Escolha de Leguminosas para Uso da Adubação Verde
A escolha de espécies vegetais e o planejamento de uso da adubação verde devem seguir alguns critérios. Características ambientais, como temperatura, fertilidade do solo e disponibilidade de água, atuam como fatores limitantes à implantação e desenvolvimento dessa prática.
A temperatura exerce influência direta no metabolismo das plantas, afetando processos como a absorção e o transporte de nutrientes. A altitude mostra-se ligada à temperatura média do ar, sendo um critério importante para a escolha de espécies adaptadas ao frio.
A Região Sudeste do Brasil apresenta duas estações climáticas distintas: um verão quente e chuvoso e um inverno seco com temperaturas amenas. Isso significa que o verão é um período mais propício ao desenvolvimento dos adubos verdes, ao passo que, no inverno, essas plantas tendem a apresentar um crescimento mais lento. A redução da massa vegetal de leguminosas herbáceas cultivadas durante o inverno pode estar associada não só à diminuição da temperatura e da disponibilidade de água, mas também à sensibilidade de algumas espécies quando expostas a dias curtos.

Com relação à fertilidade do solo, algumas leguminosas herbáceas são beneficiadas pela calagem e adubação mineral. No entanto, nem sempre essas práticas são economicamente viáveis para o plantio de adubos verdes. Torna-se importante então proceder à identificação de plantas adaptadas a condições de reduzida fertilidade do solo.
A seguir, apresenta-se uma lista de leguminosas empregadas como adubo verde e suas exigências edafoclimáticas:
Leguminosas adaptadas às baixadas úmidas:
- Centrosema (Centrosema pubescens)
- Cudzu-tropical (Pueraria phaseoloides)
- Sesbânia (Sesbania sesban)
Leguminosas adaptadas às condições de frio:
- Chícharo (Lathyrus sativus)
- Ervilhaca-comum (Vicia sativa)
- Tremoço-branco (Lupinus albus)
- Trevo-branco (Trifolium repens)
- Trevo-vermelho (Trifolium pratense)
Leguminosas adaptadas às condições de déficit hídrico:
- Caupi (Vigna unguiculata)
- Cunhã (Clitoria ternatea)
- Estilosantes (Stylosanthes guianensis)
- Feijão-bravo-do-ceará (Canavalia brasiliensis)
- Feijão-mungo (Vigna radiata)
- Galáxia (Galactia striata)
- Guandu (Cajanus cajan)
Leguminosas adaptadas às condições de sombreamento:
- Cudzu-tropical (Pueraria phaseoloides)
- Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis)
Leguminosas adaptadas às condições de baixa fertilidade do solo:
- Amendoim-forrageiro (Arachis pintoi)
- Crotalária (Crotalaria juncea)
- Cudzu-tropical (Pueraria phaseoloides)
- Feijão-bravo-do-ceará (Canavalia brasiliensis)
- Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis)
- Guandu (Cajanus cajan)
- Indigófera (Indigofera spp.)
- Mucuna-preta (Mucuna aterrima)
- Siratro (Macroptilium atropurpureum)
O processo de escolha das leguminosas para adubação verde deve levar em consideração as características fitotécnicas das plantas. Na Tabela 3, encontram-se algumas características das principais leguminosas tropicais usadas com maior frequência como adubos verdes. A soja (Glycine max), amplamente conhecida como produtora de grãos, também foi incluída por apresentar potencial para essa prática. As Fig. de 1 a 4 ilustram algumas dessas leguminosas.





Características como o ciclo vegetativo e o hábito de crescimento são determinantes, especialmente quando o adubo verde é plantado em consórcio. As leguminosas podem apresentar hábito de crescimento ereto, prostrado ou volúvel. Cuidados especiais devem ser dispensados às espécies de hábito volúvel, que podem atuar como trepadeiras, prejudicando o desenvolvimento das culturas de interesse econômico.

Quanto ao ciclo, as leguminosas herbáceas classificam-se em anuais e perenes. As espécies anuais completam o ciclo vegetativo dentro de alguns meses, interrompendo seu crescimento e sofrendo queda de folhas a partir da floração. Já as espécies perenes mantêm suas folhas durante o período de floração, formando uma cobertura permanente do solo.
De maneira geral, as leguminosas anuais mostram-se capazes de cobrir o solo mais rapidamente que as perenes (Tabela 4), possibilitando maior produtividade em menor intervalo de tempo. Destaca-se ainda que as leguminosas perenes podem ser manejadas com roçadas, pois rebrotam com facilidade. Por sua vez, as anuais não apresentam facilidade para rebrotar, com exceção das crotalárias e do guandu, que suportam cortes quando não são feitos próximo da superfície do terreno. A capacidade de rebrotar das espécies perenes confere compensação de produtividade ao longo do tempo, justificando sua utilização em agroecossistemas.

Outras características, como a dureza e a massa das sementes, podem determinar o sucesso no estabelecimento dos adubos verdes, principalmente no caso das leguminosas perenes. Como a maioria dessas espécies apresenta sementes duras e pequenas (Tabela 3), é preciso quebrar essa dureza e fazer a semeadura com reduzida profundidade (em torno de 0,5 a 3,0 cm, dependendo da leguminosa), a fim de garantir que a espécie escolhida se estabeleça de maneira satisfatória.
A quebra de dormência é feita colocando-se as sementes num recipiente com água que foi aquecida à temperatura de 90ºC. Do ponto de vista prático, é possível saber que essa temperatura foi alcançada quando se formam bolhas no fundo do recipiente. Nesse ponto, o recipiente é retirado do fogo e as sementes são colocadas na água aquecida durante o período de 1 hora. As sementes são então postas para secar, devendo ser plantadas em até 12 horas.
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Fonte
ALVARES, Lillian; DE ANDRADE, Lucilene Maria. Adubação Verde com Leguminosas. Brasília - DF: Embrapa, 2005.