Mercado de açúcar ganha novo fator de pressão
O movimento ocorre em um momento de forte valorização do açúcar na Índia.
A Índia avalia restringir, na próxima safra, a quantidade de cana-de-açúcar destinada à produção de etanol. A medida está sendo discutida diante da preocupação com a menor produção de açúcar, principalmente após a redução das chuvas em Maharashtra e Karnataka, os dois principais estados produtores de cana do país.
Segundo fontes do governo e da indústria ouvidas pela Reuters, a decisão pode ser tomada até o fim de setembro. A ideia é priorizar a produção de açúcar e aumentar a oferta no mercado interno, reduzindo o risco de necessidade de importações.
A mudança pode representar cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar adicionais no mercado indiano. Esse foi aproximadamente o volume desviado para a produção de etanol na atual temporada, equivalente a cerca de 10% da produção total.
O movimento ocorre em um momento de forte valorização do açúcar na Índia. Os preços subiram cerca de 10% no último mês, atingindo níveis recordes. A expectativa é que permaneçam elevados nos próximos meses, pressionados pela menor oferta e pelo aumento da demanda durante a temporada de festivais do país.
Para manter o programa de mistura de 20% de etanol na gasolina, porém, a redução do uso da cana precisaria ser compensada por outras matérias-primas. Entre as alternativas estão o milho e o arroz, que atualmente possuem estoques considerados suficientes.
As fontes também afirmam que as usinas poderiam ser orientadas a reduzir a produção de etanol a partir do caldo de cana e do melaço pesado B, que possui maior concentração de açúcar. Em contrapartida, seria priorizado o uso do melaço pesado C, obtido depois que grande parte do açúcar já foi extraída.
A Índia também já adotou outras medidas para aumentar a disponibilidade doméstica. O país proibiu as exportações de açúcar e, em julho, estabeleceu limites para os estoques mantidos pelos comerciantes.
Por que isso importa?
A decisão indiana pode influenciar o equilíbrio entre açúcar e etanol no mercado internacional. Quando uma grande produtora como a Índia direciona mais cana para açúcar, aumenta a oferta disponível do produto e reduz a quantidade de matéria-prima destinada ao biocombustível.
Para o setor sucroenergético, o cenário mostra novamente como decisões sobre combustível, clima e disponibilidade de matéria-prima estão diretamente conectadas.
Para quem acompanha o mercado, o principal ponto de atenção agora é a decisão que será tomada antes do início da próxima temporada indiana. A definição sobre quanto da cana poderá ser destinada ao etanol poderá afetar tanto a oferta de açúcar quanto a demanda por milho e arroz utilizados na produção do biocombustível.
Fonte: Reuters.