Agricultura

Fatores Associados à Nutrição do Tomateiro

Daniel Vilar
Especialista
8 min de leitura
Fatores Associados à Nutrição do Tomateiro
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Os fatores de solo podem ser de natureza física, química e biológica. Entre os fatores de natureza física, a estrutura e a textura dos solos podem ser consideradas as mais relevantes no desenvolvimento do tomateiro.

Os solos são na verdade, de natureza extremamente complexa, originados da decomposição (ou intemperismo) das rochas. Este intemperismo é causado pela água, pelas mudanças de temperatura e pelos organismos. Pode-se assim dizer que é resultado da interação de litosfera (rocha), atmosfera (água e temperatura) e biosfera (organismos). Depois de formado, o solo pode ser subdividido em uma fração sólida, uma líquida e uma gasosa.

A parte sólida divide-se em fração mineral (minerais do solo) e fração orgânica (matéria orgânica do solo, composta de material de origem predominantemente vegetal em vários estágios de decomposição). A fração mineral divide-se em três subfrações de acordo com o tamanho das partículas: a maior é chamada de areia, a intermediária de silte e a menor recebe a denominação de argila. A argila é possivelmente a mais importante em termos de manutenção da produção vegetal: devido a seu tamanho minúsculo (partículas menores que 2 micrômetros, considerando-se que um micrômetro é um metro dividido um milhão de vezes), possui propriedades específicas, como a exposição de cargas elétricas. Estas cargas são responsáveis pela retenção dos nutrientes no solo.

Além de impedir que os nutrientes minerais das plantas sejam lavados pela água, as cargas das argilas permitem que o solo aja como um filtro para o meio ambiente: quase todos os elementos e compostos químicos que chegam ao solo possuem carga elétrica e são passíveis de serem retidos pelo mesmo. Assim, é possível que uma boa parte dos agroquímicos (inseticidas, herbicidas, fungicidas e outros biocidas) fiquem retidos nos solos e não alcancem os corpos d’água (rios, lagos, represas e o mar). Vale ressaltar que quando há a erosão do solo por causa da remoção da cobertura vegetal, entre outras causas, as primeiras partículas a serem levadas embora, por serem as menores, são as argilas, o que diminui a capacidade de retenção de nutrientes e de “filtragem” do solo e contribui com o assoreamento de rios e represas. Esses problemas, tão comuns hoje no Brasil e em outras regiões, têm ocorrido devido à inexistência de políticas consistentes de conservação dos solos.

As frações minerais mais grosseiras, areia e silte, não expõem cargas elétricas em quantidades consideráveis. Por outro lado, a presença destas partículas mais grossas é imprescindível para que haja infiltração da água no solo, por aumentarem sua porosidade. As argilas também formam partículas de tamanhos maiores, os agregados, quando se juntam em grande número com o auxílio da matéria orgânica. O conjunto dos agregados em associação com os poros do mesmo, constitui a estrutura do solo. A passagem excessiva de máquinas agrícolas, a diminuição dos teores de matéria orgânica e outros fatores de agressão ao solo causam destruição de sua estrutura, tornando-o compactado, o que impede não só a infiltração da água, mas também o crescimento das raízes, limitando a capacidade das culturas em adquirir água e nutrientes e afetando negativamente a produção.

O solo é resultado não só da decomposição física da rocha, mas também da alteração química dos minerais que a compõem e da formação de outros minerais, ditos secundários, em equilíbrio termodinâmico com as condições amenas da superfície terrestre. No entanto, o intemperismo não cessa com a formação do solo. Os solos também envelhecem, principalmente em regiões onde chove muito, notadamente nos trópicos, como ocorre em boa parte do Brasil.

As principais variáveis químicas a interferir no comportamento dos nutrientes são: a composição mineralógica do solo, a disponibilidade de nutrientes, a presença de elementos tóxicos, o teor de matéria orgânica, as reações de sorção e precipitação e a salinidade. Esses fatores não devem ser considerados isoladamente porque atuam de maneira simultânea, interagindo entre si.

A composição mineralógica é uma herança, na maioria dos casos, da rocha matriz que deu origem ao solo, o que explica em parte a menor ou maior reserva de nutrientes do mesmo. Os solos originados de rochas ricas em nutrientes poderão, ao longo do tempo, perder sua reserva natural de nutrientes.

O empobrecimento químico do solo, ou seja, a perda de elementos minerais nutrientes, em geral ocorre de duas formas: o empobrecimento natural pelo intemperismo químico em regiões tropicais úmidas, ou, em solos agrícolas, pela retirada de boa parte da biomassa produzida pelas plantas. Nesse processo, há aumento da quantidade de óxidos, principalmente de alumínio e de ferro, e perda de nutrientes por lixiviação, tornando os solos empobrecidos quimicamente. À medida que o intemperismo progride, há perda gradual de elementos químicos importantes para a nutrição vegetal, como cálcio, magnésio e potássio, em geral retidos mais fracamente pelos solos. Nas regiões de alta pluviosidade, a grande disponibilidade de água permite que haja muito crescimento vegetal. As plantas, mesmo as que crescem em solos pobres, conseguem adquirir nutrientes produzindo raízes profundas que exploram camadas subsuperficiais, um pouco mais ricas em termos de elementos nutrientes.

Um solo pode apresentar caráter ácido, neutro ou básico e a forma de se determinar, isto é, pela medida de seu pH, o qual tem um papel muito importante na disponibilidade de nutrientes às plantas. As plantas cultivadas, entre as quais o tomateiro, tendem a se desenvolver e produzir melhor quando o pH da solução do solo se encontra na faixa entre 5,5 e 6,5. Em geral, os solos das regiões tropicais são ácidos, sendo necessário corrigir-se a acidez, ou seja, aumentar-se o pH aplicando-se calcário ou outro tipo de corretivo aos mesmos.

Os macronutrientes nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) estão mais disponíveis para as plantas exatamente na faixa de pH entre 5,5 e 6,5. Em valores de pH inferiores a 5,5 podem ocorrer danos ao desenvolvimento da cultura, devido à elevada concentração de elementos potencialmente tóxicos, como alumínio e manganês. O P, macronutriente essencial ao desenvolvimento das plantas na maioria dos solos brasileiros, é muito pouco disponível em condições de solos ácidos, em razão da forte retenção do fosfato pelos óxidos de ferro e alumínio, o que também pode ocorrer com o sulfato e o molibdato. Os micronutrientes, com exceção do molibdênio, têm sua disponibilidade aumentada em condições de pH mais ácido, podendo atingir níveis tóxicos. Por outro lado, em solos com pH acima de 7,0 – chamados de solos básicos – pode ocorrer deficiência de micronutrientes metálicos, como ferro e manganês, em decorrência de calagens excessivas, por exemplo.

A salinidade também afeta a química do solo e cuidados devem ser tomados para se evitar o acúmulo de sais, principalmente em regiões onde a água de irrigação os apresenta em altas concentrações. O solo é considerado salino quando apresenta condutividade elétrica superior a 4 dS.m-1. O excesso de sais prejudica o desenvolvimento do tomateiro, devido aos efeitos diretos sobre o potencial osmótico da solução do solo e pelos íons potencialmente tóxicos presentes em elevadas concentrações. O excesso de sais apresenta efeitos prejudiciais aos solos também pela degradação de algumas de suas propriedades físicas, como a redução da infiltração da água, das trocas gasosas, do crescimento de raízes, dificultando, com isso, o crescimento do tomateiro.

O manejo adequado da irrigação, utilizando águas com baixo teor de sais e adubação equilibrada, reduz a ocorrência de acúmulo de sais. A correção do solo salino limita-se, no entanto, à lixiviação dos sais associada a um sistema de drenagem adequado, aplicando-se uma lâmina adicional de água, além do uso continuado de culturas para promover a retirada destes sais do perfil. Para solos de textura arenosa recomenda-se a lavagem do mesmo durante dez dias e 100 dias para solos de textura argilosa.

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Fonte

CLEMENTE, Flávia Maria Vieira Teixeira; BOITEUX, Leonardo Silva. Produção de Tomate para Processamento Industrial. 1ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 2012.

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