Granizo atinge cafezais no Sul de Minas
Municípios como Boa Esperança e Campo do Meio registraram ocorrências que afetaram tanto os cafezais quanto os grãos já colhidos e espalhados nos terreiros de secagem.
Temporais acompanhados de granizo provocaram prejuízos em lavouras de café no Sul de Minas Gerais durante o último fim de semana, justamente em um momento estratégico para os produtores: o início da colheita da safra 2026. Municípios como Boa Esperança e Campo do Meio registraram ocorrências que afetaram tanto os cafezais quanto os grãos já colhidos e espalhados nos terreiros de secagem.
Uma estimativa preliminar do setor aponta perdas em torno de 230 mil sacas de café nas áreas atingidas. Ainda não há levantamento oficial sobre o número de propriedades ou hectares afetados, mas os relatos de campo indicam danos significativos em algumas regiões produtoras.
O granizo derrubou parte dos frutos das plantas e atingiu lotes que estavam em processo de secagem. Apesar disso, nem todo o café perdido no chão precisa ser descartado. Os grãos podem ser recolhidos e direcionados para segmentos de menor valor agregado, como cafés das categorias tradicional e extraforte, reduzindo parte dos prejuízos econômicos.
O episódio aumenta a preocupação dos produtores, que já enfrentam desafios climáticos desde a última safra. Mesmo assim, especialistas observam que eventos localizados costumam ter impacto limitado sobre os preços internacionais do café. Historicamente, o mercado reage com mais intensidade a fenômenos de grande escala, como geadas severas ou períodos prolongados de seca.
Além dos danos causados pelo granizo, as chuvas frequentes vêm dificultando o avanço da colheita em Minas Gerais. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a expectativa era de aceleração dos trabalhos a partir da segunda quinzena de maio, mas as precipitações registradas nas últimas semanas têm provocado interrupções pontuais nas operações de campo.
O cenário ocorre em um momento de pressão sobre os preços do café arábica. Com a entrada da nova safra no mercado, as cotações vêm recuando. Em 26 de maio, o Indicador Cepea/Esalq para o arábica fechou em R$ 1.637,80 por saca de 60 quilos, acumulando queda de 7,03% no mês.
Já o café robusta segue trajetória diferente. Sustentado por uma oferta mais restrita, o produto registrou valorização de 3,96% no mesmo período, alcançando R$ 961,86 por saca.
As previsões meteorológicas indicam que a instabilidade deve continuar nos próximos dias. Chuvas entre 10 e 15 milímetros ainda podem atingir áreas produtoras de Minas Gerais, provocando novas interrupções temporárias na colheita. Também há previsão de precipitações em regiões cafeeiras do Espírito Santo e do sul da Bahia.
Por outro lado, importantes polos produtores de São Paulo, como a Alta Mogiana e o Cerrado Paulista, devem ter predominância de tempo seco, favorecendo o avanço dos trabalhos de campo.
🔧 Orientação: Se sua propriedade foi atingida pelo granizo, priorize uma avaliação rápida dos danos para separar os lotes comprometidos e evitar perdas maiores de qualidade. O monitoramento das condições climáticas nos próximos dias também será fundamental para planejar a colheita e a secagem dos grãos com mais segurança.