Sustentabilidade

Mudanças climáticas potencializam os microrganismos

Os pesquisadores também chamaram atenção para o papel dos microrganismos no ciclo do nitrogênio.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

As mudanças climáticas estão criando novos desafios para quem produz no campo. Períodos mais longos de seca, chuvas irregulares e o surgimento de novas doenças têm exigido soluções cada vez mais eficientes. Durante o 1º Congresso Brasileiro de Diversidade Microbiana (CBDMicro 2026), realizado em Manaus (AM), pesquisadores mostraram como os microrganismos podem ajudar a tornar a agricultura mais produtiva, resiliente e sustentável.

Um dos principais temas debatidos foi o papel dos microrganismos no controle biológico de doenças. Segundo especialistas da Embrapa, o aumento das temperaturas e das oscilações climáticas tem favorecido a expansão de doenças que antes eram restritas a determinadas regiões.

Um exemplo é a podridão de carvão, causada pelo fungo Macrophomina phaseolina, que ataca mais de 200 espécies vegetais e encontra condições ideais para se desenvolver em ambientes com estresse hídrico. Além disso, pesquisadores alertam que práticas que reduzem a matéria orgânica e a cobertura do solo podem diminuir a biodiversidade microbiana, enfraquecendo a capacidade natural do solo de proteger as plantas contra doenças.

Nesse cenário, ganha força o conceito de agricultura regenerativa. O objetivo é recuperar a vida do solo por meio de práticas como plantio direto, uso de plantas de cobertura, rotação de culturas e bioinsumos. Essas estratégias ajudam a restaurar a chamada "supressividade natural", mecanismo pelo qual os próprios microrganismos do solo auxiliam no controle de patógenos.

Outro destaque do congresso foi o uso de bactérias para transformar rochas fosfatadas em fertilizantes naturais. Pesquisas desenvolvidas ao longo de duas décadas mostram que resíduos agroindustriais, como bagaço de cana e casca de café, podem ser aproveitados para produzir insumos agrícolas de menor custo e menor impacto ambiental, reduzindo a dependência de fertilizantes importados.

Os pesquisadores também chamaram atenção para o papel dos microrganismos no ciclo do nitrogênio. Alguns processos biológicos realizados por bactérias do solo podem gerar óxido nitroso (N₂O), um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento cerca de 300 vezes superior ao dióxido de carbono. Compreender essas transformações é fundamental para desenvolver sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

Talvez um dos exemplos mais práticos apresentados tenha sido o desenvolvimento de bioinsumos capazes de aumentar a tolerância das plantas à seca. Após aproximadamente dez anos de pesquisas, cientistas identificaram bactérias, como Bacillus subtilis, capazes de auxiliar culturas como milho e soja a suportarem melhor períodos de deficiência hídrica.

Na prática, isso significa que a biodiversidade existente no solo pode se transformar em novas tecnologias para enfrentar os desafios climáticos que já fazem parte da realidade da agricultura brasileira.

🔧 Orientação: Se você busca aumentar a resiliência da sua lavoura, vale observar não apenas a fertilidade química do solo, mas também sua saúde biológica. Práticas como manter cobertura permanente, utilizar plantas de cobertura e adotar bioinsumos podem favorecer a diversidade microbiana e ajudar as plantas a enfrentar períodos de seca, estresse e pressão de doenças com maior eficiência.

Mais de Sustentabilidade

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.