Nova técnica reduz aflatoxina no milho e protege a safra
As aflatoxinas são toxinas produzidas por fungos do gênero Aspergillus, especialmente o Aspergillus flavus e o Aspergillus parasiticus.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia (UC Davis) desenvolveram uma técnica que pode revolucionar a segurança alimentar no campo. O estudo, publicado na revista científica PNAS, mostra que o silenciamento gênico induzido pelo hospedeiro (HIGS, na sigla em inglês) é capaz de reduzir drasticamente a contaminação por aflatoxinas em grãos de milho maduros.
As aflatoxinas são toxinas produzidas por fungos do gênero Aspergillus, especialmente o Aspergillus flavus e o Aspergillus parasiticus. Elas são um problema sério: mais de 25% do alimento e da ração no mundo são contaminados anualmente, afetando cerca de 4,5 bilhões de pessoas. O milho, por ser um alimento básico global, é uma das culturas mais vulneráveis.
O HIGS aproveita o mecanismo natural de defesa da planta. Os cientistas inserem no milho genes que produzem pequenas moléculas de RNA capazes de "desligar" genes específicos do fungo. Foram testados dois alvos:
1. Genes essenciais para a sobrevivência do fungo (CYP51A e CYP51B).
2. Genes envolvidos na produção da aflatoxina (AflC, AflD e AflR).
Os resultados foram promissores. Em quatro linhagens transgênicas que silenciaram os genes da aflatoxina, houve redução significativa da contaminação quando infectadas pelo A. flavus. Em duas linhagens infectadas pelo A. parasiticus, a redução foi ainda maior. Uma linhagem específica apresentou níveis de aflatoxina praticamente nulos, chegando a ser 200 vezes menor que o controle não transgênico.
A tentativa de impedir o crescimento do fungo por meio do silenciamento dos genes CYP51A e CYP51B não deu certo. O fungo continuou a se desenvolver normalmente. Os pesquisadores explicam que, para inibir o crescimento, seria necessário silenciar ambos os genes de forma eficaz ou usar outras estratégias, como genes envolvidos na parede celular do fungo.
🔧 Orientação:
As aflatoxinas são um risco à saúde humana e animal. Elas podem causar câncer de fígado, mutações e supressão do sistema imunológico. Em casos agudos, podem levar à morte. No campo, a contaminação compromete a venda da safra, gera perdas econômicas e limita o acesso a mercados exigentes.
Atualmente, as medidas para controlar a aflatoxina incluem boas práticas agrícolas, controle de pragas, secagem rápida, armazenamento hermético e uso de fungicidas. Mas nenhuma é totalmente eficaz ou barata. A nova técnica surge como uma alternativa sustentável e promissora.
A tecnologia ainda não está disponível comercialmente. Serão necessários anos de pesquisa e testes de campo antes que o milho transgênico com HIGS chegue ao mercado. Além disso, muitos países, especialmente na África, ainda restringem o cultivo de transgênicos.
Mas você pode adotar medidas preventivas para reduzir o risco de aflatoxina na sua produção:
- Controle a umidade: colha no momento certo e seque os grãos rapidamente.
- Armazene corretamente: use silos limpos e mantenha a temperatura e a umidade controladas.
- Monitore a lavoura: fique atento a sinais de fungos e pragas.
- Aposte na rotação de culturas: isso ajuda a reduzir a pressão de patógenos no solo.
A pesquisa é um passo importante para o futuro, mas a prevenção ainda é a melhor ferramenta hoje.
Resumo:
- Técnica de silenciamento gênico reduz aflatoxina em milho transgênico.
- Em uma linhagem, contaminação caiu 200 vezes em relação ao controle.
- Aflatoxinas afetam a saúde e causam perdas econômicas na cadeia do milho.
- Tecnologia ainda está em fase de pesquisa e não tem previsão de chegada ao mercado.
- Produtor deve manter boas práticas de secagem, armazenamento e monitoramento.
Fonte: PNAS.