Agricultura

Calor e seca derrubam produção de milho na França

A comparação é com os 13,7 milhões de toneladas colhidas no ano passado.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você acompanha o mercado internacional de grãos, uma notícia importante vem da França. A produção de milho do país deve cair para o nível mais baixo desde 1976, segundo a AGPM (Associação Geral dos Produtores de Milho). A comparação é com os 13,7 milhões de toneladas colhidas no ano passado.

"O pior aconteceu", disse o presidente da AGPM, Franck Laborde, aos jornalistas. Ele atribuiu a queda às ondas de calor provocadas pelas alterações climáticas e aos limites da França ao armazenamento de água, que impediram os agricultores de utilizar água que poderia ter sido recolhida durante um inverno excepcionalmente chuvoso.

A França sofreu um dos piores períodos de calor e seca já registrados, com temperaturas recordes na maior parte do país entre maio e agosto. O clima extremo danificou colheitas, pastagens e o abastecimento de água.

O clima extremamente seco afetou principalmente as culturas não irrigadas, que geralmente representam cerca de um terço da produção de milho em grão. Segundo Aude Cerrera, do instituto agrícola Arvalis, os danos empurraram uma grande parte da cultura para grãos de qualidade alimentar.

A crise levou o governo francês a emitir um pacote de ajuda de 1,3 bilhão de euros e a se comprometer a expandir o armazenamento de água agrícola. Mas Laborde afirma que mais ajuda é necessária, ou muitos agricultores não semearão grãos antes da próxima temporada.

"Sem fluxo de caixa imediato, não haverá próxima temporada", disse ele.

A queda na produção de milho deve reduzir as vendas do setor em 2,5 bilhões de euros (cerca de US$ 2,8 bilhões). O impacto também será sentido nas aldeias onde a agricultura é a principal fonte de renda.

O colapso na produção levará a França a importar quantidades significativas de milho nesta temporada, pela primeira vez, principalmente do Brasil e da Ucrânia.

O grupo europeu de fabricantes de ração FEFAC estimou no mês passado que a seca em toda a Europa forçaria a União Europeia a importar mais 7 milhões de toneladas métricas de milho na temporada 2026/27.

Se você produz milho, a crise na França e na Europa abre oportunidades para o Brasil. O país deve aumentar as exportações para atender à demanda europeia, o que pode sustentar os preços internos e melhorar a rentabilidade da sua lavoura.

Por outro lado, o aumento das importações europeias pode pressionar o mercado global e elevar os preços dos insumos. Além disso, a quebra de safra na França serve como alerta sobre os impactos das mudanças climáticas na produção agrícola.

🔧 Orientação:

Se você tem milho para vender, acompanhe as cotações internacionais e as oportunidades de exportação. O momento pode ser favorável para negociar contratos de médio prazo.

Se você planeja a próxima safra, considere os riscos climáticos e invista em práticas que aumentem a resiliência da lavoura, como irrigação eficiente e manejo adequado do solo.

E fique atento às políticas de apoio à produção e à comercialização, tanto no Brasil quanto no exterior. A crise na Europa pode gerar oportunidades, mas exige planejamento.

Resumo:

- Produção de milho na França deve cair para o menor nível desde 1976.

- Calor e seca entre maio e agosto danificaram lavouras e reduziram a oferta.

- Governo francês liberou 1,3 bilhão de euros em ajuda, mas produtores pedem mais.

- França vai importar milho pela primeira vez, principalmente do Brasil e da Ucrânia.

- UE deve importar mais 7 milhões de toneladas de milho na temporada 2026/27.

Fonte: Reuters.

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