Falta de chuva preocupa cacau na África
A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau e qualquer problema climático no país costuma impactar diretamente o mercado internacional e os preços da commodity.
Produtores de cacau da Costa do Marfim estão preocupados com o avanço irregular das chuvas durante a reta final da safra intermediária de 2026. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, o clima abaixo do esperado em grande parte das regiões produtoras já levanta dúvidas sobre o tamanho e a qualidade da produção nos próximos meses.
A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau e qualquer problema climático no país costuma impactar diretamente o mercado internacional e os preços da commodity.
De acordo com agricultores entrevistados pela Reuters, as chuvas seguem mal distribuídas mesmo durante o período chuvoso oficial, que normalmente vai de abril até meados de novembro. Com exceção da região de Daloa, no centro-oeste do país, a maioria das áreas produtoras recebeu volumes abaixo da média histórica.
Nas regiões de Soubré, Agboville, Divo e Abengourou, os produtores relatam que o calor intenso e a baixa umidade do solo estão aumentando o estresse das plantas justamente numa fase importante do enchimento das amêndoas.
Em Soubré, por exemplo, foram registrados apenas 15,2 mm de chuva na última semana, volume 13,4 mm abaixo da média dos últimos cinco anos.
Segundo os agricultores locais, as próximas duas semanas serão decisivas para definir o potencial produtivo da safra. Caso as chuvas não avancem até o fim de junho, o risco é de formação de grãos menores, redução de produtividade e perda de qualidade do cacau.
Apesar da preocupação climática, os produtores afirmam que ainda há volume suficiente de frutos para sustentar a colheita até o início de julho. A expectativa é de aumento gradual da chegada de amêndoas ao mercado nas próximas semanas conforme o ritmo da colheita acelera.
Em algumas regiões, o tempo mais seco também vem favorecendo a secagem pós-colheita das amêndoas, etapa fundamental para garantir qualidade comercial e evitar problemas de fermentação.
O cenário climático na África segue sendo acompanhado de perto pelo mercado internacional porque qualquer redução na oferta da Costa do Marfim pode influenciar os preços globais do cacau, inclusive no Brasil.
Nos últimos dias, os contratos futuros do cacau registraram forte valorização nas bolsas internacionais diante das preocupações com o clima e das incertezas sobre a produção global.
Para o produtor brasileiro, especialmente quem atua com cacau na Bahia, no Pará e em novas regiões produtoras, o movimento internacional pode abrir espaço para maior valorização do produto caso os problemas climáticos africanos persistam ao longo da safra.
🔧 Orientação prática:
Se você produz cacau, este é um momento importante para acompanhar o mercado internacional e revisar o manejo hídrico da lavoura. Em períodos de instabilidade climática global, qualidade e regularidade de entrega tendem a ganhar ainda mais valor no mercado comprador.