas prolongadas, chuvas excessivas e maior frequência de eventos climáticos extremos em diferentes partes do mundo.
A preocupação é especialmente relevante para a África Ocidental, responsável por mais de 60% da produção mundial de cacau. O último episódio forte de El Niño, entre 2023 e 2024, foi apontado como um dos fatores que contribuíram para a queda da produtividade na região e para a disparada histórica dos preços da commodity nas bolsas internacionais.
Empresas do setor já acompanham o cenário com atenção. A processadora Barry Callebaut alertou que regiões estratégicas para a oferta global, como África Ocidental e Equador, podem enfrentar dificuldades produtivas caso o fenômeno se intensifique. Essas áreas concentram grande parte da produção utilizada pela indústria mundial de chocolates e derivados.
Para a cacauicultura, os impactos podem ser significativos. Alterações nos regimes de chuva e temperatura podem reduzir a umidade do solo, provocar estresse hídrico nas plantas, diminuir a formação de frutos e favorecer o surgimento de pragas e doenças. Dependendo da intensidade do evento, os efeitos podem comprometer o potencial produtivo da safra 2026/27.
O tema também preocupa o mercado de alimentos. Oscilações climáticas severas costumam afetar a oferta de diversas commodities agrícolas, aumentando custos de produção e contribuindo para pressões inflacionárias em diferentes países.
Nos últimos meses, os preços do cacau vinham recuando diante das expectativas de recuperação da produção em países como Costa do Marfim, Gana, Equador e Brasil. No entanto, a possibilidade de um novo El Niño forte pode trazer novamente um componente de risco climático para o mercado, elevando a volatilidade das cotações.
🔧 Orientação prática: Para os produtores de cacau, o momento é de acompanhar atentamente os boletins climáticos e reforçar o monitoramento das lavouras. Medidas voltadas à conservação da umidade do solo, manejo fitossanitário e planejamento hídrico podem ajudar a reduzir os impactos caso o fenômeno se confirme nos próximos meses.