Enxofre cai 25%, mas fertilizantes seguem caros
De acordo com Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, a queda gradual sinaliza falta de suporte para a matéria-prima.
Se você é produtor rural e está de olho no preço dos fertilizantes, uma notícia pode animar, mas outra pede cautela. Segundo a consultoria StoneX, o preço do enxofre no mercado brasileiro caiu pela sexta semana consecutiva. Entre o final de junho, quando o valor se estabilizou, e o fim da semana passada, a queda acumulada foi de 25%. As indicações de negociação já apontam valores abaixo de US$ 900 por tonelada.
De acordo com Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, a queda gradual sinaliza falta de suporte para a matéria-prima. "Há sinais de redução das cotações, em maior ou menor grau, nas referências da China, dos Estados Unidos e do Oriente Médio", explica.
A redução do preço do enxofre é positiva para os compradores de fertilizantes fosfatados, como o MAP (fosfato monoamônico). O enxofre é um dos insumos utilizados na produção desses fertilizantes. Com o custo menor, a expectativa é de alívio nos preços finais.
Apesar da queda, o cenário do mercado de fertilizantes continua preocupante, segundo o analista. "Os cortes na produção de fosfatados continuam em diversos países, incluindo o Brasil. Isso indica que serão necessárias novas diminuições no preço do enxofre para que os fabricantes percebam uma mudança significativa que justifique a ampliação da produção e a reversão dos cortes e das interrupções produtivas ocorridos ao longo de 2026", acrescenta Pernías.
Ou seja, a queda do enxofre ainda não é suficiente para mudar o cenário do setor de forma mais ampla. Os compradores de fertilizantes devem moderar as expectativas de quedas mais expressivas nos preços dos fosfatados neste momento.
Um exemplo prático mostra como a situação ainda está difícil. No final da semana passada, o produtor de milho precisaria de aproximadamente 75 sacas para adquirir uma tonelada de MAP. No mesmo período do ano passado, eram necessárias oito sacas menos.
Isso significa que, mesmo com a queda do enxofre, o custo do fertilizante em relação ao preço do milho continua elevado. O produtor precisa de mais sacas para comprar o mesmo insumo, o que pressiona a rentabilidade da lavoura.
🔧 Orientação:
Se você planta milho, soja ou qualquer cultura que depende de fertilizantes fosfatados, o momento exige atenção. A queda do enxofre é um alívio, mas não resolve o problema dos preços altos dos fertilizantes. O cenário internacional e os cortes na produção de fosfatados ainda pressionam o mercado.
Além disso, a relação de troca entre o produto agrícola e o insumo está desfavorável. O produtor precisa de mais sacas para comprar a mesma quantidade de fertilizante, o que reduz a margem de lucro.
Acompanhe as cotações dos fertilizantes e as notícias sobre o mercado internacional. Se você precisa comprar MAP ou outros fosfatados, avalie a possibilidade de negociar preços e prazos com antecedência.
Considere também alternativas para reduzir a dependência de fertilizantes químicos, como o uso de bioinsumos, a rotação de culturas e a adubação verde. Essas práticas podem ajudar a melhorar a fertilidade do solo e reduzir os custos a médio e longo prazo.
E fique atento às oportunidades de compra em momentos de queda mais acentuada dos preços. O mercado está volátil, e o planejamento é fundamental para garantir a rentabilidade da safra.
Resumo prático:
- Preço do enxofre cai 25% no mercado brasileiro em seis semanas.
- Queda é positiva para fertilizantes fosfatados, mas não resolve o cenário do setor.
- Cortes na produção de fosfatados continuam em vários países, incluindo o Brasil.
- Produtor de milho precisa de 75 sacas para comprar uma tonelada de MAP, oito a mais que no ano passado.
- Planejamento e alternativas de adubação são essenciais para reduzir custos.
Fonte: Globo Rural.