A Água para a Cultura do Tomate
A água é um dos fatores mais importantes para a produção das culturas. Além da sua participação na constituição celular e nos diversos processos fisiológicos na planta, ela está diretamente relacionada aos processos de absorção de nutrientes e resfriamento da superfície vegetal (CARRIJO; MAROVELLI; SILVA, 1999).
Todos os processos fisiológicos da célula são direta ou indiretamente afetados pelo fornecimento de água. Ou seja, as atividades metabólicas e o crescimento celular estão associados ao teor de água no protoplasma.
A água tem diversas funções dentro da planta, porém as mais importantes são as seguintes: constituinte do protoplasma, solvente de substâncias, reagente e produto, manutenção de estruturas moleculares, manutenção de turgidez (turgescência) e temorreguladora (MARENCO; LOPES, 2005).
O suprimento de água às plantas é de fundamental importância no crescimento e produção econômica.
A deficiência de umidade no solo altera vários processos bioquímicos e fisiológicos nas plantas e induz a respostas metabólicas e fisiológicas, como fechamento estomático, declínio na taxa de crescimento, acúmulo de solutos e antioxidantes e expressão de genes específicos de estresse (SINGH-SANGWAN et al., 1994, apud CARVALHO, 2001).
A disponibilidade de água no solo depende das propriedades da planta, propriedades do solo e das condições micrometeorológicas.
A água disponível às plantas é aquela presente em condições de ser prontamente absorvida pelas raízes, ou seja, é o teor de água retido pelo solo entre a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente (WINTER, 1988).
Segundo Kudrev (1994), a deficiência hídrica interrompe o processo de crescimento não só por diminuir o acúmulo de massa fresca e seca mas também por alterar o processo de crescimento e acelerar os processos catabólicos.
Entre os estresses ambientais, a deficiência hídrica destaca-se como fator adverso ao crescimento e produção vegetal.

Quando existe carência de água nas plantas, os estômatos tendem a se fechar. A perda de água pode reduzir o potencial hídrico das plantas, causando redução na turgescência, condutância estomática, fotossíntese e, finalmente, menor crescimento e produtividade (LARCHER, 2000), principalmente por ser o veículo que transporta os nutrientes nas plantas.
Assim sendo, a sua carência temporal, além de provocar ou poder provocar redução no crescimento vegetativo, pode também, no caso do tomate, provocar distúrbios fisiológicos, como o da podridão apical em frutos (RODRIGUEZ; RODRÍGUEZ; JUAN, 1984).
A necessidade de água das plantas varia com a sua fase de desenvolvimento e com as condições climáticas locais.
Plantas jovens consomem menos água que adultas em pleno desenvolvimento. Além disso, aquelas cultivadas em local de clima seco e quente necessitam, diariamente, de maior quantidade de água em comparação com outras cultivadas em ambientes úmidos e com temperaturas amenas (OLIVEIRA; TAGLIAFERRE, 2005).
Além do estádio fenológico, o efeito do estresse hídrico sobre o rendimento da cultura depende do tempo de duração desse estresse.
Para o tomate, o maior efeito ocorre durante o período de floração e frutificação, quando um baixo estresse hídrico pode causar uma queda no número de frutos por área (PRIETO; RODRIGUEZ, 1994; ALVARENGA, 2004).
Entretanto, não pode haver água em excesso a ponto de saturar o solo e prejudicar a oxigenação da zona radicular do tomateiro (ALVARENGA, 2004).
Por outro lado, no estádio de amadurecimento, a ocorrência de um ligeiro estresse hídrico, além de não causar perda significativa do rendimento, pode até melhorar a qualidade dos frutos, no que se refere ao aumento do teor de sólidos solúveis, como verificado em frutos de tomate para indústria (MAY; WOLCOTT; PETERS, 1990; PRIETO, 1996).
Os estádios de desenvolvimento do tomateiro, de um modo geral, são os seguintes (MAROuELLI et al., 1996):
- estádio I: da emergência até 10% do desenvolvimento vegetativo;
- estádio II: do final do estádio I até 70 a 80% do desenvolvimento vegetativo (início de florescimento);
- estádio III: entre o florescimento e o início da maturação dos frutos;
- estádio IV: desde o final do estádio III até a colheita.
A duração de cada fase irá depender da época de plantio e das condições climáticas locais, influenciando, portanto, no manejo da irrigação. Associados a essas fases, devem-se considerar aspectos do desenvolvimento da planta, principalmente o das raízes (Tabela 1), órgão responsável pela absorção de água e nutrientes.

Em irrigação, normalmente não se considera todo o perfil do solo explorado pelo sistema radicular das plantas, mas apenas a profundidade efetiva, que deve conter de 80 a 90% do sistema radicular.
Sua determinação para fins de manejo da irrigação é fundamental; a adoção de valores maiores que os reais podem implicar a aplicação de grandes quantidades de água com consequências indesejáveis, enquanto valores menores podem resultar em aplicações deficientes e em turnos de rega muito pequenos (MAROUELLI et al., 1996).
O conhecimento dessas fases do desenvolvimento da planta é fundamental para o manejo da água para a cultura e para auxiliar o planejamento das irrigações.
Após o transplantio até o final do período vegetativo (25 a 30 dias iniciais do ciclo), o tomateiro apresenta o sistema radicular concentrado nos primeiros 25 cm da superfície do solo.
Com o início da frutificação, o crescimento radicular acentua-se, explorando efetivamente os 40 cm de profundidade, com cerca de 90 a 95% das raízes concentradas nessa faixa do solo (OLIVEIRA; CALADO; PORTAS, 1996).
Esse período após o transplantio caracteriza-se como uma fase de crescimento pouco intenso e pouca demanda por nutrientes e água, cuja ênfase deva ser pela formação de um sistema radicular vigoroso.

Em seguida, há o início da fase reprodutiva (floração e frutificação), ocorrendo a produção de cachos florais, com posterior formação e enchimento simultâneo de vários cachos de frutos. Intensificam-se as taxas de crescimento e absorção de nutrientes e água, com pico máximo em torno de 70 a 80 dias de idade, consistindo em aproximadamente 45 a 50 dias.
Finalmente, com a maturação e colheita dos frutos, que dura de 25 a 45 dias, há uma diminuição das necessidades hídricas e nutricionais.
Essa fase depende da longevidade das plantas, variando em função da forma de condução, do trato fitossanitário, do número de cachos por planta, entre outros fatores (GUIMARÃES; FONTES, 2003).
De maneira geral, entre o transplante e o aparecimento dos primeiros cachos, as irrigações devem ser menores ou mais escassas, sendo que paulatinamente a demanda de água vai aumentando até chegar a um máximo quando a planta adquire um tamanho de aproximadamente 2,0 m (RODRIGUEZ; RODRÍGUEZ; JUAN, 1984).
Pelos fatos relatados, de um modo geral, a deficiência de água, durante o período de estabelecimento da cultura retarda o desenvolvimento e produz uma planta menos vigorosa, e consequentemente há uma redução do rendimento.
Mesmo em períodos menos críticos, o déficit hídrico notado pela planta traz consequências para o seu rendimento futuro.
Atraso no início das irrigações podem também causar perdas significativas na produção de frutos, como verificado por Prieto (1996), ao estudar um atraso de duas semanas no início das irrigações em tomate rasteiro.
Nessas condições, verificou-se uma redução de 19,5% na produção de frutos em relação à média dos tratamentos iniciados pelo cálculo da demanda normal de água pela cultura.
Essa perda foi atribuída a uma redução na capacidade de interceptação da radiação solar, devido à redução da área foliar da planta e, consequentemente, pelo decréscimo no número de frutos e menor peso médio.
Em termos de rendimento do tomateiro, a disponibilidade de água exerce efeito direto sobre o desenvolvimento das flores e, posteriormente, no crescimento do fruto e sobre seu padrão de qualidade, no que se refere aos distúrbios rachadura e podridão apical.
Assim como sob deficiência hídrica há redução do número de flores por cacho e, consequentemente, da produtividade do tomateiro (WUDIRI; HENDERSON, 1985). O excesso de água, além de atrasar a iniciação floral, também reduz o número de flores e frutos (KINET; PEET, 1997).
Quanto à rachadura do tomate, a causa básica é associada ao influxo rápido de solutos e de água no fruto, normalmente na época do amadurecimento, quando a força e a elasticidade da pele é reduzida (PEET, 1992), e a pressão manométrica dos tecidos do lóculo é incrementada (ALMEIDA; HUBER, 2001).
Em frutos verdes, as rachaduras podem ocorrer, mas são minúsculas, expandindo-se posteriormente durante o amadurecimento.
Abaixando a umidade do solo, tende-se a aumentar a rigidez da pele do fruto, ocorrendo o inverso ao aumentar a umidade (KAMIMURA et al., 1972, apud KINET; PEET, 1997).
Já para a podridão apical, há inúmeras maneiras através das quais a umidade no solo pode promover esse distúrbio pelo suprimento de cálcio nas plantas, pois tanto a sua concentração quanto a sua mobilidade estão envolvidas.
Aumentando-se o teor de umidade, há uma diminuição na concentração de íons na solução do solo, sendo a de cálcio mais reduzida que as dos íons monovalentes, como resultado do fenômeno de troca catiônica.
Entretanto, a quantidade total de cálcio dissolvido e a sua mobilidade são aumentadas. O contrário acontece à medida que o solo vai secando.
Esse fato é agravado principalmente se o solo é pobre em cálcio. Por outro lado, a excessiva umidade do solo também pode promover a incidência de podridão apical.
Neste caso, a rápida lixiviação de cálcio para fora do raio de ação do sistema radicular ou as condições anaeróbias, inibindo a absorção de cálcio e água, é considerada como a responsável pelas possíveis deficiências do nutriente (GERALDSON, 1967).

Como o cálcio é transportado somente nos vasos do xilema quando a absorção de água e a transpiração pela planta são reduzidas, a absorção de cálcio é afetada de forma proporcional (KINET; PEET, 1997).
A perda de água pela transpiração é incrementada com a diminuição da umidade relativa do ar (maior déficit de pressão de vapor), especialmente quando acompanhada por altas temperaturas e irradiância, provocando competição entre folhas e frutos por água.
Ou seja, o suprimento adequado de água no solo é fundamental para reduzir esse distúrbio fisiológico.
Associada ao sistema de irrigação deve-se considerar a qualidade da água. Assim como para qualquer cultura, a água a ser usada na irrigação do tomateiro deve ser livre de contaminação, visando evitar que seja veículo de transmissão de doenças ao consumidor.
Esse cuidado deverá ser adotado mesmo que o sistema de irrigação seja por infiltração em sulcos (MANZAN, 1980; ALVARENGA, 2004).
Deve-se também considerar o teor de sais, que deve ser inferior a 1,5 g/l (equivalente à condutividade elétrica inferior a 2,2 dS/m), e de íon (cloreto inferior a 200 mg/l) (ALVARENGA, 2004).
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Fonte
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. Tomate. Vitória - ES: Incaper, 2010.