Componentes do Sistema de Irrigação por Aspersão
Um sistema de irrigação por aspersão é composto basicamente por: estação de bombeamento, uma ou mais linhas principais, linhas laterais ou ramais, aspersores e acessórios da rede hidráulica. A seguir será feita uma abordagem geral sobre os componentes do sistema.
Aspersores
Em geral, os aspersores podem ser classificados com base em distintos aspectos, a saber: velocidade de rotação, mecanismo de rotação e pressão de serviço.
Classificação quanto a velocidade de rotação
- de alta rotação: velocidade acima de 6 rpm; são usados em jardins, hortas e viveiros;
- de baixa rotação: velocidade de 1/4 até 3 rpm; são os de uso geral em agricultura. Para uma mesma pressão, os de baixa rotação conseguem maior alcance que os de alta rotação, permitindo que os aspersores tenham maior espaçamento entre eles.
Classificação quanto ao mecanismo de rotação
- de reação: quando a inclinação do bocal de saída origina a rotação;
- de turbina: quando o jato de água emitido pelo aspersor incide sobre uma turbina, originando a rotação; e,
- de choque: quando o jato incide sobre um braço mecânico com uma mola, que faz girar o aspersor de forma intermitente. O aspersor pode ser de rotação completa ou, mediante um mecanismo especial pode mover-se somente em um setor circular; são chamados de aspersores setoriais.
Classificação quanto à pressão de serviço do aspersor
- de baixa pressão (menos de 250 kPa): são aspersores com diâmetro de bocal menor que 4 mm, com vazão menor que 1 m3 h-1, com rotação por choque. São adequados para operarem com 12 m de espaçamento entre eles, e utilizados em jardinagem, irrigação de hortaliças e para irrigação em fruteiras operando sub-copa, aplicando água bem próximo à superfície do solo. Também podem ser utilizados em sistemas de cobertura total anti-geada;
- de média pressão (de 250 a 400 kPa): são aspersores com um ou dois bocais com diâmetros entre 4 e 7 mm, emitindo vazões entre 1 e 6 m3 h-1; e,
- de alta pressão (acima de 400 kPa): são aspersores tipo canhão com 1, 2 ou 3 bocais e vazões entre 6 e 40 m3 h-1, estando disponíveis canhões que podem superar 200 m3 h-1. O mecanismo de rotação pode ser de choque ou de turbina, com alcance entre 25 e 70 m. Os de longo alcance podem apresentar baixa uniformidade de distribuição ao ser afetado por ventos. Um outro detalhe importante é que esses aspersores de grande porte ficam limitados à pouquíssimas culturas devido ao tamanho da gota e a grande altura de queda poder causar danos ao solo nu ou à cultura.
OBS: 1 atm = 1 kg cm-2 = 10,33 mca = 101,3 kPa.
Tubulações
Os materiais utilizados nas tubulações para um sistema de irrigação por aspersão são quase que totalmente em PVC rígido.
Somente na linha principal do sistema pode haver a necessidade de se utilizar em algum trecho da rede tubos em aço zincado ou aço galvanizado quando se necessitar de diâmetros superiores à 4 polegadas.
Atualmente só estão disponíveis no mercado nacional tubos em PVC rígido em 2, 3 e 4 polegadas com conexão por engate rápido e com comprimento padrão de 6 m. No dimensionamento das linhas laterais ou ramais, só se utilizam tubos em PVC, principalmente em sistemas semifixos ou móveis.
Somente em casos especiais e por conveniência do projeto, pode-se pensar na possibilidade da utilização de tubos em aço nas linhas laterais.
Motobomba
O conjunto motobomba utilizado na irrigação por aspersão é formado por bombas de pressão ou centrífugas de eixo horizontal ou do tipo turbina, e por motores elétricos ou de combustão.
Os detalhes sobre a seleção do conjunto que melhor se adapta às necessidades do projeto já foi objeto de estudo na disciplina de hidráulica, pré-requisito para o estudo de irrigação.
Acessórios
Os acessórios utilizados em um sistema de irrigação por aspersão são aqueles inerentes à qualquer instalação hidráulica, ou seja, são necessários registros, válvulas, manômetros, curvas, tês ou cruzeta para derivação, tubo de subida para o aspersor com tripé, tampão final (para o fechamento no final da tubulação), e outros que se fizerem necessários.
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Fonte
MELLO, Jorge Luiz Pimenta; DA SILVA, Leonardo Duarte Batista. Irrigação. 1ª ed. Seropédica - RJ: UFRRJ, 2009.