Clima

Frio reduz consumo de melancia

Com o avanço da massa de ar frio e os dias mais amenos, o consumo da fruta perdeu ritmo. Isso acontece porque a melancia tem forte relação com o calor.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
melancia
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O mercado da melancia começou a sentir os efeitos da queda nas temperaturas no Sul e Sudeste do Brasil. Segundo levantamento do Hortifrúti/Cepea, os preços da melancia graúda, acima de 12 quilos, recuaram na última semana devido à diminuição da demanda nos principais centros consumidores do País.

Com o avanço da massa de ar frio e os dias mais amenos, o consumo da fruta perdeu ritmo. Isso acontece porque a melancia tem forte relação com o calor. Em períodos de temperaturas mais baixas, supermercados, atacadistas e feiras costumam registrar menor saída do produto, reduzindo o volume de compras junto aos produtores e distribuidores.

Mesmo com a retração nas cotações, os preços ainda permanecem em patamares considerados elevados pelo mercado. De acordo com pesquisadores do Cepea, a fruta segue sendo comercializada acima de R$ 2,00 por quilo em muitas negociações.

Esse comportamento acontece porque a oferta nacional ainda está restrita. Atualmente, a região de Uruana, em Goiás, é uma das principais responsáveis pelo abastecimento da melancia no mercado brasileiro. Com poucas regiões em pico de produção neste momento, a disponibilidade limitada impede quedas mais bruscas nos preços.

Para os próximos dias, porém, a expectativa continua sendo de pressão negativa nas cotações. A previsão climática indica continuidade das temperaturas mais baixas no Sul e Sudeste, cenário que deve manter o consumo mais lento.

Na prática, isso afeta diretamente o planejamento do produtor. Quem está colhendo agora pode enfrentar maior dificuldade para negociar volumes maiores, principalmente nos mercados atacadistas. Em momentos assim, qualidade e logística fazem diferença ainda maior na comercialização.

Frutas com melhor padrão visual, boa firmeza e coloração uniforme tendem a manter maior competitividade mesmo em mercados desaquecidos. Além disso, produtores que conseguem organizar melhor o escalonamento da colheita evitam excesso de oferta concentrada em poucos dias, reduzindo pressão sobre os preços.

Outro ponto importante é acompanhar o comportamento climático nas regiões consumidoras. Uma nova elevação das temperaturas pode reaquecer rapidamente a demanda pela fruta, principalmente em capitais do Sudeste e do Centro-Oeste.

Para quem trabalha com hortifrúti, o momento também reforça a importância do planejamento comercial. Em períodos de clima mais frio, frutas tradicionalmente associadas ao verão costumam perder velocidade de venda, enquanto outros produtos ganham espaço no varejo.

🔧 Uma orientação prática importante neste momento é monitorar diariamente o ritmo de saída da fruta antes de acelerar novas colheitas. Ajustar o volume enviado ao mercado ajuda a evitar perdas por excesso de oferta e pode melhorar a rentabilidade da lavoura, principalmente em semanas de consumo mais fraco.

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