Poder de compra do avicultor cai com frango em baixa e insumos em alta
Segundo o Cepea, a oferta interna elevada de frango vivo no início deste mês pressionou as cotações para baixo
O bolso do avicultor paulista está apertando. O poder de compra frente ao milho e ao farelo de soja recuou em agosto pelo segundo mês consecutivo. É o que aponta o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em levantamento divulgado nesta sexta-feira (21).
O movimento resulta de uma combinação perigosa: de um lado, a desvalorização do frango vivo; de outro, a alta nos preços dos principais insumos usados na ração das aves. É o velho problema da “tesoura” — a receita cai enquanto os custos sobem.
Segundo o Centro de Pesquisas, a oferta interna elevada de frango vivo no início deste mês pressionou as cotações para baixo. Com a acomodação desse excedente ao longo dos dias, os valores foram se estabilizando, mas já em patamares menores do que os vistos no mês passado.
Do lado dos insumos, milho e farelo de soja se valorizaram. Segundo a Equipe de Grãos do Cepea, o avanço foi mais expressivo para o farelo, refletindo a maior disputa entre consumidores internos e externos e a valorização do dólar frente ao Real.
Imagine que você tem um aviário de frango de corte com 10 mil aves. No mês passado, o quilo do frango vivo pagava R$ 5,00 e a saca de milho custava R$ 60,00. Você conseguia comprar cerca de 8,3 kg de milho com um quilo de frango. Agora, o frango caiu para R$ 4,70 e o milho subiu para R$ 65,00. Com o mesmo quilo de frango, você compra apenas 7,2 kg de milho. É exatamente isso que o Cepea está mostrando: seu produto vale menos e o que você precisa comprar para produzir vale mais.
No caso do frango, o mercado começou agosto com excesso de oferta. Os frigoríficos e atacadistas tinham estoques cheios e diminuíram o ritmo de compras. Com menos demanda, o preço do animal vivo caiu. A boa notícia é que esse excedente já foi sendo absorvido e os preços começaram a se estabilizar.
Já os insumos seguem em alta por razões que vão além do Brasil. O farelo de soja, principal fonte de proteína na ração, está mais caro porque o mercado externo está disputando o produto com força. O dólar valorizado também pesa: como o farelo é precificado em moeda americana, qualquer alta do dólar eleva o custo interno. O milho também subiu, mas em menor intensidade.
🔧 Orientações práticas:
Para o avicultor, esse cenário exige atenção redobrada e ações estratégicas:
1. Antecipe compras de insumos: se você tem condições de armazenar, aproveite momentos de pequena trégua nos preços para comprar milho e farelo com antecedência. Isso pode proteger sua margem contra novas altas.
2. Revise a dieta das aves: converse com seu zootecnista ou engenheiro agrônomo sobre a possibilidade de ajustar a ração sem comprometer o desempenho dos animais. Pequenas substituições podem reduzir custos.
3. Negocie prazos e volumes: com a oferta de frango acomodada, os frigoríficos podem voltar a comprar mais. Tente negociar contratos com preços fixos ou com cláusulas de reajuste baseadas em índices confiáveis.
4. Acompanhe o dólar e o mercado externo: a valorização da moeda americana impacta diretamente o custo do farelo. Fique de olho nas notícias sobre exportações e câmbio para antecipar movimentos.
5. Diversifique a produção: se possível, avalie a possibilidade de produzir frango caipira ou ovos, que podem ter margens diferentes e menos exposição à variação dos insumos industriais.
O mercado avícola está mostrando sinais de ajuste. Quem se prepara com informação e planejamento tem mais condições de atravessar o momento sem comprometer a rentabilidade.
Fonte: Cepea.