Trichoderma spp.: o fungo que parasita outros fungos, solubiliza nutrientes e estimula crescimento
Espécies como T. harzianum, T. asperellum, T. koningiopsis e T. viride atuam ao mesmo tempo como biocontrolador agressivo e bioestimulante de plantas
O Trichoderma é um dos fungos mais usados na agricultura mundial. Espécies como T. harzianum, T. asperellum, T. koningiopsis e T. viride atuam ao mesmo tempo como biocontrolador agressivo e bioestimulante de plantas. Ele não só combate patógenos, mas também melhora o desenvolvimento radicular, a absorção de nutrientes e o vigor geral da lavoura, reduzindo a dependência de fungicidas químicos e parte dos fertilizantes.
Mecanismos de ação principais
Micoparasitismo (parasitismo direto de outros fungos)
O Trichoderma reconhece o patógeno, cresce em direção a ele, enrola seu hifas e produz enzimas hidrolíticas (quitinases, β-1,3-glucanases e proteases) que degradam a parede celular do inimigo. Depois, penetra e consome os conteúdos celulares. Esse é um dos mecanismos mais eficientes contra fungos do solo como Sclerotinia sclerotiorum, Rhizoctonia solani, Fusarium spp. e Pythium.
Competição por espaço e nutrientes
Ele coloniza rapidamente a rizosfera e a superfície das raízes, ocupando o espaço e consumindo exsudatos radiculares antes que os patógenos consigam se estabelecer.
Antibióse
Produz metabólitos secundários (harzianolide, viridina, gliotoxina, entre outros) que inibem o crescimento de patógenos.
Solubilização de nutrientes (principalmente fósforo)
O Trichoderma libera ácidos orgânicos (cítrico, láctico, málico, fumárico) que baixam o pH local e transformam fósforo insolúvel em formas disponíveis para a planta. Algumas linhagens solubilizam mais de 300 μg/mL de P em testes laboratoriais.5. Produção de fitohormônios e indução de resistência
Produz ácido indol-3-acético (IAA), que estimula o alongamento radicular. Além disso, ativa mecanismos de defesa da planta (Indução de Resistência Sistêmica – ISR), aumentando enzimas como peroxidase, quitinases e proteínas PR.
Evidências
Revisões em revistas de impacto confirmam esses efeitos. O Trichoderma promove crescimento, melhora eficiência nutricional, induz resistência e reduz doenças em diversas culturas. Estudos mostram aumentos significativos em altura de planta, biomassa radicular, absorção de P e produtividade, mesmo em condições de estresse.
No Brasil, a Embrapa e instituições parceiras documentam o uso eficaz de T. harzianum e T. asperellum no controle de mofo-branco na soja, murcha de Fusarium e promoção de crescimento em várias culturas.
Exemplos:
Soja e feijão: Controle de Sclerotinia sclerotiorum e aumento na absorção de fósforo.
Tomate e hortaliças: Redução de murcha por Fusarium e melhor vigor de mudas.
Milho e cana: Melhora no sistema radicular e maior eficiência no uso de nitrogênio e fósforo.
Café e pastagens: Proteção contra patógenos de solo e tolerância maior a seca.
Como usar na propriedade:
Tratamento de sementes (inoculação antes do plantio).
Aplicação no sulco de plantio ou via irrigação.
Aplicações foliares ou no solo em cobertura (principalmente em sistemas orgânicos ou de transição).
Combina bem com outros bioinsumos (PGPR, quitosana, silício e extratos de algas).
O Trichoderma é um dos poucos microrganismos que entrega resultados duplos: combate doença e melhora produtividade. Para quem quer reduzir custos com defensivos e fertilizantes, ele é uma ferramenta estratégica — especialmente quando combinado com solo vivo, rotação e cobertura morta.
REFERÊNCIAS:
Yao X. et al. (2023). Trichoderma and its role in biological control of plant fungal and nematode diseases. Frontiers in Microbiology.
https://www.frontiersin.org/journals/microbiology/articles/10.3389/fmicb.2023.1160551/fullChen X. et al. (2025). Trichoderma: Dual Roles in Biocontrol and Plant Growth Promotion. Microorganisms (MDPI).
https://www.mdpi.com/2076-2607/13/8/1840Bononi L. et al. (2020). Phosphorus-solubilizing Trichoderma spp. from Amazon. Applied Soil Ecology (estudo com resultados em soja).
Publicações Embrapa sobre Trichoderma (livro técnico e artigos):
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/208230/1/livro-trichoderma-online-06.01.20.pdf