Agricultura

27 novas abelhas são encontradas em lavouras de soja

O sistema de manejo adotado na propriedade também apareceu como um fator importante.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Um estudo liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia identificou 27 novos registros de abelhas nativas associados às lavouras de soja no Brasil. O levantamento foi realizado em propriedades rurais de Rio Verde e Montividiu, no sudoeste de Goiás.

Nas áreas cultivadas foram encontradas 40 espécies de abelhas. Quando também foram considerados os fragmentos de vegetação nativa próximos às lavouras, o número chegou a 53 espécies, distribuídas em cinco famílias.

O resultado amplia bastante o conhecimento sobre os polinizadores presentes nas áreas de produção. Até então, levantamentos científicos registravam apenas 12 espécies de abelhas nativas associadas à soja no país.

Vegetação nativa faz diferença

A pesquisa mostrou que os fragmentos preservados de Cerrado próximos às lavouras têm papel importante para manter as populações de abelhas. Essas áreas oferecem alimento, abrigo e locais para construção dos ninhos.

Os pesquisadores observaram que, conforme aumenta a distância entre a lavoura e a vegetação nativa, diminuem a riqueza e a abundância de abelhas encontradas nas flores da soja.

Outro dado chama atenção: a presença desses polinizadores pode estar associada a um aumento médio de 7% no peso dos grãos.

Isso significa que a conservação da vegetação ao redor da propriedade não está relacionada apenas à proteção ambiental. Ela também pode contribuir para manter os polinizadores presentes na paisagem agrícola.

Manejo também influencia

O sistema de manejo adotado na propriedade também apareceu como um fator importante.

Áreas com uso mais intenso de inseticidas e fungicidas químicos apresentaram comunidades de abelhas menos equilibradas, concentradas em um número menor de espécies mais resistentes.

Por outro lado, propriedades que utilizam bioinsumos para fertilização do solo e controle biológico de pragas apresentaram comunidades de abelhas mais diversificadas.

A agricultura regenerativa também favoreceu esses polinizadores. A redução do revolvimento do solo e a manutenção da cobertura vegetal são especialmente importantes porque cerca de 60% das espécies identificadas constroem seus ninhos no solo.

Na prática, operações que revolvem ou degradam o solo podem atingir diretamente esses locais de reprodução.

Mais de 700 abelhas avaliadas

Durante o trabalho, os pesquisadores coletaram 764 abelhas nas áreas de soja e nos fragmentos de vegetação nativa.

Desse total, 89% pertenciam a espécies nativas brasileiras. Os outros 11% eram da espécie exótica Apis mellifera, conhecida como abelha-do-mel.

O estudo também comparou diferentes métodos de coleta. As chamadas pan traps, armadilhas coloridas utilizadas para capturar insetos, foram responsáveis por 95% das capturas e registraram 33 espécies. As redes entomológicas identificaram sete espécies.

O resultado mostra que o método utilizado na pesquisa pode influenciar a percepção sobre a diversidade existente dentro da lavoura.

O que isso significa para você?

Se você produz soja, a conservação dos fragmentos de vegetação nativa pode ajudar a manter uma maior diversidade de abelhas próxima à lavoura.

Na prática, vale evitar a eliminação desnecessária dessas áreas e adotar um manejo criterioso dos defensivos, sempre respeitando as recomendações de uso dos produtos.

A pesquisa reforça um ponto importante: produção agrícola e conservação da biodiversidade podem estar presentes na mesma propriedade. O manejo da lavoura, do solo e das áreas de vegetação próximas pode influenciar diretamente esse equilíbrio.

Fonte: Forbes.

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