Pecuária

Exportações de frango dependem de auditoria

Já a carne bovina e os ovos ficaram fora dessa avaliação.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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O Brasil terá uma nova oportunidade para manter parte de suas exportações de produtos de origem animal para a União Europeia. No fim de agosto, técnicos do bloco europeu realizarão uma auditoria para verificar se os sistemas brasileiros de controle atendem às exigências da UE sobre o uso de antibióticos na produção animal.

A inspeção está prevista para começar em 24 de agosto e ocorre em um momento decisivo. Atualmente, um embargo europeu está programado para entrar em vigor em 3 de setembro, podendo afetar produtos brasileiros destinados ao mercado europeu. Segundo a Comissão Europeia, o foco da auditoria será a carne de frango e o mel, setores para os quais o Brasil apresentou garantias formais de que cumpre as normas exigidas pelo bloco.

Já a carne bovina e os ovos ficaram fora dessa avaliação. De acordo com a União Europeia, o Brasil ainda não consegue garantir plenamente o atendimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante toda a vida dos animais nesses sistemas produtivos. Isso reduz as chances de esses produtos escaparem das restrições previstas.

Em 2025, a União Europeia importou cerca de US$ 1,8 bilhão em produtos brasileiros de origem animal, segundo dados do Ministério da Agricultura. Por isso, o resultado da auditoria é acompanhado de perto pelo setor exportador. Caso os técnicos europeus considerem os controles brasileiros adequados, a Comissão poderá propor a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar carne de frango e mel para o bloco. A medida, porém, ainda dependerá da aprovação dos países-membros da UE.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o sistema de segregação da produção destinada à Europa já é utilizado há anos. O setor afirma que os antimicrobianos proibidos pela legislação europeia não são utilizados nos lotes destinados a esse mercado e que os controles adicionais solicitados pela UE já estão sendo implementados.

Na prática, essa auditoria vai além de uma exigência técnica. Ela pode definir o acesso do Brasil a um mercado estratégico e influenciar a competitividade das cadeias de proteína animal. Para produtores integrados, cooperativas e indústrias exportadoras, manter padrões rigorosos de rastreabilidade e controle sanitário torna-se cada vez mais importante para atender às exigências internacionais.

🔧 Orientação: Se você atua em cadeias exportadoras, mantenha registros atualizados de manejo, medicamentos e programas sanitários. A rastreabilidade e o cumprimento das exigências dos mercados compradores estão se tornando fatores tão importantes quanto produtividade e custo de produção.

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