Agricultura

TECNOLOGIAS DE APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS NA CULTURA DO CAFEEIRO

Daniel Vilar
Especialista
24 min de leitura
TECNOLOGIAS DE APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS NA CULTURA DO CAFEEIRO
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Brasil é um dos maiores produtores e o segundo maior consumidor de café do mundo. Esta cultura tem grande importância econômica e social para o país, pois emprega um grande número de pessoas.  Atualmente  pesquisas  visam  o melhoramento  de  plantas  que  conferem  maior  resistência  a pragas  e  doenças,  maior  produtividade  e  porte  adequado  para  diferentes  sistemas  de  cultivo.  O aumento  da  produtividade  do  café  se  deve  também  às  novas  tecnologias,  desenvolvimento  de maquinários,  implementos  e  aplicação  de  produtos  químicos.  Na  cultura  do  cafeeiro,  o  uso  de defensivos  agrícolas  é  intenso  devido  ao  ataque  de  várias  doenças,  como  a  ferrugem-alaranjada (Hemileia vastatrix), cercóspora (Cercospora coffeicola), phoma e ascochyta (Phomaspp), e alguns insetos como a broca do café (Hypothenemus hampei), bicho-mineiro (Leucoptera coffeella), cigarra (Quesada  gigas),  dentre  outros.  O  uso  de  agroquímicos  é  uma  das  alternativas  para  redução  de danos  econômicos  causados  pelas  doenças  e  pragas  que  aumenta  a  produtividade  das  lavouras.  O objetivo  deste  trabalho  foi  realizar  uma  revisão  bibliográfica  sobre  as  tecnologias  e  implementos disponíveis  para  a  aplicação  de  defensivos  agrícolas  na  cultura  do  café,  com  o  intuito  de  auxiliar produtores,  técnicos  e  demais  atuantes  da  cadeia  produtiva,  obterem  uma  melhor  eficiência  na aplicação de produtos, e utilizá-los de maneira consciente, evitando desperdícios e usos inadequados que podem comprometer a produção e o meio ambiente.

Introdução

O café é uma das culturas geradoras de divisas para o Brasil, pois contribui e muito no valor total das exportações brasileiras. Além disso, a cafeicultura é considerada uma atividade econômica muito  importante  porque  gera  mais  de  oito  milhões  de  empregos  diretos  e  indiretos  no  país (EMBRAPA, 2005).

A maior competitividade da produção do café se dá em função das pesquisas realizadas com esta cultura, como o melhoramento genético que visa maior resistência a pragas e doenças, a maior produtividade,  porte  adequado  para  diferentes  sistemas  decultivo,  dentre  outros.  Ainda,  novas tecnologias  como  melhoria  e  desenvolvimento  de  maquinários  e  implementos,  além  de  produtos químicos, como os defensivos, contribuem com este segmento produtivo.

O  uso  de  defensivos  na  cafeicultura  é  intenso  por  ser  umacultura  que  sofre  o  ataque  de várias  doenças  como  ferrugem  alaranjada,  cercosporiose, phoma, ascochyta;  e  de  insetos,  como broca,  bicho  mineiro,  cochonilhas,  cigarra,  dentre  outros.  O  uso  de  agroquímicos  é  uma  das alternativas para redução de danos econômicos causados pelas doenças e insetos.

A  literatura  tem  relatado  novas  modalidades  de  controle  químico  em  cafeicultura.  Por exemplo, podem ser utilizadas pulverizações em folhas com inseticidas ou fungicidas sistêmicos; e, ainda,  para  evitar  lavagem  dos  produtos  pelas  chuvas  e  também  agressão  aos  inimigos  naturais  ou contaminação  ao  aplicador,  surgiram  os  sistêmicos  granulados  para  aplicação  no  solo  (NAKANO, 2001).

O  objetivo  deste trabalho  foimostrar  as  tecnologias  e  implementos  disponíveis  para  a aplicação  de  defensivos  na  cultura  do  café,  procurando  auxiliar  produtores,  técnicos  e  demais atuantes  da  cadeia  a  entenderem  em  como  obter  uma  melhor  eficiência  dos  produtos,  e  também promover a utilização de maneira consciente destes produtos, evitando desperdícios e mau uso, que podem comprometer tanto a sua produção quanto o meio ambiente.

 O cafeeiro pertence à família Rubiaceae, ao gênero Coffeae possui duas principais espécies: Coffea  arabicaL.  e Coffea  canephoraPierre.  A  espécie C.  arabicaL.  é  nativa  de  uma  região 

Referencial teórico

A cultura do cafeeiro e os defensivos agrícolas

O cafeeiro pertence à família Rubiaceae, ao gênero Coffeae possui duas principais espécies: Coffea  arabicaL.  e Coffea  canephoraPierre.  A  espécie C.  arabicaL.  é  nativa  de  uma  região restrita,  localizada  entre  o  Sudoeste  da  Etiópia,  Sudeste  do  Sudão  e  Norte  do  Quênia  que  ocorre entre 8 a 12º LN, e cuja altitude varia de 1.000 a 3.000 m (CARVALHO, 1946).

No  Brasil,  o  plantio  do  café  teve  início  no  estado  do  Pará,  em  1727,  trazido  pelo  militar Francisco  de  Melo  Palheta.  Expandiu-se  pela  região  Nordeste,  atingindo,  em  1825,  o  Vale  do Paraíba. Em função do clima e da fertilidade das terras, concentrou-se nos estados de Minas Gerais e São Paulo (BM&FBOVESPA, 2011).

Os  agrotóxicos  chegaram  ao  sul  do  Brasil  junto  com  a  monocultura  da  soja,  trigo  e  arroz, associados à utilização obrigatória desses produtos para quem pretendesse usar o crédito rural. Hoje emdia, os agrotóxicos encontram-se disseminados na agricultura convencional, como uma solução de curto prazo para a infestação de pragas e doenças (FONSECA, 2001).

A tecnologia de aplicação pode ser definida como a ciência moderna destinada a desenvolver tecnologias  e  procedimentos,  visando  de  maneira  técnica,  segura,  eficiente  e  cuidadosa  a  aplicação de  produtos  agroquímicos  sobre  um  alvo  biológico  definido  e  indesejável,  sem  danos  à  espécie humana, animais e ao meio ambiente (SANTOS, 2005).

Ainda  segundo  Santos  (2005),  esta  tecnologia  está  fundamentada  em  dois  princípios:  a) pulverização  que  é  um  processo  físico-mecânico  de  transformação  de  uma  substância  líquida  em partículas ou  gotas; e b)  aplicação que consiste n deposição de  gotas sobre um alvo desejado, com tamanho e densidade adequada ao objetivo proposto.

Para  o  sucesso  de  uma  boa  pulverização  é  preciso  verificar  alguns  fatores,  como  um  bom pulverizador, bom produto químico, operador treinado, boa qualidade de água, pH ideal e condições de  tempo  favoráveis  (SANTOS,  2005).  Já  uma  boa  aplicação  depende  de  fatores  como  um  bom produto  caracterizado  fundamentalmente  pelo  tipo  e  aspecto  de  sua  formulação,  dose  efetiva, facilidade  e  uso  seguro;  de  um  boa  aplicação  que  atinge  o  local  desejado,  atentando  ao  tamanho  e deposição  da  gota  e  o  risco  de  deriva;  e  de  uma  condição  climática  favorável,  pois  temperaturas médias  e  a  alta  umidade  relativa  do  ar  e  do  solo  são  condições  adequadas  a  uma  boa  aplicação  e absorção  do  produto  pelas  plantas.  Evitar  a  aplicação  do  produto  quando  as  plantas  apresentam  as folhas  muito  molhadas,  após  uma  chuva  ou  devido  ao  orvalho  (SANTOS,  2005).  Ainda  deve  ser considerada   uma   boa   qualidade   da   água   com   relação   à   dureza   (desequilibram   cargas   dos adjuvantes),  ao  pH  e  aos  sedimentos  em  suspensão;  de  equipamento  regulado,  compatível  com  o terreno  e  cultura;  de  um  aplicador  treinado  com  domínio  da  funcionalidade  do  equipamento  em relação  à  cultura;  e  do  momento  adequado  de  uso,  como  exemplo,  anterior  à  praga/doença/erva daninha atingir danos econômicos (SANTOS, 2005).

Balastreire  (1990)  cita,  como  sendo  os  principais  fatores  que  influenciam  a  utilização  de defensivos,  o  clima,  o  solo,  o  hospedeiro,  o  principio  ativo,  o  veículo,  a  máquina  e  o  operador. Zindahl (1999) menciona que a calibragem dos pulverizadores é o fator mais importante e também o mais abandonado. Na aplicação de líquidos sob a forma de pulverização, a deposição e distribuição de  sólidos  na  parte  aérea  da  planta  dependem  de  diversos  fatores  como:  tamanho  da  planta, densidade da copa, deriva, tamanho da gota, volume de calda, forma e volume de planta, velocidade de  deslocamento  do  pulverizador,  vento,  tipo  de  equipamento  utilizado,  combinação  de  bicos  no pulverizador  em  relação  à  planta,  volume  de  saída  de  ar  do  pulverizador,  velocidade  do  ar  e distância do pulverizador até o alvo (RAETANO, 1996).

O  aumento  da  vazão  de  aplicação  tem  influência  direta  sobre  o  diâmetro  da  gota.  Quanto maior o volume utilizado, gotas de diâmetros maiores serão geradas e menor densidade de gotas por área  será  obtida.  Entretanto,  ao  contrário  do  conceito  generalizado  de  que  um  volume  maior  de líquido permite uma melhor pulverização, o procedimento certo é utilizar-se o menor volume, mas produzindo-se a maior quantidade possível de gotas, principalmente nas culturas com alta densidade de folhas (SANTOS, 2005), que é o caso do cafeeiro.

Os equipamentos de  aplicação de defensivos são  compostos de bicos, que são  considerados uma das partes mais importantes a serem consideradas. As funções dos bicos são para determinar o volume de calda a ser aplicada, e produzir gotas do tamanho desejado e proporcionar uma adequada distribuição  do  líquido  em  toda  superfície  a  ser  tratada.  Estes  bicos  devem  ser  trocados  assim  que variarem a vazão em 10% em relação a um bico novo (MASIÁ; CID, 2010).

O  cafeeiro  apresenta  algumas  características  que  dificultam  uma  adequada  aplicação  de produtos.  A  alta  densidade  foliar,  o  pequeno  espaçamento  entre  os  pés,  a  pequena  largura  entre  as fileiras, “a saia baixa” mais o formato trapezoidal  da  copa  fazem  com  que  a  aplicação  não  atinja corretamente seu alvo (CARVALHO, 2010).

Tecnologia de aplicação de fungicidas

Dentre vários fatores que comprometem a produtividade e a qualidade de grãos do cafeeiro, estão  as  pragas  e  principalmente  as  doenças  fúngicas,  tendo  as  doenças  bacterianas  e  viróticas  de menor  expressão  (SILVA-ACUNà et  al.,  1993).  Os  produtos  utilizados  na  cafeicultura  para  o controle  de  doenças  fúngicas,  na  sua  maioria,  são  produtos  sistêmicos  como  os  grupos  químicos triazóisassociados  às  estrobilurinas  ou  somente  triazóis.  Também,  protetores  à  base  de  cobre  são utilizados.

Estes  fungicidas  sistêmicos,  entre  eles  os  do  grupo  químico  dos  triazóis,  lançados  no mercado após 1976, têm demonstrado elevada eficiência na redução do inóculo residual, permitindo o retardamento do início das pulverizações e  a redução de seu número, quando aplicados por meio de pulverizações ou via sistema radicular (SILVA-ACUNÃ et al., 1993).

A  formulação  dos  fungicidas  sistêmicos  na  forma  granulada,  associados  ou  não  a  um inseticida  que  possibilita  sua  aplicação  ao  solo,  proporciona  uma  alternativa  válida  para  o  controle da  ferrugem  em  áreas  de  topografia  acidentada,  sem  disponibilidade  de  água  (SILVA-ACUNà et al., 1993), em plantios adensados e em lavouras extensivas.

 Controle da ferrugem alaranjada

A  ferrugem  alaranjada  do  cafeeiro,  cujo  agente  etiológico  é  o  fungo Hemileia  vastatrix, constitui ainda um fator limitante na cultura do café, sendo uma doença foliar causadora de desfolha que  compromete  a  futura  produção.  Várias  medidas  de  controle  podem  ser  utilizadas,  visando sempre aliar o sucesso no controle da doença aos aspectos de segurança ambiental e do trabalhador (CUNHA et al., 2004). Os fungicidas de contato, principalmente os cúpricos, eos sistêmicos podem ser  utilizados  para  o  controle  preventivo  da  doença,  e  recomenda-se  efetuar  alternância  entre fungicidas  de  contato  e  sistêmicos.  O  emprego  de  fungicidas  sistêmicos  pode  ser  via  foliar  ou  via solo (AGROFIT, 2011).

Pozza  (2008)  cita  que,  para  lavouras  adultas  de  cafeeiro,  o  volume  de  calda  por  hectare, quando  da  aplicação  de  fungicidas  protetores,  deve  ser  de  no  mínimo  400  litros,  e  que  se  deve utilizar  bicos  do  tipo  cone  cheio.  Quanto  ao  uso  dos  compostos  trifloxistrobina  (estrobilurina) associados  ao  ciproconazol  (triazol),  pode-se  utilizar  pulverizadores  costais  (manual,  pressurizado ou motorizado), turbo atomizadores ou tratorizados com barra vertical. Os equipamentos devem ser dotados  com  bico  de  jato  cônico  vazio,  com  pressão  de  trabalho  suficiente  para  proporcionar tamanho  de  gotas  de  200  a  250  micra  (μ)  e  densidade  acima  de  200  gotas/cm2,  e  a  calda  deve compreender  entre  250  e  500  litros  por  hectare  (AGROFIT,  2011).  Uma  observação  que  deve  ser feita é que o controle da cercosporiose muita das vezes é feita  concomitante ao da  ferrugem, pelos produtos possuírem ingredientes ativos voltados para o controle desta doença (AGROFIT, 2011).

Tecnologia de aplicação de inseticidas

Os principais insetos que atacam  a  cultura do cafeeiro são  a broca, cigarra, cochonilhas e o bicho-mineiro.  Hoje  existem  várias  formulações  para  o  combate  destas  pragas  e  as  formulações  e ingredientes  ativos  existentes  pertencem,  em  sua  maioria,  aos  grupos  químicos  dos  piretróides, organofosforados e neonicotinóides (AGROFIT, 2011).As formas de controle de insetos e o uso de produtos podem ser, muitas vezes, associadas ao controle de doenças fúngicas, uma vez que determinados produtos possuem formulações que contém inseticidas e fungicidas em um produto somente. Muitos dos produtos utilizados para o controle um inseto  se  valem  para  o  controle  de  algum  outro  como,  por  exemplo,  os  neonicotinóides  para  o controle  de  cigarra  e  bicho  mineiro,  atingindo  o  primeiro  que  se  encontra  na  raiz  do  cafeeiro  e  o segundo na suaparte aérea (AGROFIT, 2011).

Controle da broca

A broca do café, Hypothenemus hampei, é um dos problemas que contribuem para a redução da produtividade da cultura, pois ataca os frutos do cafeeiro e provoca redução direta na produção. É consideradapraga-chave na maioria dos países produtores desta bebida. Dependendo do nível de sua infestação, os prejuízos, devidos exclusivamente à perda de peso dos grãos, podem chegar a 21% e também em conseqüência do seu ataque às sementes, a qualidade do café fica prejudicada (SOUZA; REIS, 1997).

A  pulverização  visa  eliminar  as  fêmeas  adultas  da  broca  na  entrada  da  galeria  dos frutos atacados, por contato na “época de transito” do inseto, ocasião em que simplesmente perfura frutos sem neles ovopositar. O endosulfan é um dos produtos mais utilizados e que pode ser aplicado por  pulverizadores  tratorizados,  costal  motorizado,  costal  manual  pressurizado  e  com  pistolas acopladas  a  turboatomizadores  ou  a  motores  estacionários.  Na  pulverização  deve  se  adicionar espalhante  adesivo,  principalmente  em  regiões  de  clima  quente,  para  evitar  perdas  de  gotas  por evaporação,  e  adicionar  óleo  emulsionável  a  0,5%,  podendo  ser  aplicado  em  qualquer  hora  do  dia, evitando  as  horas  mais  quentes  (SOUZA  et  al.,  2008).  As  aplicações  com  turbo  pulverizador hidráulico deste produto (300 e 600 L/ha) atingem com mais intensidade a parte inferior do cafeeiro; a  aplicação  com  turbo  pulverizador  pneumático  (150  L/ha)  é  mais  homogênea  que  as  aplicações com turbo pulverizador hidráulico (300 e 600 L/ha) (MIRANDA, 2009).

O  uso  deste  agrotóxico  foi  proibido  em  julho  de 2013  pela  Agência  de  Vigilância  Sanitária (Anvisa), do Ministério da Agricultura, assim outros princípios ativos têm sido estudados.

Controle da cigarra

A cigarra é um inseto da ordem Hemiptera e é uma importante praga do cafeeiro a ser considerada,  podendo  causar  enorme  prejuízo  às  lavouras  infestadas.  A  espécie  mais  importante  e prejudicial é a Quesada gigas, de maior tamanho, em relação às demais, suas ninfas sugam a seiva docafeeiro,  podendo  levar  a  planta  à  morte  (SOUZA,  2004).  Souza  et  al.  (1984)  afirmam  que  o cafeeiro  pode  suportar  uma  infestação  de  aproximadamente  35  ninfas  de Quesada  gigaspor  cova, devendo ser considerado este nível para a tomada de decisão para se efetuar o controle químico. O seu controle geralmente é realizado concomitantemente com o do bicho mineiro e ou ferrugem, por meio  do  uso  de  produtos  aplicados  via  solo  que  possuem  em  sua  formulação  a  ação  fungicida juntamente com a inseticida.

Uma forma alternativa de controle da cigarra é a armadilha sonora com cortina de inseticida (Figura  1).  O  equipamento  deve  ser  utilizado  na  época  da  revoada  das  cigarras,  e  tem  como princípio  o  canto  artificial  dos  machos  que  assim  atrai  as  fêmeas.  A  armadilha  cobre  umafaixa  de até  160  m  com  um  rendimento  de  100  ha/dia.  Um  mecanismo  automático  aciona  quatro  jatos  que pulverizam  o  inseticida,  depositado  em  um  tanque  coletor  e  que  é  reaproveitado  na  próxima operação. O tempo de exposição é de 30 minutos e corresponde à eliminação de 4000 cigarras, o que pode equivaler a 50% fêmeas que multiplicadas por 300 ovos cada fêmea, propiciando um controle igual a 600.000 ninfas (MATUO, 2011).

Figura 1. Forma alternativa de controle da cigarra com armadilha sonora e cortina de inseticida Ecospray F-6.  Fonte: Portal Biossistemas, 2011.

Controle do bicho mineiro

Leucoptera  coffeellaé  a  espécie  de  uma  importante  praga  do  café  (SOUZA  et.  al.,  1981; IBC,  1986;  SOUZA;  REIS,  1992).  Os  danos  causados  por  estes  insetos,  freqüentemente  muito elevados, são devidos à diminuição da área fotossintética pela necrose da superfície foliar lesionada e,  sobretudo,  pela  queda  prematura  das  folhas,  notavelmente  intensificada  quando  as  galerias  são feitas próximas ao pecíolo foliar (SOUZA; REIS, 1992).

O  controle  via  foliar  visa  basicamente  à  mortalidade  das  larvas  no  interior  das  minas presentes  nas  folhas  do  cafeeiro,  embora  os  tratamentos  possam  acarretar  também  a  morte  de adultos. Por isso, são usados produtos com ação em profundidade, que atingem as larvas no interior das folhas (IRAC-BR, 2006). O produto composto pela mistura triazol e neonicotinóide, por se tratar de  um  fungicida-inseticida,  é  utilizado  tanto  para  o  controle  do  bicho  mineiro  quanto  da  cigarra  e ferrugem. O modo deaplicação do ciproconazol (triazol) associado ao tiametoxam (neonicotinóide) deve ser em esguicho ou “Drench”, em que se dilui o produto na dose recomendada por hectare, em volume  de  água  suficiente  para  aplicação  de  60  mL/planta  (30  mL  em  cada  lado  da  planta)  ou  no mínimo 200 L/ha, em jato contínuo em ambos os lados da planta. O pulverizador costal manual ou equipamento tratorizado devem ser corretamente calibrados e adaptados para aplicação em linha no solo limpo, sob a copa do cafeeiro (AGROFIT, 2011).

O uso de produto com a molécula rynaxypyr, do grupo químico da antranilamida, poderá ser aplicado com equipamento tratorizado turbo atomizador, com volume de 400 L/ha, que busca atingir a  parte  externa  e  interna  das  plantas  (o  que  se  obtém  uma  cobertura  uniforme  de  toda  a  planta). Pode-se utilizar pulverizador costal, manual ou motorizado, aplicando-se em um maior diâmetro de gotas possível (0,15 a 0,20 mm) para dar uma boa cobertura e controle (MIALHE, 1974).

Utilização do pulverizador turbo atomizador

Para   a   regulagem   do   pulverizador   turbo   atomizador   (Figura   2)   deve-se   direcionar   o equipamento  para  a  área  a  ser  tratada,  pois  a  topografia  do  terreno,  o  espaçamento  da  cultura,  a altura  das  plantas  vão  influenciar  na  calibração  do  equipamento.  A  disposição  das  pontas  deve  ser distribuída  de  forma  que  2/3  do  volume  a  ser  aplicado  seja  direcionado  para  a  região  superior  da copa da planta (JUNIOR, 2011).

O início da manhã, o final da tarde e a noite são períodos onde a umidade relativa é maior e a temperatura  é  menor,  sendo  considerados  mais  adequados  para  as  aplicações.  Do  ponto  de  vista prático,  é  possível  e  recomendável  a  utilização  de  gotas  finas  nestes  horários,  porém,  é  necessário um monitoramento das condições ambientais com o passar das horas do dia,pois no caso de haver um  aumento  considerável  da  temperatura  (com  redução  da  umidade  relativa),  o  padrão  de  gotas precisa ser mudado, passando-se  a usar  gotas maiores. Neste caso, o volume de  aplicação deve ser aumentado para não haver efeito negativo na cobertura dos alvos. Para a maioria dos casos, devem ser  evitadas  aplicações  com  umidade  relativa  inferior  a  50%  e  temperatura  ambiente  maior  que 30oC. No caso do vento, o ideal é que as aplicações sejam realizadas com vento entre 3 e 10 km/h. Ausência  de vento  também  pode  ser  prejudicial,  em  função  da  chance  de  ocorrer  ar  aquecido ascendente, o que dificulta a deposição das gotas pequenas (ANTUNIASSI, 2005).

Figura 2.Pulverizador turbo atomizador. Fonte: Jacto.

Um método muito utilizado para aregulagem e calibração desses pulverizadores é o da taxa de aplicação em litros por hectare, onde se utiliza a fórmula conforme o cálculo a seguir:

Para  a  conferência  e  calibração  da  vazão  por  bico  pode-se  valer  de  um  recipiente  graduado para a coleta de líquido, no caso água quando somente da calibração. Coleta-se o volume durante o tempo  que  se  gastou  para  percorrer  os  50  m  no  terreno  onde  será  aplicada  a  calda  e  verifica-se  se algum bico estará variando muito (mais de 10% deve-se realizar a sua troca). Se caso a calda estiver abaixo ou acima do desejado também deve-se trocar os bicos. Ainda é recomendável fazer sempre a média  de  3  medidas  para  se  obter  um  valor  mais  preciso  (ANTUNIASSI,  2005).  Conforme Antuniassi  (2005),  para  que  a  pressão  desejada  seja  alcançada  deve-se  utilizar  manômetros  ligados ao equipamento para a calibragem da mesma para se obter o diâmetro de gota e o volume desejados. Para  a  verificação  da  quantidade  de  gotas  por  cm2e  do  diâmetro  de  gotas  usa-se  o  papel hidrossensível  e  para  o  cálculo  da  quantidade  de  produto  a  ser  aplicada,  a  seguinte  fórmula  deverá  utilizada:

Utilização do pulverizador costal

Semelhante ao turbo atomizador, par a utilização do pulverizador  costal (Figura 3), deve-se dirigir à área de aplicação para a calibragem do equipamento.

Figura 3. Pulverizador costal.  Fonte: A Alta Pressão.

Ainda,  a  seguir  está  descrito  um  exemplo  para  aplicação  deste  método  em  plantas  de  café, em  que  a  área  é  calculada  multiplicando-se  a  extensão  percorrida  pela  altura  da  planta  (vezes  2), pois se aplica o produto dos dois lados da rua.

Café plantado no espaçamento 3,8 x 0,6 m.

Altura do pé de café: 2m

Extensão percorrida: 50 m

Área tratada: 50 x 4 ( 2 vezes altura da planta) = 200 m2

Volume gasto: 10 L

Volume gasto por m2: 10 L/200m2= 0,05 L/m2

Volume por ha = 0,05 L/m2 x 10.000 m2/ha = 500 L/ha

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este  trabalho  de  revisão  teve  o  intuito  de  abordar  assuntos  para  que  se  desperte  o  interesse por  futuras  pesquisas  relacionadas  ao melhoramento  dos  equipamentos  utilizados  na  aplicação  de defensivos. As informações contidas neste trabalho contribuem para um entendimento de utilização mais  racional  de  produtos  tóxicos,  pois  é  preciso  proteger  o  ambiente  de  possíveis  contaminações. Ainda,  conhecer  tecnologias  de  aplicação  de  defensivos  agrícolas  na  cultura  do  cafeeiro  é  muito importante para que profissionais da área e, consequentemente, produtores melhorem as técnicas de combate  às  pragas,  doenças  e  plantas  invasoras,  o  que  reduz  custos de  produção  e  aumenta  a produtividade.

Fonte

F. Rodrigues, A. A., Rennó Reis Almeida, G., & Rodrigues Duarte, T. (2019). TECNOLOGIAS DE APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS NA CULTURA DO CAFEEIRO. Revista Agroveterinária Do Sul De Minas - ISSN: 2674-9661, 1(1), 77 - 90. Recuperado de https://periodicos.unis.edu.br/index.php/agrovetsulminas/article/view/268

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