Trigo sobe com safra incerta e qualidade pior
Chuvas em excesso comprometem grãos, reduzem PH e força do glúten; colheita no Paraná e em São Paulo já registra trigo tipo 2 e 3 e menos disponibilidade do tipo 1
Se você planta trigo, o momento exige atenção. Os preços continuam subindo no Brasil, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), no boletim do dia 22 de setembro de 2026.
O motivo é a incerteza sobre a safra de 2026. As dúvidas envolvem a qualidade dos grãos, o rendimento e o volume a ser produzido.
O clima desfavorável ao longo do ciclo tem comprometido as lavouras. O excesso de chuvas, o aumento da umidade do solo e a ocorrência de doenças em diversas regiões estão entre os problemas.
Em algumas localidades, o resultado é uma qualidade inferior à esperada.
Segundo pesquisadores do Cepea, os triticultores já haviam se mostrado desestimulados a investir na cultura na safra de 2026. Isso resultou em redução tanto da área cultivada quanto da produção.
Agora, com o avanço da colheita, os efeitos das condições climáticas reforçam as incertezas. Há relatos de redução do PH, da força do glúten e do Falling Number — teste que mede a qualidade do trigo para a farinha de panificação.
No Paraná e em São Paulo, colaboradores do Cepea já relatam a presença de trigo dos tipos 2 e 3 nos lotes colhidos. A disponibilidade do tipo 1 está menor.
Esse cenário pode aumentar a dependência de importações para atender ao consumo doméstico. Quando falta trigo de qualidade no mercado interno, a indústria precisa buscar o grão fora do país.
Por que isso importa para você
Se você tem trigo para vender, o cenário atual é favorável. A oferta de grão de qualidade está menor, e isso sustenta os preços.
Por outro lado, se o seu trigo perdeu qualidade por causa da chuva, o valor recebido pode ser menor. A diferença entre um lote tipo 1 e um lote tipo 3 é grande no bolso.
Se você compra trigo, fique atento: a oferta de grão de qualidade pode ficar mais restrita, e os preços podem continuar subindo.
Antes de fechar negócio, faça uma análise completa do seu lote. Compare o resultado com os padrões de comercialização da sua região e com os preços divulgados pelo Cepea. Se o seu trigo tem qualidade superior, negocie com base nisso. Se a qualidade caiu, avalie se vale a pena esperar ou vender agora. E fique de olho nas importações: se o Brasil precisar comprar mais trigo de fora, os preços internos podem subir ainda mais. Em um ano de safra incerta, informação de qualidade vale tanto quanto o grão bem conservado.
Fonte: Cepea.