Calagem e Adubação para a Cultura da Mandioca
1. Introdução
A mandioca (Manihot esculenta Crantz), originária da América do Sul, é cultivada em mais de 100 países tropicais e subtropicais (FAO, 2013), constituindo-se em um dos principais alimentos energéticos para milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento.
No Brasil, em razão de sua fácil adaptação e do uso eficiente de água e nutrientes, a mandioca é cultivada em todos os estados, com rendimentos razoáveis, usando poucos insumos (ou nenhum), em áreas com solos pobres e ácidos, situando-se entre os oito principais produtos agrícolas do País, em termos de área cultivada, e o sexto em valor de produção (SOUZA et al., 2009).
A produção estimada de mandioca no Brasil, para 2014, é de 23,4 milhões de toneladas (IBGE, 2014) com rendimento médio de 14,7 t ha-1.
A região Norte, principal produtora do País, tem uma estimativa de produção de 7,4 milhões de toneladas, tendo o Pará como o maior produtor nacional, com 6,3 milhões de toneladas e produtividade média de 15,7 t ha-1, participando com 85,1% da produção da região Norte e 26,9% da produção nacional.
A produtividade média de raízes varia de região para região, com o Nordeste apresentando 10,4 t ha-1, a Norte com 15,4 t ha-1, a Sudeste com 16,1 t ha-1, a Centro Oeste com 18,2 t ha-1 e a Sul com 23,4 t ha-1 (IBGE, 2014).
Esses dados diferenciados podem estar relacionados com, pelo menos, dois dos principais fatores de produção: a oferta de água e de nutrientes nos solos das áreas de cultivo das diferentes regiões, fatores esses de extrema importância para o desempenho produtivo dessa cultura.
No Nordeste, observam-se tipos climáticos que variam do quente e úmido ao quente e seco (semiárido), passando por uma faixa de transição semiúmida, ocorrendo, em grande parte dessa região, solos de média a alta fertilidade natural (SANTOS; CÂMARA, 2002).
Embora esses solos sejam relativamente bem supridos de nutrientes, a oferta de água é limitada na maioria das áreas de cultivo, por causa da baixa precipitação e má distribuição das chuvas durante o ano, o que afeta o rendimento de raízes da mandioca (10,4 t ha-1).
Por sua vez, na região Norte, embora com boa oferta de água durante a maior parte do ano, os solos são pobres e ácidos (FALESI, 1986) e os agricultores cultivam a mandioca, na maioria dos casos, sem uso de qualquer insumo, o que também prejudica a produtividade de raízes de mandioca (15,4 t ha-1).
Nas demais regiões, geralmente há boa oferta de água e, na maioria dos sistemas de produção, a fertilidade do solo é corrigida, o que redunda em rendimentos de raízes mais elevados, como demonstrados pelos dados do IBGE (2014).
Esses fatos demonstram que a cultura da mandioca, embora possa produzir em condições adversas, em termos de oferta de água e nutrientes (FAO, 2013), responde em termos de aumento de produtividade, quando esses fatores de produção são adequados às suas exigências, permitindo a expressão de seu potencial produtivo, como constatado na África e na Ásia (FAO, 2013) e no Brasil (CRAVO et al., 2008; MIRANDA et al., 2005; SOUZA et al., 2009).
2. Solos para o Cultivo da Mandioca
2.1. Seleção de áreas para o cultivo de mandioca
Na seleção de áreas para o plantio de mandioca, as condições de clima e solo favoráveis ao cultivo, deverão ser consideradas.
Devem ser selecionadas áreas planas ou suave onduladas, com uma declividade máxima de 5%, dando-se preferência para solos profundos, arenosos ou de textura média, o que facilita o crescimento das raízes e a colheita, além de diminuir a possibilidade de encharcamento, que pode causar o apodrecimento das raízes.
Solos de textura argilosa e muito argilosa de modo geral não são recomendáveis para o cultivo de mandioca, por dificultar o crescimento das raízes e apresentar maior risco de encharcamento, provocando o apodrecimento das raízes, além de dificultar a colheita, especialmente em períodos secos.
Entretanto, existem tipos de solos (Latossolo) com textura muito argilosa, como os que ocorrem nos municípios de Paragominas e Santarém no Pará, bem como em regiões próximas de Manaus, Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Urucará e Maués, além de outros no Amazonas, cuja fração argila é de natureza essencialmente caulinítica (CAMARGO; RODRIGUES, 1979; RODRIGUES et al., 1991; SILVA, 1989), com estrutura na forma de microagregados e com poros bem distribuídos no perfil (EMBRAPA, 1983; RODRIGUES et al., 1971, 1991), proporcionando uma drenagem semelhante à de um solo de textura média, quando não está compactado (CRAVO, observação pessoal).
Nesses solos a mandioca é cultivada com sucesso, sem problemas para o crescimento e para a colheita das raízes.
Uma característica importante a ser observada na escolha de área para plantio é a profundidade do solo, bem como se não há impedimento à drenagem, com presença de camada compactada ou de impedimento, imediatamente abaixo da camada arável, o que pode prejudicar o crescimento e até causar o apodrecimento das raízes.
Devem ser evitadas áreas sujeitas a encharcamentos periódicos, como normalmente ocorre nas áreas de baixada, pois nesses locais a mandioca tem um crescimento reduzido e o excesso de umidade causa o apodrecimento das raízes.
É importante que os plantios sejam localizados em áreas de fácil acesso de veículos e o mais próximo possível dos locais de processamento, a fim de diminuir os custos de transporte da mandioca.
2.2. Principais tipos de solos utilizados para cultivo de mandioca no Pará e suas características físico-químicas
Como principais tipos de solos e os de maior ocorrência no Estado do Pará, que são utilizados para o cultivo de mandioca, destacam-se os classificados como Latossolos e Argissolos.
Conforme dados da Tabela 1 (GAMA et al., 2010), observa-se que essas duas classes, juntas, cobrem mais de 80% da superfície do estado, sendo as mais frequentes nasprincipais regiões produtoras de mandioca do estado.

Trata-se de solos que ocorrem em áreas com relevo plano a suave ondulado, facilitando os trabalhos de mecanização; apresentam textura média a argilosa, são profundos a muito profundos (+ 2 m), bem a moderadamente drenados, bastante porosos e permeáveis, características essas muito favoráveis ao cultivo de mandioca.
Contudo, são solos destituídos de minerais primários facilmente intemperizáveis, que são as fontes naturais de nutrientes dos solos e, por isso, considerados solos envelhecidos, bastante intemperizados e lixiviados (FALESI, 1986).
Em razão dessas características, esses solos geralmente apresentam-se, em seu estado natural, com baixa fertilidade e normalmente ácidos (Tabela 2), havendo necessidade de correção da acidez e melhoria da fertilidade, para que culturas como a mandioca possam expressar seu potencial produtivo.

Conforme Souza et al. (2009), a faixa favorável de pH para mandioca é de 5,5 a 7,0, sendo 6,5 o ideal, embora ela seja menos afetada pela acidez do solo do que outras culturas.
A mandioca produz bem em solos de alta fertilidade, apesar de que rendimentos satisfatórios também possam ser obtidos em solos degradados quimicamente, com baixos teores de nutrientes, onde a maioria dos cultivos tropicais não produziria satisfatoriamente (SOUZA et al., 2009).
3. Calagem e Adubação
Sua capacidade de produzir rendimentos razoáveis em solos pobres deu origem à crença de que a mandioca não requer fertilizantes minerais, nem responde a eles, mas os resultados de extensa revisão de dados feita pela FAO (2013) mostraram que muitas variedades de mandioca respondem bem à fertilização e outras menos.
No Brasil, a mandioca é plantada usualmente sem ou com utilização mínima de insumos, especialmente na região Nordeste (SOUZA et al., 2009) e na Amazônica, onde os plantios são feitos no sistema de derruba-e-queima, aproveitando apenas as cinzas da queimada da vegetação (CRAVO et al., 2005).
Porém, mesmo considerada uma cultura rústica, adaptável a condições de baixa fertilidade e elevada acidez dos solos (FAO, 2013; MIRANDA et al., 2005; SOUZA et al., 2009), seu cultivo contínuo na mesma área, sem reposição dos nutrientes exportados, pode provocar o esgotamento das reservas nutricionais dos solos, levando-os à completa degradação.
Esse aspecto é particularmente importante na região Norte (grande produtora de mandioca) e na região dos Cerrados, onde os solos, em sua grande maioria, apresentam condições de baixa fertilidade natural e elevada acidez (CRAVO et al., 2005; MIRANDA et al., 2005).
Assim sendo, torna-se necessário buscar formas apropriadas de manejo desses solos, com uso judicioso da calagem e da adubação, para se obter boas produtividades e manter o solo em condições de fertilidade adequada, para o cultivo em rotação de culturas, na mesma área, sem a necessidade de incorporação de novas áreas de mata ou capoeira ao processo, principalmente no sistema de derruba-e-queima, muito prejudicial ao meio ambiente.
3.1. Respostas da Mandioca à Calagem
A utilização de calcário para essa cultura em solos ácidos nem sempre tem proporcionado acréscimos de produtividade (SOUZA et al., 2009).
Em razão disso, para o cultivo da mandioca, tem sido recomendada a aplicação de calcário em doses moderadas, principalmente para suprimento de cálcio e magnésio, que são o terceiro e quinto nutrientes mais absorvidos pela cultura (MIRANDA et al., 2005) e não ultrapassar a dose de 2 t ha-1, por qualquer método de recomendação (RAIJ et al., 1996; RIBEIRO et al., 1999).
Considerando esse raciocínio, Miranda et al. (2005) obtiveram rendimentos expressivos de mandioca em dois solos de Cerrado, em resposta à calagem – somente para elevar a saturação por bases do solo para 25% – e à adubação fosfatada, tendo sido observado, também, resposta à interação da calagem com a adubação fosfatada.
No Pará, também têm sido observados efeitos positivos da calagem, em doses moderadas, para a cultura da mandioca, conforme pode ser visto pela Figura 1 e Tabela 3 (CRAVO, 2007).

Neste cultivo (Figura 1), foi utilizado o equivalente a 1 t ha-1 de calcário dolomítico, na área “com calagem” e ausência na “sem calagem”.
Embora ambos os plantios tenham recebido o equivalente a 250 kg ha-1 da fórmula NPK 10-28-20, por volta dos 60 dias após o plantio, nota-se melhor desenvolvimento vegetativo na área que recebeu calagem e, segundo informações do produtor, o rendimento de raízes de mandioca obtido da área com calagem foi muito maior do que o da área sem calagem.
Em experimento instalado em área recém-desmatada e queimada, do Município de Terra Alta (CRAVO, 2007) também foi observada tendência de reposta positiva na produção de raízes e parte aérea de macaxeira, até a dose de 1 t ha-1 de calcário (Tabela 3).

Foi observado também que, nas doses mais elevadas de calcário, as plantas mostraram sintomas de deficiência de micronutrientes, o que, provavelmente, provocou decréscimo na produtividade tanto de raízes como da parte aérea (Tabela 3), demonstrando a inconveniência de se usar doses muito elevadas de calcário para essa cultura.
Esse fato está relacionado com a disponibilidade de micronutrientes no solo, em função do aumento do pH, provocado pela calagem.
Isso porque, com o aumento do pH do solo há um decréscimo progressivo dos teores de Fe, Cu, Mn e Zn (CAMARGO et al., 1982) e aumento dos teores de Mo e Cl, especialmente em valores de pH acima de 6,5, o qual normalmente é atingido com doses de calcário acima de 2 t ha-1.
Esse aspecto é agravado em solos arenosos – os mais utilizados para o cultivo da mandioca – pois, nesses solos, a disponibilidade de micronutrientes catiônicos (metais) é menor do que em solos argilosos.
Por isso, é muito importante que esses fatos sejam levados em consideração, por ocasião das recomendações de calagem para cultura da mandioca.
3.2. Respostas da Mandioca à Adubação
No que se refere à adubação mineral, tem sido relatados aumentos significativos de produção de raízes na África e na Ásia (FAO, 2013) e no Brasil (MATTOS; CARDOSO, 2003; MIRANDA et al., 2005; SOUZA et al., 2009).
No Pará, em experimento instalado em Latossolo Amarelo, já destituído da cobertura natural de floresta (área de capoeira), Cravo e Smyth (dados não publicados) observaram aumento de 19,3 t ha-1 para 37,3 t ha-1 (mais de 90%) na produtividade de raízes de mandioca, em resposta à aplicação de 100 kg ha-1 de P2O5, a lanço e incorporado.
Em outro experimento, também em Latossolo Amarelo, utilizando-se doses crescentes de potássio, a produtividade média de raízes aumentou de 23 t ha-1 para 39,2 t ha-1 (mais de 70%), com a dose de 90 kg ha-1 de K2O, em relação ao rendimento da testemunha que recebeu todos os outros nutrientes, menos potássio.
No que se refere à adubação orgânica para mandioca, existem muitos relatos sobre o uso de estercos de animais, compostos orgânicos e adubos verdes como fontes de matéria orgânica, aumentando a produtividade de raízes por melhorarem as características físicas, químicas e biológicas do solo.
Em experimentos realizados na Indonésia (FAO, 2013), a combinação de 5 t de adubo orgânico com uso de doses adequadas de fertilizantes minerais proporcionou rendimentos mais elevados do que somente com fertilizante.
Andrade et al. (2005) observaram aumento de produtividade de raízes e da parte aérea de mandioca, em resposta à utilização de esterco de curral e de adubos verdes, como cobertura morta que, segundo os autores, além de fornecer maior quantidade de nitrogênio para as plantas, proporcionou maior armazenamento de água, diminuição e menor variação da temperatura do solo.
Segundo FAO (2013), ao melhorar as condições físicas do solo – temperaturas menores, níveis mais altos de umidade, maior capacidade de infiltração da água e menor evaporação – a cobertura vegetal favorece a obtenção de rendimentos mais altos de raízes, além de manter o equilíbrio e a atividade microbiana do solo.
Miranda et al. (2004) obtiveram rendimentos semelhantes de raízes de mandioca, com o uso de 300 kg ha-1 da fórmula NPK 4-30-6 + 10 kg ha-1 de FTE BR-12 e 4 t ha-1 de húmus de minhoca, aplicados no sulco de plantio.
Contudo, em termos comparativos, os custos com o uso do húmus, na região de Cerrado seria cerca de 8 vezes o do uso do fertilizante químico, tornando seu uso inviável para essa cultura.
No Pará, em experimento de campo Smyth (2007) observou aumentos na produtividade de raízes de mandioca de 19,3 t ha-1 para 35,2 t ha-1, de 19,3 t ha-1 para 32,4 t ha-1 e de 19,3 t ha-1 para 24,6 t ha-1, com o uso de 5 t ha-1, 15 t ha-1 e 15 t ha-1 de esterco de galinha, esterco de bovino e resíduo de fabricação de farinha de mandioca, respectivamente, sendo atribuídos esses aumentos de produtividade principalmente ao incremento dos teores de fósforo e potássio ao solo, pela aplicação desses adubos orgânicos.
Fica evidente, portanto, que independente da fonte de nutrientes, a mandioca responde à adubação, sendo necessário ser feita a reposição ao solo de pelo menos as quantidades de nutrientes exportadas pelas colheitas, no intuito de evitar a exaustão dos solos.
4. Recomendações de Calagem e Adubação para a Cultura da Mandioca
A maioria dos estados brasileiros dispõe de tabela de recomendações de calagem e adubação para a cultura da mandioca, sendo unânimes em sugerir que essas recomendações sejam definidas com base em resultados da análise química do solo.
4.1. Calagem
É recomendável que a calagem seja aplicada com certa antecedência do plantio, normalmente entre 20 dias (CRAVO et al., 2010) e 60 dias (MATTOS; CARDOSO, 2003; RAIJ et al., 1996; RIBEIRO et al., 1999) para haver tempo suficiente para reação no solo, sendo utilizados diversos métodos para o cálculo da necessidade de calagem.
No Pará, tomando-se como base os resultados de análise do solo, os cálculos são feitos com o objetivo de baixar a saturação por alumínio para 30%, podendo ser calculada a necessidade de calcário pela seguinte equação:

onde:
- NC = Necessidade de Calcário (t ha-1), com PRNT ajustado para 100%.
- SAD = Saturação de Alumínio Desejada no solo após a calagem. No caso da mandioca a SAD deve ser ajustada para 30.
Quando o potássio vem expresso em mg dm-3, na análise do solo, deve ser convertido em cmolc dm-3 pela fórmula: cmolc dm-3 de K = mg dm-3 x 0,02556, ou cmolc dm-3 de K = mg dm-3 ÷ 39,102 para empregar na equação acima.
Para solos argilosos, usar 1,8 para o fator multiplicativo da equação, em vez de 1,5. Não aplicar mais do que 2 t ha-1 de calcário (PRNT ajustado para 100%) mesmo que os cálculos forneçam valores mais elevados, sendo recomendável o uso de calcário dolomítico, principalmente em solos com teor de magnésio inferior a 0,5 cmolc/dm3.
O calcário deve ser dividido em duas partes iguais e a primeira metade, aplicada na superfície do terreno e incorporada a uma profundidade de 20 cm, preferencialmente com arado ou, na falta, usar grade aradora.
A segunda metade deve ser aplicada antes da gradagem e incorporada, de preferência no mesmo dia, para evitar perdas provocadas pelo vento e pela chuva. Esperar pelo menos 20 dias, após a aplicação do calcário, para fazer o plantio.
4.2. Nitrogênio
A mandioca, mesmo em solos com baixos teores de matéria orgânica, tem apresentado baixa resposta à adubação nitrogenada, fato este atribuído à presença de bactérias diazotróficas fixadoras de nitrogênio atmosférico no solo (FAO, 2013; MATTOS; CARDOSO, 2003). Por isso, recomenda-se aplicar uma dose de 40 kg ha-1 de N, em cobertura, 30 a 60 dias após a brotação.
4.3. Fósforo e Potássio
Considerando-se os baixos teores de fósforo (P) nos principais solos da região (FALESI, 1986), a adubação fosfatada adquire grande importância para a cultura da mandioca, embora não seja extraído em grandes quantidades pela mandioca (FAO, 2013; MIRANDA et al., 2005; SOUZA et al., 2009).
É importante também levar em consideração a textura do solo na tomada de decisão para adubação fosfatada, uma vez que esse atributo influencia na disponibilidade de P para as culturas.
Solos mais argilosos tendem a fixar mais fósforo, reduzindo a disponibilidade do elemento para as plantas, do que solos mais arenosos.
O potássio (K) é o elemento extraído em maior quantidade pela mandioca (MATTOS; CARDOSO, 2003; SOUZA et al., 2009) e, por isso, as reservas de K do solo são esgotadas em poucos anos de cultivo contínuo de mandioca na mesma área, sem utilização de adubação potássica, diminuindo sensivelmente a produtividade de raízes.
Na Tabela 4 são apresentadas sugestões de adubação fosfatada e potássica para a cultura da mandioca, conforme recomendações para o Estado do Pará (CRAVO et al., 2010).

Seguindo essas recomendações, todo o adubo fosfatado deve ser aplicado no sulco ou nas covas, por ocasião do plantio. Já o potássio deve ser aplicado em cobertura, 30 a 60 dias após a brotação das plantas, juntamente com a adubação nitrogenada.
4.4. Micronutrientes
Raros estudos com micronutrientes foram realizados para mandioca no Brasil (OLIVEIRA et al., 2008). Contudo, sabe-se que na Amazônia os agricultores vêm utilizando as mesmas áreas para o plantio de mandioca, no sistema de derruba-e-queima, sem utilização de fertilizantes, especialmente micronutrientes (CRAVO et al., 2005). Nos solos mais arenosos, a deficiência de zinco tem sido a mais frequente em mandioca.
Em razão disso, e para evitar possíveis limitações na produção, em solos com indícios de deficiência de micronutrientes, detectada por meio da análise de solo, ou em áreas que já vêm sendo utilizadas seguidamente com a cultura da mandioca, sem adubação com micronutrientes, recomenda-se aplicar, no sulco de plantio, o equivalente a 30 kg ha-1 de FTE BR 12, juntamente com a adubação fosfatada, e só fazer novas aplicações caso os resultados de análise do solo indiquem deficiência de micronutrientes (CRAVO et al., 2010). Esse procedimento é especialmente importante em áreas que vêm recebendo ou que irão receber calagem para o cultivo da mandioca.
5. Considerações Finais
A mandioca é uma cultura de extrema importância no cenário mundial, pois é cultivada em toda a faixa tropical do mundo, constituindo-se em um dos principais alimentos energéticos para milhões de pessoas, principalmente nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
Em razão de sua conhecida tolerância a solos ácidos e sua eficiência na utilização de nutrientes do solo, sendo capaz de sobreviver e produzir onde outras culturas não produzem, é confundida com uma cultura pouco exigente em nutrientes.
Contudo, trabalhos de pesquisa têm demonstrado que essa cultura responde muito bem ao uso de calagem, em quantidades moderadas, e a fertilizantes, tanto minerais quanto orgânicos, apresentando produtividades bastante elevadas.
Nesses trabalhos de pesquisa, fica evidenciada a importância da análise do solo como prática fundamental para as recomendações de calagem e adubação, em quantidades adequadas para atender às demandas da cultura, permitindo com que a planta possa expressar todo o seu potencial produtivo.
Diante de tais fatos, quaisquer empreendimentos agrícolas – do micro produtor ao grande empresário – que tenham como meta a obtenção de níveis elevados e econômicos de produtividade, não podem prescindir do uso dessa importante ferramenta – a análise do solo – o que proporcionará maior lucro ao produtor com menor impacto ambiental.
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Fonte
MODESTO, Moisés de Souza Junior; ALVES, Raimundo Nonato Brabo. Cultura da mandioca: Apostila. 1ª ed. Belém - PA: Embrapa Amazônia Oriental, 2014.