Clima

Doenças que Afetam o Sistema Radicular do Maracujazeiro

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
Doenças que Afetam o Sistema Radicular do Maracujazeiro
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Entre os problemas fitossanitários estão as doenças causadas por vírus, as por fungos e as por bactérias, além dos insetos, dos ácaros e das nematoides que depreciam a qualidade do fruto, diminuindo seu valor comercial, e que também reduzem a produtividade e a longevidade da cultura. Diante desse cenário, o manejo integrado de pragas doenças da cultura do maracujazeiro é essencial em todos os sistemas de cultivo.

Segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, “praga é qualquer espécie, raça ou biótipo de vegetais, animais ou agentes patogênicos, nocivos aos vegetais ou produtos vegetais”. Neste contexto, “o termo praga compreende animais (insetos, ácaros e nematoides), doenças (causadas por fungos, bactérias, vírus e viroides) e, até mesmo, as plantas daninhas”.

Dentre as principais doenças que afetam o sistema radicular do maracujazeiro, temos: a fusariose e a podridão-do-colo.

1. Fusariose ou Murcha (Fusarium oxysporum f. sp. passiflorae ou Fusarium solani)

Sintomas (Fusarium oxysporum f. sp. passiflorae)

O primeiro sintoma observado é a murcha repentina da planta, indicando que as partes do caule próximas ao solo e às raízes apresentam rachaduras e apodrecimento, ocorrendo a morte da planta em poucos dias. Normalmente, as plantas adultas, em produção, são mais afetadas (Figura 1A), mas pode-se registrar a doença em qualquer fase do desenvolvimento da planta. Os sintomas aéreos são também chamados de sintomas reflexos, porque é o primeiro indício do quadro sintomatológico total, com a morte da planta (Figuras 1B, C, D, E). As folhas murchas geralmente permanecem fixas nas plantas por alguns dias (Figuras 1B, C, D, E). Os sintomas internos do caule são escurecimento ou avermelhamento dos vasos do xilema (Figuras 1F, G, H) e, externamente, uma podridão seca da casca (Figura 1I).

Fatores e condições favoráveis à doença

A penetração do fungo nas raízes e na parte imediatamente acima do solo (hipocótilo) da planta hospedeira ocorre principalmente via ferimentos. F. oxysporum f. passiflorae pode ser disperso dentro da lavoura ou para outra área, de várias formas: por meio de solos infestados aderidos a pneus de máquinas, implementos agrícolas, calçados, animais, ou de água de enxurrada ou irrigação etc.

Controle

O controle inicia-se antes do plantio. A lavoura deve ser instalada em terrenos onde ainda não houve cultivo de maracujá, ou onde ainda não tenha ocorrido murcha de Fusarium. Por ser esse fungo habitante do solo, é fundamental evitar sua entrada na lavoura ou na propriedade.

Outras ações envolvem a obtenção de sementes e mudas sadias, limpar e desinfestar os implementos agrícolas e pneus de máquinas que tenham trabalhado em outras lavouras de maracujá ou em terrenos onde tenha ocorrido a doença, uso de rotação de culturas, evitar ferimentos no colo da planta e o corte de raízes, desinfestar substrato, eliminar as plantas atacadas, que devem ser destruídas nas próprias covas (sem retirá-las do local), plantio de mudas mais velhas que são mais resistentes que as mudas novas e quando disponível, utilizar porta-enxertos resistentes.

Sintomas (Fusarium solani)

Este fungo não circula na seiva da planta. Não tem ação sistêmica como o anterior. Os sintomas são cancros localizados nos tecidos do colo e das raízes das plantas (Figura 2). Inicialmente, observam-se rachaduras isoladas na casca, que se juntam formando extensas áreas em decomposição, com aspecto corticoso, saliente, deixando expostos os tecidos do âmago do caule (câmbio). As raízes mais profundas não são afetadas e, às vezes, permanecem sem lesões, apodrecendo, posteriormente, devido à lesão do colo da planta. As folhas, inicialmente murchas, enrolam-se, amarelecem, tornam-se marrons e depois caem, resultando em intenso desfolhamento. São observados cancros localizados, inicialmente, nos tecidos do colo e, posteriormente, nas raízes das plantas atacadas.

Fatores e condições favoráveis à doença

A doença ocorre em focos, disseminando-se de uma planta para outra de forma radial. Maior incidência do fungo se verifica em temperaturas que oscilam entre 19 e 25ºC. Existe a possibilidade de transmissão da doença por meio de sementes.

Controle

Retirar as sementes de boas matrizes, pois existe a possibilidade de transmissão da doença por meio delas se contaminadas. Instalar os pomares em terrenos pouco arenosos. Manter uma boa drenagem do solo. Isolar a área foco, eliminando, do local, as plantas doentes, usar menores quantidades de nitrogênio e potássio na fórmula de adubação. Não colocar esterco ou qualquer outro material orgânico em contato com o pé da planta. Utilizar de porta-enxerto resistente. Neste contexto, plantas enxertadas apresentam, em geral, uma menor produtividade quando comparadas a pé franco.

2. Podridão-do-Colo (Phytophthora nicotianae var. parasítica)

Sintomas

Os sintomas de murcha são resultantes de uma podridão seca e corticosa, observada no colo da planta. Nessa região, os tecidos tornam-se intumescidos, com rachaduras (Figura 3A). Em estado avançado, a casca apresenta-se marrom-avermelhada, com os tecidos firmes e aderidos ao tecido interno lenhoso, que também mostra apodrecimento marrom (Figura 3B) advindo, este, da morte da planta. Em situações adversas de umidade do ar e do solo, observa-se a formação de um calo cicatricial, de onde podem emergir raízes sadias (Figura 3C). A morte da planta é lenta.

Fatores e condições favoráveis à doença

A doença ocorre em focos, disseminando-se de uma planta para outra. O patógeno prefere solos argilosos, pesados, encharcados, com áreas ricas em matéria orgânica. Em condições de campo, ocorre maior incidência da podridão-do-colo em temperaturas entre 26 e 30ºC, associadas à umidade relativa em torno de 85%. O fungo invade e coloniza intensamente as células da casca, que se torna marrom. As células dos vasos de condução da seiva também são intensamente invadidas, mas a doença não é sistêmica.

Controle

Utilizar sementes sadias e mudas de viveiros idôneos, manter uma boa drenagem do solo, isolar a área foco, eliminando, no local, as plantas doentes, no transplantio das mudas para o campo, atentar para a posição correta da muda, ou seja, a região do coleto (transição entre o sistema radicular e o caule) deve estar no nível da superfície do solo.

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Fonte

EMBRAPA. Guia de Identificação e Controle de Pragas na Cultura do Maracujazeiro. Brasília – DF: EMBRAPA, 2017.

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