Métodos de Propagação de Maracujá
Introdução
As passifloras são geralmente propagadas por sementes, estacas, enxertia ou micro propagação. Nesse artigo, abordaremos cada um desses processos com exemplos práticos.
Propagação de Sementes
A multiplicação por sementes de maracujá é a forma mais tradicional e antiga de propagação, onde se obtêm sementes de frutos selecionados de diferentes plantas com boa saúde e aspectos agronômicos.
Para extrair as sementes, corte os frutos, retire-os e coloque o suco em um recipiente de plástico, deixando-o reservado por alguns dias para a fermentação do arilo.
Em seguida, remova a mucilagem (polpa), esfregando cuidadosamente o conteúdo em água limpa ou com a ajuda de um liquidificador com as lâminas protegidas por borracha para evitar danos às sementes.
Finalmente, com a liberação da mucilagem, as sementes são espalhadas em um ambiente seco e protegido do sol por cerca de 4 dias. Com as sementes secas, as esfregamos para o resto da mucilagem seca e elas estarão prontas para o plantio.
Quando semeamos diretamente em recipientes (sacolas plásticas, tubetes ou mudas) deve-se colocar entre uma e três sementes a uma profundidade de 0,5cm (a profundidade não pode exceder três vezes o tamanho da semente) para irrigar imediatamente uma vez por dia.
Após cerca de 30 dias, cerca de 50% das sementes terão germinado. Quando as sementes são armazenadas por um longo período de tempo, elas também podem ser plantadas em canteiros (caixas com areia) e após o surgimento das duas folhas primárias, fazer transplante da muda para um recipiente contendo substrato.
Para a situação onde houve a formação de mais de uma muda por recipiente, o primeiro passo é eliminar os menos vigorosos ou as que estão piores posicionadas. A eliminação deverá ser feita por meio de corte da muda, para não danificar as radículas da planta que será mantida.
Sementes de maracujá (Passiflora edulis Sims) podem ser armazenadas em ambiente seco e arejado e sob pouca luz por cerca de 90 dias sem perda de poder germinativo. Em câmara fria (5 ° C) e umidade com 20% o tempo de armazenamento é superior a 1 ano.
Para outras espécies de passiflora esse tempo poderá ser muito variado quanto às condições de conservação e perda de capacidade de germinação.
No Brasil, a maioria dos produtores utilizam plantas germinadas em viveiro, em sacos de polietileno escuro com capacidade de cerca de 0,8 L a 2,0 L de substratos ou em recipientes de polietileno de igual capacidade.
Alguns viveiros comercializam suas mudas em tubos rígidos de polietileno de 50 ml (para encomendas de longas distâncias). Neste caso, o agricultor, ao receber as mudas, realiza o transplante para recipientes maiores sendo plantadas no local definitivo quando as mudas lançam suas primeiras gavinhas.
Importante lembrar, porém, que algumas espécies de Passiflora não toleram danos às raízes, portanto, nestes casos a mudança de recipientes pode provocar a morte da muda, portanto, não sendo recomendada.
O processo de propagação sexual é o mais simples e, portanto, mais utilizado, pois garante boa formação radicular, plantas com maior vigor, maior longevidade no campo, mas com maior variabilidade.
Se por um lado essa heterogeneidade é boa para reduzir a incompatibilidade da polinização entre as flores, aumentando a possibilidade de fertilização e formação de frutos, também pode ser um problema pois gera desigualdade na coloração, forma e tamanho dos frutos, resultando em uma queda na qualidade para a indústria ou comercialização no varejo.
Para minimizar o problema, a pesquisa no Brasil tem trabalhado o desenvolvimento de híbridos de maracujá (P. edulis Sims), que atualmente vem ganhando espaço na preferência dos produtores de diferentes regiões do país.
Propagação por Estaquia
Este processo consiste em obter partes vegetativas intermediárias das guias de uma planta adulta, já em flor, cortando-a com cerca de 4 nós, eliminando metade das folhas e gavinhas.
Em seguida, as folhas inferiores são retiradas e metade das folhas superiores são cortadas para reduzir a perda de água. Para plantar as estacas, recomenda-se a preparação dos canteiros ou caixas com substrato de qualidade (com boas características físicas e químicas do solo: boa capacidade de retenção de água / aeração/ nutrição) em uma estufa com nebulização intermitente.
O plantio deve ser feito tendo o cuidado para não plantar invertido, recomenda-se cortar as guias e levá-las ao local de plantio. As estadas deverão ser plantadas a profundidade aproximada de 0,5 cm, que deve compreender os dois nós inferiores, em seguida, deve-se fazer uma ligeira pressão ao redor, para firmar a muda e ligar o sistema de nebulização por cerca de 5 minutos.
Nos próximos 5 dias, durante as horas mais quentes, deve-se manter um esquema de nebulização por cerca de 5 minutos a cada hora, para que as folhas não sejam perdidas.
Após o período, recomenda-se reduzir gradualmente a nebulização até uma ou duas vezes por dia para manter o substrato molhado, mas sem alagamento, e após 30 dias, verificar se já houve a formação de radícula.
A transferência das estacas enraizadas para recipientes pode ser feita após 60 até 75 dias. O recipiente deve conter, no mínimo 2 litros de substrato comercial, e deve ser mantido em ambiente protegido com 50% de sombreamento.
As estacas com cerca de 3 radículas geralmente sobrevivem ao transplante e começarão a desenvolver a parte aérea.
O plantio no campo pode ocorrer cerca de 100 dias após o início do processo. Plantas obtidas por estaquia formam folhas, flores e gavinhas muito rapidamente, o que pode ocasionar o enovelamento das ramas e consequente danos às mudas, por ocasião do plantio no local definitivo.
Para que a situação não ocorra recomenda-se evitar atrasos na transferência das mudas para o campo. Este método vem sendo o mais utilizado para multiplicar as passifloras silvestre na Embrapa Cerrados que apresentam escassa produção de frutos alguns híbridos ornamentais com frutos de partenocarpia (sem sementes), que nesses casos, não há possibilidade de propagação por semente.
Outro problema recorrente na propagação de passiflora silvestre por sementes é a pouca informação existente sobre essas espécies. Muitas apresentam taxa de germinação e de vingamento inferiores a 5%, em condições de viveiro, o que inviabiliza a sua multiplicação por este método.
Embora haja progresso para as espécies mais pesquisadas em virtude do interesse comercial, o conhecimento ainda é restrito, o que indica a necessidade de maiores investigações no tema.
No banco de germoplasma ativo 'Flor da Paixão' da Embrapa, 90% das espécies foram propagadas por estaquia com sucesso. As outras foram propagadas por sementes ou por problemas de sanitários ou porque algumas espécies formam radículas, mas não desenvolvem parte aérea.
O emprego da técnica para cultivos comerciais deve levar em conta que o campo de produção deve ser formado com estacas vindas de diferentes plantas, considerando que o método é uma forma de clonagem (plantas idênticas à matriz).
Neste caso os clones devem ser plantados em fileiras alternadas para assegurar a polinização adequada da produção comercial.
Importante salientar que os clones obtidos por estaquia geralmente apresentam produção muito precoce, mas seu crescimento e vida útil são menores em relação aos cultivos provenientes de sementes. Portanto, o agricultor pode cultivar a cultura usando um número muito maior de plantas por unidade de área.
Propagação por Enxertia
A propagação por enxertia é um sistema projetado para áreas com alta incidência de patógenos ou outros problemas de adaptação edáfica, onde são usados porta-enxerto de espécies silvestre de maracujás, com melhor adaptação climática, rusticidade e resistência a patógenos combinados com clones de alto valor agronômico e de relevância econômica para a região.
No Brasil, nas últimas décadas, o maracujá tem sido uma cultura itinerante devido à combinação de problemas socioeconômicos agravados pelos problemas de doenças da cultura, por se tratar de uma cultura conduzida essencialmente por pequenos agricultores, que possuem baixo acesso tecnológico, que dependem de fontes de financiamento, somado a uma demanda flutuante que não garante a remuneração justa das culturas.
Ao longo de 30 anos foram realizados o acompanhamento do caminho utilizado pela cultura do maracujá em 3 estados e cerca de 30 municípios.
A permanência entre implantação, apogeu e decaimento ocorre em um período de cerca de 10 anos. No final, os agricultores abandonam a atividade por falta de pagamento, preços muito baixos ditados pelas indústrias, alto custo dos insumos e a morte precoce causada por doenças como a secadeira (fusariose).
Graças ao aumento do conhecimento tecnológico, à organização dos produtores e à atenção dada por empresas governamentais ou privadas à cadeia produtiva, algumas regiões já conseguiram reverter muitos problemas do setor produtivo por meio do uso de processos de propagação como enxertia e micropropagação das plantas de seus cultivos ou outras estratégias de sobrevivência econômica (comercialização direta, uso de casca e sementes para a extração de derivados para alimentação humana ou animal), a diversificação de produtos com a entrada de outra passiflora no sistema de comercialização etc.
Propagação In Vitro
Esta é uma técnica de clonagem possível quando se consegue regenerar e modificar células apicais por embriogênese ou organogênese utilizando recursos de biotecnologia.
Nesses casos, os clones gerados podem estar livres de patógenos, porque em laboratório é possível isolar e tratar o material propagativo em meios de cultura de tecidos.
As plantas nascem 100% saudáveis. Por ser uma tecnologia cara e que carece de pesquisa, a propagação in vitro atingiu a escala de produção no Brasil apenas para algumas culturas, como a banana e batata.
No caso das passifloras, vem sendo empregada nos programas de melhoramento genético do maracujazeiro. Junqueira e Andrade (2007) enxertaram explantes em porta-enxerto de P. edulis onde obtiveram 87% de pegamento e uma longevidade 25% maior que nos controles propagados por sementes.
Doenças do Maracujá no Viveiro
Mudas de maracujá (P. edulis Sims) são atacadas por muitos patógenos em condições de viveiro (fungos, bactérias e vírus), tanto nas partes inferiores (raízes) quanto na parte superior (caule e folhas).
Santos Filho e Junqueira (2003) observaram que a morte precoce do maracujá (com agente desconhecido na época) era, na verdade, a associação de mais de um patógeno; vírus do endurecimento da fruta (PWV) (Xanthonomas axonopopodis pv. passiflorae), fusariosis (Fusarium oxysporum f. sp. passiflorae), antracnosis (Colletotrichum gloesporioides) e verrugosis (Cladosporium sp.).
Nas revisões de literatura feitas por Oliveira e Ruggiero (1998) e Junqueira et al. (2005) foram indicadas algumas espécies de maracujá silvestres com potencial para uso como porta-enxerto, em virtude da sua resistência a patógenos.
A Tabela 1 mostrou as taxas de sobrevivência de cultivos em região de solo com alto índice fitopatógenos de clones de Passiflora edulis enxertados em cavalos de maracujás silvestres comparados aos de P. edulis propagadas por sementes, acompanhadas durante 2 anos e meio.

A Tabela 2 mostra o resultado da pesquisa de alguns autores em relação a compatibilidade de porta-enxerto de maracujás silvestres e azedo enxertados no viveiro e no campo com o maracujá-amarelo.

Comparação dos Métodos de Propagação
Nas Tabelas 3, 4 e 5 foram apresentadas, como síntese, as vantagens e desvantagens de cada tipo de propagação de maracujá, sendo que às vezes esse também é o caso de outras culturas.



Na Figura 1, há fotos da produção de sementes por sementes, corte, enxerto e propagação in vitro.

Substratos para Propagação de Maracujá
Para sustentar a produção de culturas perenes que demandam o uso de materiais propagativos em viveiros, algumas tecnologias ocorreram longe dos viveiros, mas também impactaram a atividade até o ponto de melhorar a produção e até chegar aos consumidores mais distantes das plantas produtivas.
A Internet tem sido uma aliada porque por meio dela é possível buscar novas tecnologias, que por sua vez, são incorporadas e adaptadas à realidade local, permitindo a expansão do número de clientes e também que os problemas sejam abordados de forma contextualizada, o que permite que detentor da tecnologia e cliente gerem as soluções necessárias e mantenham as atividades.
Em 1995, iniciou-se a fabricação tubos de polietileno rígidos, primeiro para atender a silvicultura e depois adaptaram-no para uso pelo setor de frutas tradicional.
Deste modo, surgiram as primeiras bandejas para cultivo e armazenamento de mudas para o setor de horticultura.
No início do século 21, a China desenvolveu recipientes de polietileno apropriados para acomodar qualquer tamanho de planta (mesmo em fase produtiva), se adaptando as necessidades do setor e disponibilizando envazes de 0,8 a 110 litros de capacidade.
A partir daí muitas indústrias de substrato foram gradualmente emergindo em todas as regiões agrícolas, bem como o de maquinário e investimento em tecnologias para acelerar o processo de compostagem, permitindo, também, ao agricultor o melhor uso dos insumos que poderiam ser gerados em sua propriedade.
Paralelo, a indústria de fertilizantes químicos também acompanhou essa evolução, e apresentou novos fertilizantes para uso específico em tubetes, gel para aumentar o pegamento das mudas após o plantio, entre outras, permitindo maior profissionalização do segmento produtivo.
A imitação do hábitat natural de cada planta, o conhecimento profundo da cultura dentro e fora do viveiro, o conhecimento e uso das janelas climáticas apropriadas para cada operação, somadas ao seu conhecimento sobre as exigências de cada passiflora, que não são iguais, são estratégias que os viveiristas utiliza para adaptar e definir o melhor substrato de cultivo para cada espécie.
No entanto, um profissional com maior experiência procurará um substrato que:
a. Fácil de encontrar nas proximidades do viveiro;
b. Não possua fungos, bactérias ou outros patógenos;
c. Que tenha qualidades físicas e se não, ser misturado com outros materiais também baratos para obter a qualidade necessária;
d. Boa aeração;
e. Boa capacidade de reter a umidade;
f. Livre de sementes de ervas daninhas
g. Que apresente granulometria uniforme.
Para uso em canteiros, canteiros para estacas ou bandejas, o recomendado é a compra de substratos processados na fábrica, além da adição de areia lavada com granulometria média.
Mas se o produtor optar por usar sacolas envases maiores ou outras embalagens maiores para o melhor, use sua criatividade para diminuir o custo de produção.
Formulações para Substratos
A fim de garantir um perfeito desenvolvimento das mudas e sucesso das futuras colheitas devido às perdas de chorume, fazemos as recomendações de Yamazoe, G. que são seguidas nas tabelas 6 e 7.


Em ambos os casos, estes elementos devem estar bem misturados com todo o conteúdo e é aconselhável adicionar água até ficar hidratado a cerca de 18% de humidade e depois levar os recipientes. Solos secos cairão pelo fundo dos pratos e muita umidade dificultará o enchimento.
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Fonte
MORERA, Marisol Parra; COSTA, Ana Maria; FALEIRO, Fábio Gelape; CARLOSAMA, Adalberto Rodríguez; CARRANZA, Carlos. Maracujá: dos recursos genéticos ao desenvolvimento tecnológico. 1ª ed. Brasília – DF: ProImpress, 2018.
