Sustentabilidade

Mercado de bioinsumos com Bacillus cresce 391% no Brasil

O mercado brasileiro de produtos de controle biológico à base de bactérias do gênero Bacillus apresentou rápida expansão entre 2020 e 2025.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

Se você é produtor rural e utiliza ou pensa em utilizar bioinsumos na lavoura, os números são animadores. O mercado brasileiro de produtos de controle biológico à base de bactérias do gênero Bacillus apresentou rápida expansão entre 2020 e 2025. Nesse período, a potencial área tratada com esses produtos aumentou de 7,5 milhões para 37,2 milhões de hectares, um crescimento de aproximadamente 391%.

O faturamento passou de US$ 114,31 milhões (cerca de R$ 628,7 milhões) para US$ 403,17 milhões (cerca de R$ 2,21 bilhões), alta de 252%. Os dados fazem parte de um estudo publicado no periódico Brazilian Journal of Microbiology por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da empresa Kynetec Brasil.

De acordo com Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, em 2025 os produtos contendo Bacillus correspondiam a aproximadamente 43% da potencial área tratada com produtos contendo agentes de controle biológico no País. Na safra 2024/2025, o faturamento desses produtos representou 47% das vendas do mercado brasileiro de produtos à base de agentes de biocontrole, que alcançou US$ 855,68 milhões no período.

"O crescimento ocorreu de forma contínua", explica Bettiol. "A participação dos produtos à base de Bacillus na potencial área tratada por produtos contendo agentes de controle biológico passou de 34% em 2020 para 43% em 2025. Somente entre 2024 e 2025, a potencial área tratada com produtos à base dessas bactérias cresceu 35%."

A revisão identificou 297 produtos comerciais à base de Bacillus registrados e comercializados no Brasil até 2025, reunindo 126 cepas. Entre as espécies com maior número de cepas comercializadas estavam Bacillus subtilis, com 31, Bacillus amyloliquefaciens, com 27, e Bacillus velezensis, com 25.

Os produtos, registrados por 42 empresas, podem ser utilizados em diferentes modalidades de aplicação, como tratamento de sementes, pulverização foliar e aplicação no sulco de plantio. Destacavam-se como principais doenças e organismos-alvo nematoides-das-galhas e das lesões radiculares, antracnose, mofo-branco, mofo-cinzento, mancha-alvo, tombamento, oídio e nematoide-de-cisto.

Entre as espécies, a Bacillus amyloliquefaciens alcançou a maior potencial área tratada em 2025, com 13,87 milhões de hectares. Na sequência figuraram Bacillus subtilis, Bacillus pumilus, Cytobacillus firmus, Bacillus velezensis e Bacillus methylotrophicus. Já a Bacillus thuringiensis, utilizada principalmente no controle de pragas, alcançou 4,2 milhões de hectares.

Além de analisar o mercado, o trabalho revisa os mecanismos que explicam a ampla utilização de Bacillus como agentes de biocontrole. Uma das características mais importantes é a capacidade de produzir endósporos, estruturas resistentes que permitem a sobrevivência em condições ambientais desfavoráveis. Isso favorece o desenvolvimento de formulações estáveis e com maior facilidade de armazenamento.

As bactérias também produzem uma grande variedade de substâncias com atividade contra organismos causadores de doenças, como lipopeptídeos, bacteriocinas, enzimas, sideróforos e compostos orgânicos voláteis. "Esses metabólitos podem atuar sobre fungos, bactérias e nematoides por diferentes mecanismos", explica Roberto Lanna-Filho, da UFRGS.

Entre os mecanismos estão a antibiose (compostos que afetam a membrana celular de patógenos), a competição por espaço e nutrientes, e o quorum-quenching (interferência nos sistemas de comunicação dos patógenos, afetando a virulência e a formação de biofilmes).

Os efeitos de Bacillus não se limitam à ação direta sobre os patógenos. Algumas espécies também podem estimular mecanismos de defesa das plantas, desencadeando respostas locais ou sistêmicas. Essas respostas envolvem diferentes vias hormonais associadas ao ácido salicílico, ácido jasmônico e etileno.

Outro efeito estudado é a promoção do crescimento vegetal. As bactérias podem produzir fitormônios, solubilizar nutrientes e produzir sideróforos, além de influenciar a arquitetura das raízes. Há ainda evidências de que determinadas espécies auxiliam as plantas a enfrentar condições de estresse, como déficit hídrico, salinidade e temperaturas elevadas.

🔧 Orientação:

Se você é produtor rural, o crescimento do mercado de bioinsumos à base de Bacillus representa mais opções de produtos e maior competição entre as empresas, o que pode resultar em preços melhores e formulações mais eficientes.

Além disso, o uso desses produtos no manejo integrado de doenças e pragas contribui para reduzir a dependência de defensivos químicos, diminuir os custos de produção e tornar a lavoura mais sustentável. Com as mudanças climáticas e a pressão por alimentos mais seguros, os bioinsumos se tornam aliados importantes.

Se você ainda não utiliza bioinsumos, converse com seu engenheiro agrônomo sobre a possibilidade de incluir produtos à base de Bacillus no manejo da sua lavoura. Avalie as opções disponíveis no mercado, considerando a cultura, o alvo biológico e as condições da sua região.

Se você já utiliza, fique atento às novas formulações e consórcios que estão chegando ao mercado. A combinação de diferentes cepas e espécies pode ampliar os benefícios para as plantas.

E acompanhe as pesquisas e as recomendações técnicas. O conhecimento sobre os mecanismos de ação dos Bacillus está em constante evolução, e isso pode ajudar você a obter melhores resultados no campo.

Resumo:

- Área tratada com bioinsumos à base de Bacillus cresceu 391% entre 2020 e 2025.

- Faturamento do setor passou de US$ 114 milhões para US$ 403 milhões.

- Foram identificados 297 produtos comerciais com 126 cepas registradas no Brasil.

- Bactérias atuam por antibiose, competição, quorum-quenching e estímulo à defesa e ao crescimento das plantas.

- Produtor deve avaliar a inclusão de bioinsumos no manejo integrado da lavoura.

Fonte: Embrapa.

Mais de Sustentabilidade

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.