Crise do gado dispara preço da carne nos EUA
No setor de churrasco texano, um dos mais tradicionais do país, os efeitos já são severos.
Os Estados Unidos enfrentam a menor oferta de gado dos últimos 75 anos, cenário que já provoca forte alta nos preços da carne bovina e pressiona restaurantes, churrascarias e consumidores em todo o país. O rebanho americano caiu para 86,2 milhões de cabeças em 2026, o menor volume desde 1951, segundo dados do Texas Farm Bureau.
O impacto já aparece no bolso do consumidor. Dados do Banco da Reserva Federal de St. Louis mostram que os preços dos bifes subiram 17% em um ano, chegando a US$ 28,70 por quilo. Já a carne moída atingiu recorde histórico de US$ 15,21 por quilo, alta de 19% frente ao mesmo período do ano anterior.
A principal explicação está na combinação de seca prolongada, aumento dos custos de produção e redução do número de animais destinados à reprodução. Estados produtores, especialmente o Texas, sofreram perdas de pastagem e dificuldades no abastecimento de água, o que elevou os custos para manter os rebanhos.
Além disso, muitos pecuaristas reduziram investimentos diante do aumento das despesas com alimentação animal, combustível, mão de obra e juros elevados. Parte dos produtores também diminuiu o número de vacas reprodutoras para cortar custos no curto prazo, o que reduz ainda mais a capacidade futura de reposição do rebanho.
O resultado é um mercado pressionado pela falta de oferta justamente em um momento de demanda aquecida. Dietas ricas em proteína e o aumento do consumo de carne vermelha nos Estados Unidos ampliaram ainda mais o desequilíbrio entre oferta e procura.
No setor de churrasco texano, um dos mais tradicionais do país, os efeitos já são severos. O preço do brisket — corte equivalente ao peito bovino — subiu cerca de 28% no atacado em relação ao ano passado. Restaurantes especializados começaram a reajustar cardápios e até limitar a oferta do produto.
Algumas operações menores já encerraram atividades em 2026, pressionadas pela dificuldade de repassar custos ao consumidor. Em contrapartida, grandes redes mais populares, como Texas Roadhouse e Outback Steakhouse, continuam crescendo ao ampliar a venda de cortes mais baratos, carne suína e frango.
O governo de Donald Trump chegou a discutir medidas para tentar conter os preços, incluindo ampliação temporária das importações de carne bovina e linhas de crédito para pecuaristas. No entanto, parte das propostas segue parada e ainda sem definição.
Para o produtor brasileiro, o cenário americano chama atenção porque pode manter o mercado internacional da carne aquecido. Os Estados Unidos seguem sendo um dos maiores consumidores globais de carne bovina, e uma oferta menor no país tende a sustentar preços internacionais em níveis elevados.
🔧 Orientação prática: Se você atua na pecuária de corte, vale acompanhar de perto os movimentos do mercado americano e das exportações brasileiras. Em momentos de restrição global de oferta, estratégias de retenção de animais, planejamento nutricional e gestão de custos podem fazer diferença na rentabilidade da fazenda.
Fonte: Forbes.com e Forbes Brasil.