Sustentabilidade

China condiciona compra de produtos agrícolas dos EUA à redução de tarifas

Desse total, aproximadamente US$ 17 bilhões correspondem a produtos agrícolas norte-americanos que a China importou em 2024. Entretanto, o acordo ainda não foi finalizado.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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A China afirmou nesta quinta-feira (5) que está disposta a ampliar as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos, mas condicionou o aumento das importações à implementação de um acordo de redução recíproca de tarifas entre os dois países. A declaração foi divulgada pelo Ministério do Comércio chinês e reforça que as condições comerciais continuam sendo um ponto central nas negociações entre Pequim e Washington.

A discussão ganhou força após o encontro realizado em setembro de 2026 entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, em Washington. Na ocasião, os dois países apresentaram uma proposta de redução recíproca de tarifas que envolve cerca de US$ 60 bilhões em produtos comercializados entre as duas economias.

Desse total, aproximadamente US$ 17 bilhões correspondem a produtos agrícolas norte-americanos que a China importou em 2024. Entretanto, o acordo ainda não foi finalizado.

Segundo Huang Ling, porta-voz do Ministério do Comércio da China, o país mantém abertura para ampliar as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos, desde que as duas partes implementem o compromisso de redução tarifária recíproca de US$ 30 bilhões para cada lado.

A China também espera que os Estados Unidos reduzam barreiras tarifárias e não tarifárias, além de ampliar o acesso de produtos chineses ao mercado norte-americano.

Meta de US$ 17 bilhões ainda enfrenta dificuldades

Em maio de 2026, a Casa Branca informou que a China havia concordado em comprar US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas norte-americanos a partir daquele ano. Para 2026, a meta seria ajustada proporcionalmente ao período de vigência do compromisso.

Esse volume seria adicional ao compromisso firmado em outubro de 2025 para a aquisição de soja dos Estados Unidos.

Apesar disso, as compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos avançam em ritmos diferentes. Segundo análise da Reuters, a China está no caminho para cumprir sua meta de aquisição de soja, mas comprou apenas US$ 7,2 bilhões em outros produtos agrícolas entre janeiro e setembro de 2026.

Nesse grupo estão mercadorias como carnes e milho. O volume de importações desses produtos foi o menor para o período desde 2019, quando os dois países enfrentavam os efeitos da primeira guerra comercial.

Outro ponto de incerteza é quando começa a contagem do prazo para cumprimento da meta de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas que não sejam soja. A Casa Branca ainda não esclareceu se o período começou com o anúncio realizado em maio ou se terá início somente após a conclusão do acordo de redução tarifária.

Negociações podem influenciar o mercado agrícola

A velocidade das compras chinesas é acompanhada de perto pelo mercado internacional de commodities agrícolas, principalmente porque a China é um dos principais destinos da produção agropecuária norte-americana.

Uma redução das tarifas pode melhorar a competitividade dos produtos dos Estados Unidos no mercado chinês e favorecer o aumento das importações de soja, milho, carnes e outras mercadorias.

Para os produtores norte-americanos, o avanço dessas negociações é importante em um momento de pressão sobre os custos de produção, especialmente com combustíveis.

Representantes do setor comercial ouvidos pela Reuters apontam que a redução das tarifas será necessária para tornar economicamente viáveis compras de grandes volumes de produtos agrícolas.

Os dois países também criaram um grupo de trabalho específico para assuntos agrícolas, com expectativa de realizar uma reunião antes do encerramento de 2026.

O que isso significa para o produtor brasileiro?

Para o Brasil, o andamento das negociações merece atenção porque qualquer mudança no fluxo comercial entre China e Estados Unidos pode alterar a dinâmica de oferta e demanda no mercado internacional.

Se as tarifas forem reduzidas e as compras chinesas de produtos norte-americanos aumentarem, os Estados Unidos poderão recuperar competitividade em determinados segmentos, especialmente na soja e no milho.

Por outro lado, caso as negociações avancem lentamente, a China poderá continuar direcionando parte importante de sua demanda para fornecedores alternativos, entre eles o Brasil.

Orientação para acompanhar o mercado: se você produz soja ou milho, acompanhe os próximos anúncios sobre tarifas e compras chinesas. Mais do que observar o volume negociado, é importante verificar a origem dos produtos adquiridos, os prazos de entrega e os reflexos nos preços internacionais. Esses fatores ajudam a entender possíveis mudanças na formação dos preços recebidos pelo produtor brasileiro.

Fonte: Reuters, 5 de novembro de 2026.

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