Etapas de Implantação do Maracujá no Sul do Brasil
Escolha do Local
Ao escolher o local para implantação do pomar, deve-se dar preferência às áreas planas, com proteção natural de ventos fortes, e evitar aquelas com histórico de doenças no cultivo de maracujá. Também devem ser evitadas áreas sujeitas a geadas, como baixadas e com face sul, com solos mal drenados e declividade acentuada, e áreas próximas de cultivos nos quais são utilizados herbicidas que apresentem risco de deriva, principalmente 2,4-D.

Quebra-vento
Recomenda-se a utilização de quebra-vento para minimizar a ação do vento e suas consequências, principalmente sobre a sanidade dos pomares. Não havendo disponibilidade de área com quebra-vento pré-estabelecido, sua implantação deve ser realizada com pelo menos seis meses de antecedência, de forma a oferecer proteção às mudas no momento em que forem plantadas, mantendo-se distância mínima de cinco metros da linha de plantio do maracujazeiro. O capim-elefante, cv. Cameroon (Figura 4), tem sido bastante utilizado e apresentado bons resultados.

Correção do Solo
O uso de corretivos deve ser definido com base no resultado da análise química do solo, coletado, preferencialmente, em duas profundidades (0-20 cm e 20-40 cm). Quando a saturação por bases (V%) na camada de 0-20 cm for inferior a 60%, deve-se realizar calagem para elevá-la a 70%.
De acordo com o resultado da análise química, deve-se optar por calcário dolomítico ou calcítico ou a composição de ambos, visando manter o equilíbrio entre cálcio e magnésio no solo. Na camada de 20-40 cm, a presença de teores elevados de alumínio (saturação acima de 50%) e/ou muito baixos de cálcio indicam que o uso do gesso deve ser considerado, nesse caso aplicado associado à calagem. Os corretivos devem ser aplicados em área total antes do preparo do solo, no mínimo três meses antes do plantio.
Preparo do Solo
Dependendo das condições químicas e físicas do solo, seu preparo poderá ser em área total ou mínimo, utilizando-se aração (20 cm de profundidade) e gradagem. Não havendo restrições químicas (teor elevado de alumínio e/ou baixa saturação por bases) e físicas (presença de compactação), o preparo poderá ocorrer em faixas, nas quais se revolve o solo apenas nas linhas de plantio, mantendo-se as entrelinhas vegetadas.
Em áreas que já apresentam condições adequadas de fertilidade e sem problema de compactação, não é necessário revolver nem mesmo as linhas de plantio, fazendo-se, nesse caso, apenas um bom preparo da cova.
Preparo das Covas
A forma mais prática e econômica de preparar as covas é abrir com sulcador, em toda a extensão da linha de plantio, sulcos com 30-50 cm de profundidade. Após a marcação dos pontos de plantio no sulco, deve-se aplicar e misturar os adubos com a terra e fechar as covas, aguardando o plantio das mudas.
As covas também podem ser abertas individualmente, com a dimensão mínima de 30 cm de profundidade e 40 cm de largura. Na sua adubação, deve-se utilizar 200-400 g de superfosfato simples (de acordo com o teor de fósforo no solo), 250 g de calcário dolomítico e 40 g de cloreto de potássio.
É importante utilizar também adubo orgânico, cuja quantidade vai depender da fonte utilizada. No caso de esterco de bovino, deve-se utilizar em torno de 10 litros por cova, e de esterco de galinha ou cama de frango, em torno de 5 litros por cova.
As covas devem ser preparadas pelo menos 20 dias antes do plantio das mudas, sendo importante que as mesmas recebam chuva ou sejam molhadas após o fechamento, possibilitando o assentamento da terra e a fermentação do adubo orgânico, caso este ainda não esteja bem curado.
Sistemas de Condução
O maracujazeiro necessita de condução por ser uma planta trepadeira e de crescimento rápido. O sistema de espaldeira vertical com um fio de arame é o mais utilizado, por ser mais barato e facilitar a polinização manual e os tratos culturais e fitossanitários (Figuras 5 e 6). O fio de arame liso deve passar pelos furos dos palanques a 1,90 m do solo e ser esticado com catraca.


Os palanques das cabeceiras devem ter, aproximadamente, 3,0 m de altura e 0,20 m de diâmetro e os intermediários 2,50 m de altura e 0,12 m de diâmetro, distanciados, no máximo, 12,0 m entre si. A cada 6,0 m é necessário utilizar palanques de apoio, como estacas de bambu gigante ou palanques de madeira. Tutores de bambu também podem ser utilizados como apoio e linhas muito extensas (máximo de 80,0 m) devem ser evitadas, pois dificultam o manejo das plantas e o escoamento da produção.
Sempre que possível, a instalação da espaldeira deve seguir a orientação leste-oeste, que permite insolação mais homogênea dos dois lados da planta e evita a queimadura de frutos pela exposição frontal ao sol (Figura 7).

Outro sistema de condução é em latada ou caramanchão (Figura 8), cuja utilização tem sido mais frequente em regiões com alta população de agentes polinizadores naturais, como o litoral paranaense. Nessa região, esse sistema é utilizado em sucessão à cultura do chuchu.

No Norte do Paraná, alguns produtores utilizam o sistema em latada na combinação de uva e maracujá, no qual este é cultivado por uma safra, durante o período de formação dos porta-enxertos da uva; porém, se sua rentabilidade estiver alta e o pomar apresentar boas condições fitossanitárias, atrasa-se a enxertia da uva, deixando o maracujá produzir por mais uma safra.
Embora apresente maior produtividade do que outros sistemas de condução e menor custo com controle do mato, o sistema em latada tem como desvantagens: maior custo de instalação; dificuldade de polinização; maior incidência de doenças, diminuindo a longevidade do pomar; maior dificuldade no tratamento fitossanitário; e, maior dificuldade na colheita dos frutos, que ficam presos entre os ramos.
Portanto, em áreas com histórico de doenças fúngicas e bacterianas, como também em regiões onde há necessidade de polinização manual, é imprescindível que o sistema de condução seja em espaldeira.

Espaçamento e Densidade
Entre plantas, na linha de plantio, recomenda-se o espaçamento de 2,0-3,0 m. Nas entrelinhas, deve-se utilizar o espaçamento de 2,5-3,0 m quando a pulverização é feita com pulverizador (atomizador) costal, podendo chegar a 4,0 m quando se utiliza trator associado a outros implementos. No menor espaçamento (2,0 m x 2,5 m) a densidade é de 2.000 plantas por hectare e no maior (3,0 m x 4,0 m) é de 833 plantas por hectare. Contudo, o mais utilizado é o de 3,0 m x 3,0 m, cuja densidade é de 1.111 plantas por hectare.
Plantio
O maracujazeiro pode ser plantado no período de agosto a março. Entretanto, nessas regiões, a maior eficiência econômica do pomar é obtida com o plantio realizado nos meses de janeiro a março (plantio de verão) ou em agosto/setembro (plantio de inverno).
O plantio de outubro a janeiro não é adequado, por não permitir produção economicamente viável de frutos no primeiro ciclo de cultivo, com aumento dos custos e baixa produtividade. Por sua vez, em regiões com maior risco de geada, o plantio deve se restringir apenas aos meses de agosto/setembro.
Nos meses de abril a julho, o plantio não é recomendado, pois nesse período, que coincide com o outono/inverno, a planta apresenta baixo desenvolvimento vegetativo e fica suscetível a fatores adversos como ventos frios e geadas. Antes do plantio, as mudas devem ser expostas ao sol aos poucos, para aclimatação. No momento do plantio (Figura 9), deve-se retirar a muda da embalagem e após isso, para facilitar a irrigação até garantir o pegamento das mudas, recomenda-se o coroamento das covas.

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Fonte
DE CARVALHO, Sergio Luiz Colucci, STENZEL, Neusa Maria Colauto; AULER, Pedro Antonio Martins. Maracujá-Amarelo: Recomendações Técnicas para Cultivo no Paraná. 1ª ed. Londrina – PR: IAPAR, 2015.