Como utilizar a uréia de forma correta na adubação
A uréia é o adubo nitrogenado mais utilizado na agricultura brasileira, principalmente pelo baixo custo do produto por unidade de N, contendo cerca de 44% à 46% de Nitrogênio, mas o uso deste insumo deve seguir uma série de cuidados, caso contrário o produtor pode estar perdendo dinheiro e não aproveitando a eficiência do adubo.
Para utilização da uréia, o produtor deve entender que esse adubo é a base de amônia (NH3), o que pode ser tóxico às plantas em algumas situações, quando colocado no solo esse produto será hidrolisado e passará a se tornar um íon de amônio, logo em seguida passará por um processo de nitrificação, passando a nitrito e por fim nitrato, onde poderá estar disponível para as plantas.
O problema é que no meio desse processo algumas perdas de nitrogênio podem estar acontecendo, a primeira delas é a perda por volatização, onde a amônia presente na uréia "sobe" novamente para atmosfera, a segunda é por meio da lixiviação, e esse processo pode acontecer principalmente quando o composto está na forma de nitrato.
Outro problema comum na uréia, é a presença de biureto, um contaminante que pode ser prejudicial a germinação de sementes, ou até mesmo em algumas culturas como citros, café e abacaxi, quando a uréia é aplicada via foliar. O produtor deve observar a porcentagem de biureto presente na uréia que está utilizando, para a aplicação via solo, até 5 % não apresenta grandes riscos, para aplicação via foliar a mesma não pode passar de 0,5%.
Mas para aplicação de uréia, quais cuidados o produtor deve tomar?
Vamos lá! Aqui vão algumas dicas:
1ª - A uréia deve ser aplicada em parcelas, em culturas perenes o mínimo de 3 parcelas, assim o plantio aumenta o aproveitamento da disposição de Nitrogênio no solo.
2ª - Após a aplicação, o produtor deve manter o solo úmido (não encharcado) por um período de tempo, pois quando o solo "seca" a uréia presente no solo começa a volatizar.
3ª - Nunca aplicar a uréia junto ao calcário, pois quanto maior o pH do solo maior a volatização, optar por pelo menos dois meses de diferença entre a adubação nitrogenada e a calagem.
4ª - Fazer correções periódicas com calagem (lembre-se de nunca aplicar junto), pois toda vez que se aplica a uréia no solo, a hidrolize que ocorre libera Hidrogênio no solo, o que acidifica a área adubada.
5ª - Como dito no início do texto, a amônia é tóxica, e quando acontece a liberação de amônia no solo, essa amônia causa um vapor próximo a cultura, e esse vapor pode causar prejuízos ao seu plantio, nesse caso optar sempre por incorporar a uréia no solo.