EUA investem US$ 1,3 bilhão para produzir fertilizantes no país
O governo americano anunciou a seleção de oito projetos para receber financiamento do Programa FIELDS do Departamento de Agricultura (USDA).
Se você acompanha o mercado de fertilizantes, uma notícia dos Estados Unidos pode impactar os preços globais. O governo americano anunciou a seleção de oito projetos para receber financiamento do Programa FIELDS (sigla em inglês para Investimento e Expansão de Fertilizantes para Fornecimento Doméstico de Longo Prazo), do Departamento de Agricultura (USDA).
Os projetos representam mais de US$ 1,34 bilhão em investimento total proposto, incluindo aproximadamente US$ 573 milhões em financiamento do USDA. O objetivo é fortalecer a fabricação nacional de fertilizantes, reduzir a dependência dos EUA de fornecedores estrangeiros e aumentar a disponibilidade de fertilizantes de longo prazo para os agricultores americanos.
Por que os EUA estão investindo nisso
A indústria de fertilizantes dos Estados Unidos está cada vez mais concentrada. Quatro empresas controlam cerca de 77% da capacidade de produção de fertilizantes nitrogenados da América do Norte. Duas empresas respondem por mais de 90% da capacidade de produção de fosfato, e duas produzem aproximadamente 90% do potássio da América do Norte.
Essa concentração deixa os agricultores com menos fornecedores e menos concorrência. O governo Trump está trabalhando para reverter décadas de consolidação, apoiando nova capacidade de fabricação nacional e ampliando a concorrência.
Os números do programa
O Programa FIELDS foi lançado com US$ 500 milhões para expandir a fabricação nacional de fertilizantes. O governo também está redirecionando recursos recuperados de projetos fracassados do programa anterior (FPEP, do governo Biden) para projetos com maior viabilidade financeira e investimento do setor privado.
A análise econômica do USDA estima que a produção adicional poderá:
- Reduzir os preços dos fertilizantes nitrogenados em 4,4%.
- Reduzir os preços do potássio em 5,3%.
- Aumentar a produção interna de nitrogênio em 3,7%.
- Aumentar a produção de potássio em quase 40%.
Quando os projetos estiverem operacionais, espera-se que apoiem aproximadamente 1,08 milhão de toneladas de produção e capacidade doméstica anual de fertilizantes.
Os projetos selecionados
Entre os oito projetos, destacam-se:
- TalusAg (Iowa, Kentucky, Minnesota, Tennessee, Nebraska, Illinois e Dakota do Sul): US$ 99,8 milhões do USDA para implantar 20 unidades modulares de fabricação de amônia em 11 locais. Produção estimada: 130 mil toneladas de amônia anidra por ano.
- Peace Valley (Flórida): US$ 19,9 milhões do USDA para expandir a fabricação em Bartow. Produção estimada: 250 mil toneladas anuais de fertilizantes com nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre.
- PCI Nitrogen (Texas e Oregon): US$ 100 milhões do USDA para modernizar instalações. Produção estimada: 148.280 toneladas anuais de sulfato de amônio e ureia.
- Intrepid Potash (Novo México): US$ 139 milhões do USDA para construir uma unidade de sulfato de potássio. Produção estimada: 220 mil toneladas anuais.
- AdvanSix (Virgínia): US$ 47,4 milhões do USDA para modernizar e expandir uma unidade de amônia. Produção estimada: 84 mil toneladas de amônia anidra por ano.
- SUL4R-PLUS Illinois (Illinois): US$ 34,9 milhões do USDA para expandir uma unidade de fertilizantes de enxofre. Produção estimada: 100 mil toneladas anuais.
- True Organic Products (Califórnia, Oregon e Arizona): US$ 15,3 milhões do USDA para expandir a fabricação usando subprodutos agrícolas. Produção estimada: 142.805 toneladas anuais.
- Projeto Agrícola Holdco (Kansas e Indiana): US$ 116,9 milhões do USDA para desenvolver duas instalações que converterão esterco lácteo em fertilizante líquido de nitrato de amônio. Produção estimada: 4.100 toneladas anuais.
🔧 Orientações:
Se você é produtor rural, os fertilizantes representam uma parcela significativa dos custos de produção. Qualquer movimento no mercado internacional pode afetar os preços dos insumos no Brasil.
A expansão da produção americana pode, no médio prazo, aumentar a oferta global de fertilizantes e reduzir a pressão sobre os preços. Por outro lado, os EUA são um grande consumidor de fertilizantes, e o aumento da produção interna pode reduzir a demanda por importações, o que também influencia o mercado.
Além disso, a iniciativa mostra a preocupação dos países com a segurança alimentar e a dependência de insumos importados. O Brasil, que também depende de fertilizantes estrangeiros, precisa ficar atento a essas movimentações.
Acompanhe as cotações dos fertilizantes e as notícias sobre o mercado internacional. Se você planeja comprar insumos para a próxima safra, avalie a possibilidade de fixar preços ou fazer compras antecipadas.
Considere também alternativas para reduzir a dependência de fertilizantes químicos, como o uso de bioinsumos, a rotação de culturas e a adoção de práticas de manejo que melhorem a fertilidade do solo.
E fique atento às políticas de apoio à produção nacional de fertilizantes. O Brasil tem projetos para ampliar a produção interna, o que pode trazer benefícios no futuro.
Resumo:
- EUA selecionam oito projetos para produzir fertilizantes internamente.
- Investimento total proposto: US$ 1,34 bilhão, com US$ 573 milhões do USDA.
- Objetivo é reduzir dependência externa e aumentar concorrência.
- Estimativa é reduzir preços de nitrogenados em 4,4% e potássio em 5,3%.
- Produtor brasileiro deve acompanhar o mercado e avaliar compras antecipadas.
Fonte: USDA.