Clima

El Niño extremo exige atenção do produtor rural

E se eles estão em alerta, você, produtor rural, também precisa ficar.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Prepare-se: os investidores globais já estão se movimentando diante da perspectiva do El Niño mais forte já registrado. E se eles estão em alerta, você, produtor rural, também precisa ficar. O fenômeno climático, que esquenta as águas do Oceano Pacífico, deve intensificar secas em algumas regiões e chuvas excessivas em outras. Isso afeta diretamente as lavouras, os pastos e a disponibilidade de água.

Segundo dados divulgados pela Bloomberg, os preços das commodities agrícolas já estão subindo. Economistas estão revisando as estimativas de inflação e de déficits. E o impacto não fica restrito ao campo: chega aos mercados financeiros, que já enfrentam juros altos e endividamento crescente.

Nenhum lugar do mundo está livre

Katie Self, gestora de portfólio da Pictet Asset Management, foi direta: "Tornou-se quase uma certeza absoluta de que este será o El Niño mais extremo que já tivemos na história." Para ela, descobrir como navegar pelas disrupções que estão por vir é prioridade.

E o alerta não é só para quem investe em ações ou títulos. A Man Group, maior firma de hedge funds de capital aberto do mundo, avisou em julho que tudo pode estar na mira do El Niño. Isso inclui desde a infraestrutura de rede elétrica até metais e fertilizantes. Ou seja: os custos dos seus insumos também podem subir.

Brasil está entre os mais vulneráveis

Um estudo do Anthropocene Fixed Income Institute identificou três países com títulos soberanos mais vulneráveis ao fenômeno: Indonésia, Brasil e Colômbia. Para os analistas Kamesh Korangi e Rose Choy, o atual cenário macroeconômico é diferente de El Niños anteriores, com juros, dívida e volatilidade mais altos. Isso significa que o impacto pode ser ainda maior.

"Os efeitos em cadeia são totalmente globais", reforça Katie Self. "Não há um único lugar no mundo que não vá sentir algum tipo de efeito em cadeia do El Niño."

O que já está acontecendo

As consequências do El Niño já aparecem nas manchetes. Países do Sudeste Asiático enfrentam poluição do ar extrema causada por incêndios florestais. A Índia teve sua monção mais fraca em mais de uma década. E na América do Sul, produtores lidam com enchentes severas em algumas áreas e falta de chuva em outras.

Para quem atua no campo, isso significa que a instabilidade climática pode comprometer a produtividade das lavouras, a qualidade dos pastos e o abastecimento de água.

🔧 Orientações:

Se você planta soja, milho, café ou qualquer outra cultura, o El Niño pode mudar o regime de chuvas na sua região. Em algumas áreas, a seca pode se intensificar. Em outras, o excesso de chuva pode atrapalhar a colheita e favorecer doenças.

Além disso, a alta das commodities agrícolas pode parecer uma boa notícia à primeira vista. Mas ela também vem acompanhada de custos maiores com fertilizantes, combustível e energia.

Jonathan Dean, da BNP Paribas Asset Management, alerta que o risco de incêndios florestais desencadeados pelo El Niño já preocupa projetos de créditos de carbono. "Sempre foi parte fundamental da nossa avaliação entender as potenciais taxas de perda de um projeto, fazendo a pesquisa climática antes para identificar fatores de risco."

Não espere o problema chegar. Comece a se preparar hoje:

1. Invista em resiliência hídrica: se você tem condições, avalie a instalação de sistemas de irrigação eficientes e de drenagem para lidar com excesso de chuva.

2. Diversifique as culturas: plantar variedades diferentes e adotar rotação de culturas ajuda a reduzir o risco de perdas.

3. Cuide do solo: práticas como plantio direto, manutenção de cobertura vegetal e recuperação de pastagens aumentam a capacidade do solo de resistir a extremos climáticos.

4. Acompanhe as previsões: fique de olho nos boletins meteorológicos e nos alertas de instituições como o INMET e a Embrapa.

5. Planeje as compras de insumos: se os preços podem subir, avalie a possibilidade de antecipar compras ou fixar contratos.

Resumo:

- El Niño mais extremo da história preocupa investidores e pode afetar o campo.

- Brasil está entre os países mais vulneráveis aos impactos econômicos.

- Preços de commodities e insumos podem subir.

- Instabilidade climática exige planejamento e resiliência.

- Produtor deve investir em irrigação, drenagem, diversificação e cuidado com o solo.

Fonte: Bloomberg.

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